A democracia melhora a vida das pessoas
por Celso Pansera
A condenação e prisão de Bolsonaro, dos generais de quatro estrelas Braga Neto, Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, do almirante Almir Garnier e do delegado Anderson Torres – Alexandre Ramagem está foragido nos EUA e Mauro Cid foi condenado a apenas dois anos, que serão cumpridos em regime aberto – significa um marco histórico para o regime democrático em nosso país.
Pela primeira vez no Brasil, militares de alta patente são levados aos tribunais, com direito à ampla defesa e ao contraditório, julgados e sentenciados por tentativa de quebra da ordem constitucional, o que representa um avanço extraordinário em um país no qual a tutela militar sempre se constituiu em um entrave para a consolidação da democracia.
Contudo, aqui e ali se ouvem lamentos sobre o tensionamento do ambiente político, com um nível de estresse permanente desde que um golpe de estado apeou do governo a presidenta Dilma Rousseff.
Só que, pegando carona em uma conhecida metáfora popular, “não se faz omelete sem quebrar os ovos.”
Por motivos óbvios, seria desejável que a natural e democrática disputa política se desse apenas na seara do confronto de ideias e de projetos para o país.
Mas a realidade se impõe.
Se o preço a pagar para preservar a nossa democracia, em alguns momentos, é o aumento das tensões e da temperatura política, temos que estar a postos para enfrentar e vencer a tormenta.
É fundamental destacar que a democracia, longe de ser um ganho abstrato e algo que se limite a um conjunto de valores, é um regime político que, efetivamente, melhora a vidas das pessoas.
Por outro lado, na história brasileira, há uma relação diretamente proporcional entre golpes de estado e governos autoritários e deterioração das condições de vida da população.
Vamos lembrar que conquistas como o Bolsa Família, a redução do desemprego ao menor patamar da história, a independência do Brasil em relação ao FMI, o protagonismo do Brasil no mundo, o Sistema Único de Saúde, a estabilidade no emprego dos servidores públicos e o concurso público para o ingresso nos quadros do funcionalismo são conquistas pós-ditadura, que só foram possíveis na democracia.
O fato é que as instituições republicanas e democráticas emergiram mais fortes do que nunca depois do processo que ora transita em julgado e que levou à condenação dos que se insurgiram contra o estado democrático de direito e a soberania popular, crimes de extrema gravidade.
O Brasil vale a pena. Sigamos em frente!
Celso Pansera é ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-deputado federal. Presidiu a Finep e atualmente é presidente da Codemar, a empresa de desenvolvimento da prefeitura de Maricá.
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN “
Carlos
26 de novembro de 2025 8:36 pmFaltou listar entre as “conquistas pós-ditadura, que só foram possíveis na democracia” a lei relatada pelo excelentíssimo senador Flávio Bolsonaro e aprovada com apoio maciço da extrema-direita que suspendeu a saidinha de Natal para criminosos , que manterá estes meliantes na cadeia.
Salve a democracia!