21 de maio de 2026

O que se sabe até o momento sobre a Operação Poço de Lobato

Grupo Refit é acusado de montar rede financeira internacional para blindar lucros e driblar impostos no setor de combustíveis
Superintendência da Receita Federal, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

1- Operação Poço de Lobato: Receita Federal e instituições deflagram ação em 6 estados contra organização criminosa acusada de crimes tributários e lavagem de dinheiro, com prejuízos fiscais acima de R$26 bi.

2- Grupo Refit na mira: Esquema usa empresas interpostas para evadir ICMS, ocultar bens e movimenta bilhões. Investigação abrange importação, refino e distribuição de combustíveis.

3- Medidas e bloqueios: Operação bloqueia mais de R$10 bi em bens, incluindo sequestro de imóveis e veículos. ANP interdita refinaria ligada ao grupo por importações fraudulentas.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

A Operação Poço de Lobato, deflagrada nesta quinta-feira (27/11), foi deflagrada pela Receita Federal e outras instituições em cumprimento de mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia e Maranhão.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A operação policial é conduzida pela Receita Federal e pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP), formado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP).

Instituições como a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo e Policiais Civil e Militar também integram a operação. Ao todo, cerca de 621 agentes cumprem 126 a 190 mandados de busca e apreensão, mirando mais de 190 alvos entre pessoas físicas e jurídicas.

O foco é desarticular organização criminosa acusada de crimes tributários, contra a ordem econômica e lavagem de dinheiro, com prejuízos fiscais acima de R$ 26 bilhões em débitos de ICMS e outros tributos.

Alvos e Grupo Investigado

O principal alvo é o Grupo Refit (ou Fit), conglomerado do setor de combustíveis controlado por Ricardo Magro, residente nos EUA, com parentes no Brasil entre os investigados.

O esquema usa empresas interpostas para simular vendas interestaduais, evadir ICMS e ocultar bens via holdings, offshores (cerca de 50), instituições de pagamento e 17 fundos de investimento com R$ 8 bilhões em patrimônio. Importações superam R$ 32 bilhões entre 2020 e 2025, abrangendo refino, distribuição e venda, com irregularidades como declarações falsas à ANP.

As investigações demonstram que os estratagemas de ocultação e blindagem dos reais beneficiários das fraudes foram praticados mediante a utilização de uma rede de colaboradores que, por meios de múltiplos expedientes fraudulentos, falsidades, camadas societárias e financeiras etc., garantem a gestão e a expansão do grupo empresarial sobre setores da cadeia de produção e distribuição de combustível.

Veja abaixo um gráfico elaborado pela CIRA detalhando o funcionamento do esquema.

O produto e proveito das infrações penais foram realocados em uma complexa rede de interpostas pessoas, especialmente através de holdings, offshores, instituições de pagamento e fundos de investimento.

“Por meio de complexas operações financeiras, o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimento e offshores — incluindo uma exportadora fora do Brasil — para ocultar e blindar lucros”, afirma a Receita Federal, destacando que as operações financeiras são administradas pelo próprio grupo, que controla empresas financeiras e utiliza estruturas internacionais para blindagem patrimonial.

A investigação abrange todos os níveis da cadeia de combustíveis, da importação à comercialização ao consumidor final. O grupo possui núcleo no estado do Rio de Janeiro e atuação em praticamente todo o território nacional.

“O fluxo financeiro do grupo investigado é extremamente estruturado e sofisticado, e a ocultação e blindagem patrimoniais foram perpetradas através de instrumentos do mercado financeiro, com movimentação bilionária circulando por dezenas de fundos de investimentos e instituições financeiras, com apoio e participação direta de administradoras e gestoras desses fundos”, explica a Secretaria da Fazenda de São Paulo.

A força-tarefa confirmou o foco no coração financeiro do grupo, diferentemente de ações anteriores como Carbono Oculto, que miravam operações industriais. As investigações continuam para recuperação de ativos e uma possível expansão internacional devido a ativos de Magro nos EUA.

​​Medidas Cautelares e Bloqueios

Além das medidas de natureza criminal, que também inclui o sequestro de bens e valores, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP), por meio da PGE-SP, adotou providência judicial cível para bloquear mais de R$ 10,2 bilhões em bens, incluindo R$ 8,9 bilhões pela PGE-SP e R$ 1,2 bilhão pela PGFN, com sequestros de imóveis e veículos para garantir cobrança tributária.

A ANP interditou refinaria ligada ao grupo por importações fraudulentas, ausência de refino comprovado e uso de aditivos não autorizados, indicando adulteração de combustíveis. O nome remete ao primeiro poço de petróleo brasileiro, descoberto em 1939 em Lobato (BA).

​Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.

Leia Também

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados