5 de junho de 2026

Extrema-direita vence no Chile e Kast promete “restabelecer a lei”

Ultraconservador assume em março com agenda de repressão ao crime, deportações em massa e histórico ligado à ditadura
Jose Kast - Chile - foto de Cristobal Basaure Araya-SOPA Images - Reprodução

▸ José Antonio Kast venceu eleição no Chile com 58%, retornando a extrema-direita ao poder após 35 anos.

▸ Kast promete reforçar segurança, deportar imigrantes irregulares e militarizar fronteiras no mandato.

▸ Reações variadas: aliados internacionais comemoram; oposição promete resistência e Lula deseja sucesso.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A extrema-direita voltou ao poder no Chile neste domingo (14). O ultraconservador José Antonio Kast, de 59 anos, venceu o segundo turno da eleição presidencial com 58% dos votos, derrotando a comunista moderada Jeannette Jara, que obteve 42%. O resultado marca o retorno da direita radical ao Palácio de La Moneda pela primeira vez desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, há 35 anos.

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Kast assume a presidência em 11 de março, para um mandato de quatro anos. Em discurso a milhares de apoiadores, em Santiago, afirmou que sua prioridade será impor autoridade do Estado em todo o país.

Vamos restabelecer a lei. Vamos estabelecer o respeito à lei em todas as regiões, sem propostas e sem privilégios”, declarou.

Linha dura, imigração e segurança

Católico devoto, pai de nove filhos e advogado de formação, Kast concorreu pelo Partido Republicano com uma plataforma ultraconservadora. Sua campanha foi ancorada em propostas de repressão ao crime, fortalecimento das forças de segurança e controle rigoroso das fronteiras.

Entre as medidas anunciadas estão a deportação de cerca de 340 mil imigrantes em situação irregular, em sua maioria venezuelanos, a ampliação do poder de fogo da polícia e a criação de uma zona de fronteira militarizada, inspirada em modelos adotados nos Estados Unidos.

A sombra da ditadura

Em sua terceira tentativa de chegar à presidência, Kast carrega um histórico que desperta forte rejeição em parte do eleitorado. Ele já defendeu publicamente o regime de Augusto Pinochet (1973–1990), período marcado por cerca de 3.200 mortos e desaparecidos. Durante a campanha, afirmou que o ex-general teria votado nele se estivesse vivo.

Família, ideologia e trajetória política

O passado familiar do presidente eleito também voltou ao centro do debate. Reportagens investigativas publicadas em 2021 revelaram que seu pai, um imigrante alemão que fundou um próspero negócio de embutidos no Chile, foi membro do Partido Nazista de Adolf Hitler. Kast nega vínculo ideológico, afirmando que o pai teria sido recrutado à força pelo Exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

Na política institucional, Kast foi deputado por 16 anos e fundou o Partido Republicano em 2019, após romper com a União Democrata Independente (UDI), que considerava moderada demais. Ele se posiciona contra o aborto em qualquer circunstância, o divórcio e o casamento homoafetivo.

Reações no Chile e no exterior

A vitória de Kast foi comemorada por líderes da direita internacional. O presidente argentino Javier Milei o parabenizou como “amigo” e classificou o resultado como “mais um passo da nossa região em defesa da vida, da liberdade e da propriedade privada”.

Já o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou esperar cooperação para “reforçar a segurança pública, acabar com a imigração ilegal e revitalizar nossa relação comercial”.

Do lado oposto, Jeannette Jara reconheceu rapidamente a derrota. Disse ter ligado para o presidente eleito e desejado-lhe “sucesso para o bem do Chile”, prometendo uma oposição “exigente” e “firme”.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também desejou “pleno sucesso” a Kast e afirmou que seguirá trabalhando pelo fortalecimento das relações bilaterais.

Transição e limites do mandato

O atual presidente, Gabriel Boric, representante da esquerda, deve se reunir com Kast nesta segunda-feira (15) e afirmou que facilitará a transição de governo.

Apesar da margem expressiva no segundo turno, analistas alertam para uma leitura cautelosa do resultado.

A eleição ocorreu em um contexto de alternância entre direita e esquerda no poder desde 2010 e marcou, pela primeira vez em mais de uma década, a adoção do voto obrigatório no país.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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