10 de junho de 2026

AIE: Demanda por fóssil atinge pico, mas temperatura global sobe 2,5 °C

Agência diz que uso de combustíveis fósseis atingirá o pico antes de 2030; velocidade da transição é insuficiente para o clima
Foto de Matthew Henry na Unsplash

1. Investimento global em energia limpa atinge recorde, mas transição energética está ameaçada pela geopolítica e fragilidade das políticas climáticas.

2. Demanda por combustíveis fósseis atingirá pico antes do final da década, impulsionada pelo crescimento das energias renováveis e eletrificação.

3. Desigualdade de investimento em energia limpa entre países ricos e emergentes ameaça segurança energética global e benefícios sociais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta um novo recorde para o investimento global em energia limpa, mas faz um alerta: a transição energética não está em uma trajetória segura, por conta de sua vulnerabilidade à geopolítica de minerais e à fragilidade das políticas climáticas.

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Segundo o World Energy Outlook 2025 divulgado nesta quarta-feira (12/11), o crescimento das energias renováveis e da eletrificação está empurrando a demanda por combustíveis fósseis para o pico.

A previsão é que o uso de petróleo, gás e carvão atinja seu ápice antes do final da década, sob o cenário de políticas atuais (STEPS). O recuo, no entanto, não é suficiente.

“A ambição dos governos em mitigar os piores efeitos das mudanças climáticas está diminuindo,” critica a AIE.

O relatório projeta que, sob as políticas atuais, a temperatura global caminhará para um aumento de 2,5 °C até 2100, evidenciando que a velocidade da transição não acompanha o imperativo climático.

Nova Geopolítica: O Controle de Minerais

O documento também lança luz sobre o novo ponto de tensão geopolítica: os minerais críticos. Esses elementos são vitais não só para baterias e veículos elétricos, mas também para chips de Inteligência Artificial (IA), sistemas de defesa e data centers – setores estratégicos que impulsionam a demanda por eletricidade.

Concentração de Fornecimento: A produção e o refino de minerais como lítio, cobalto e terras raras permanecem concentrados em pouquíssimos países, o que representa um risco agudo de segurança de abastecimento.

Controles de Exportação: Mais da metade desses minerais estratégicos está atualmente sujeita a algum tipo de controle de exportação, uma ferramenta de poder geopolítico que pode estrangular cadeias de suprimentos globais. A China, por exemplo, já impôs novos controles sobre elementos de terras raras.

A AIE adverte que as forças de mercado sozinhas não reverterão essa concentração; é necessária uma ação política concertada para diversificar as cadeias de valor e evitar novas dependências.

O Gargalo do Investimento Desigual

Apesar do recorde de investimento em energia limpa, o WEO 2025 destaca uma falha estrutural na distribuição desses recursos. A agência enfatiza que, sem um esforço internacional muito mais intenso para aumentar o investimento na transição energética, especialmente nas economias emergentes e em desenvolvimento, será impossível garantir a segurança energética global e os benefícios sociais.

A discrepância no custo de capital entre países ricos e economias em desenvolvimento agrava o problema. A África, por exemplo, concentra 20% da população global, mas recebe apenas cerca de 2% dos investimentos em energia limpa, perpetuando o cenário de pobreza energética.

A AIE reitera que a transição é inevitável, mas seu caminho é perigosamente instável. A segurança energética global não é mais apenas uma questão de oferta de petróleo, mas uma equação que envolve estabilidade política, controle de minerais críticos e a urgência de financiamento para o Sul Global.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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