10 de junho de 2026

COP30: Investir em Pesquisa Impulsiona a Agenda Climática

Para pesquisadores, Brasil, Índia e África do Sul têm potencial para atrair investimentos em energia solar e eólica devido à extensão territorial
Crédito: Reprodução

1. Países do Sul Global têm oportunidade única de liderar transição energética, atraindo investimentos e fortalecendo cadeias industriais.

2. Especialistas de África do Sul, Brasil, China e Índia discutem cooperação Sul-Sul na COP30, destacando desafios e possibilidades.

3. Colaboração em pesquisa e inovação, investimentos em energias renováveis e cooperação tecnológica são fundamentais para a transição energética.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A urgência em acelerar a transição energética, tema central da COP30, abre uma oportunidade estratégica para os países do Sul Global atraírem investimentos, qualificarem mão de obra e fortalecerem suas cadeias industriais. Com grande parte das reservas de minerais essenciais às tecnologias limpas e histórico de inovação em setores como bioenergia, no caso do Brasil, e veículos elétricos, no da China, essas nações têm condições de protagonizar o desenvolvimento de novos mercados. Para isso, entretanto, será indispensável ampliar a cooperação científica e tecnológica e diversificar fontes de financiamento para pesquisa e inovação.

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A análise foi apresentada por especialistas da África do Sul, Brasil, China e Índia durante uma mesa-redonda promovida pela Fapesp no último sábado (15), no Pavilhão do Brasil, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). O debate discutiu desafios e possibilidades para ampliar a cooperação Sul-Sul no processo de descarbonização global até 2050.

Para Pu Wang, professor do Instituto de Ciências e Desenvolvimento da Academia Chinesa de Ciências (CAS), a colaboração entre países em desenvolvimento é essencial. “Somos os que melhor entendem nossos próprios desafios. Enfrentamos problemas climáticos, ambientais e econômicos semelhantes e, por isso, devemos compartilhar conhecimento, tecnologias e soluções”, afirmou.

Ele destacou ainda o potencial de Brasil, Índia e África do Sul para atrair investimentos em energia solar e eólica devido à extensão territorial e disponibilidade de recursos naturais.

Wang citou a rápida evolução da indústria chinesa de veículos elétricos como um exemplo da transformação possível. “Há 20 anos, muitos países acreditavam que a agenda climática representava um entrave ao crescimento econômico. A experiência da China mostra o contrário: hoje somos grandes exportadores de automóveis, algo inimaginável há uma década”, disse. Para ele, o avanço resultou de forte investimento em pesquisa e desenvolvimento, um caminho que outros países emergentes também podem trilhar.

O financiamento à pesquisa, ressaltou o especialista, foi determinante para o setor de renováveis na China e deve ser priorizado por outras nações do Sul Global. A produção de painéis solares, baterias e a montagem de equipamentos podem ser passos iniciais, seguidos por investimentos contínuos em inovação. “Temos diante de nós uma oportunidade única em um século para modernizar nossas indústrias e alcançar a transição energética”, avaliou.

A necessidade de cooperar em tecnologias de redes elétricas de alta tensão, fundamentais para integrar fontes renováveis e reduzir perdas, foi destacada por Dipak Dasgupta, do Instituto de Energia e Recursos da Índia (TERI). Segundo ele, o gargalo na transmissão surge quando a matriz renovável atinge cerca de 26% da capacidade total.

“É um desafio comum aos países do Sul Global. Na Índia, já avançamos bastante nessa área, e nossos engenheiros têm muito a compartilhar com seus pares no Brasil e na China”, afirmou. Para Dasgupta, contudo, o desenvolvimento das renováveis enfrenta um entrave central: a falta de mecanismos específicos de financiamento climático.

A dimensão social da transição energética também foi enfatizada. Para Harald Winkler, professor da Universidade de Cape Town, garantir que o processo seja justo é essencial. “A meta não pode ser apenas atingir emissões líquidas zero. As comunidades precisam participar das decisões sobre seus próprios futuros”, observou.

Thiago Barral, ex-secretário de Transição e Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, acrescentou que a construção de cenários nacionais e regionais de descarbonização é fundamental para que países em desenvolvimento identifiquem estratégias próprias e ampliem sua capacidade de cooperação.

O debate foi mediado por Gilberto Jannuzzi, professor da Unicamp e assessor da Diretoria Científica da FAPESP para o Programa de Transição Energética. Segundo ele, o objetivo da mesa foi reunir atores estratégicos capazes de impulsionar a inovação e a colaboração internacional na agenda de descarbonização.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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