5 de junho de 2026

Indulto de Lula barra trama golpista e aperta cerco à corrupção

Decreto de 2025 veta perdão a crimes contra a democracia, restringe corrupção e amplia critérios humanitários
Presidente Lula. | Foto: Ricardo Stuckert/PR

▸ Presidente Lula assinou decreto de indulto natalino 2025, excluindo condenados por atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

▸ Indulto restringe perdão para corrupção e crimes financeiros, vetando líderes de facções e réus com colaboração premiada.

▸ Decreto prioriza presos com condições graves de saúde, mães, pais e idosos, e prevê perdão de multas a pobres e comutação de pena.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O presidente Lula (PT) assinou nesta terça-feira (23) o decreto de indulto natalino de 2025, reafirmando a linha dura do governo contra crimes que atentam contra o Estado Democrático de Direito. Publicada no Diário Oficial da União (DOU), a medida exclui explicitamente condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e integrantes do núcleo da trama que tentou romper a ordem democrática no país.

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O decreto funciona, na prática, como um recado político direto à oposição que pressiona por uma anistia ampla aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes. Além dos crimes contra a democracia, ficam fora do indulto condenações por crimes hediondos, tortura, terrorismo, racismo, lavagem de dinheiro e violência contra a mulher, incluindo feminicídio e perseguição (stalking).

Corrupção e crimes financeiros sob restrição

Diferentemente de anos anteriores, o perdão para crimes de corrupção, como peculato e concussão, foi significativamente restringido. O indulto só poderá ser concedido quando a pena aplicada for inferior a quatro anos. Também estão impedidos de acessar o benefício líderes de facções criminosas, presos em unidades de segurança máxima e réus que firmaram acordos de colaboração premiada.

O texto veda ainda o indulto para crimes contra o sistema financeiro nacional, fraudes em licitações e delitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Critérios humanitários e de saúde

O decreto de 2025 prioriza situações de vulnerabilidade extrema. O indulto poderá alcançar presos com deficiências físicas graves adquiridas após o crime, como cegueira, paraplegia, tetraplegia ou transtorno do espectro autista em grau severo (nível 3).

Na área da saúde, o governo estabelece a presunção de incapacidade do sistema prisional para tratar doenças graves, como câncer em estágio IV, insuficiência renal crônica e esclerose múltipla. Também podem ser beneficiados detentos com HIV em estágio terminal ou com doenças contagiosas severas sem atendimento adequado no cárcere.

Mães, pais e idosos

As regras de concessão variam conforme o perfil do condenado, o tempo de pena cumprido e a reincidência:

  • Regra geral: Para penas de até oito anos por crimes sem violência, exige-se o cumprimento de um quinto da pena para não reincidentes e de um terço para reincidentes, até 25 de dezembro.
  • Mulheres: Mães e avós condenadas por crimes sem violência podem receber o indulto após cumprir apenas um oitavo da pena, desde que sejam essenciais aos cuidados de filhos ou netos menores de 16 anos ou com deficiência.
  • Idosos e pais: O tempo mínimo de prisão é reduzido pela metade para detentos com mais de 60 anos e para homens que sejam os únicos responsáveis por filhos menores ou com deficiência.

Multas e comutação de pena

O decreto também autoriza o perdão de penas de multa para condenados sem capacidade econômica, como beneficiários de programas sociais e pessoas em situação de rua, ou quando o valor devido for inferior ao mínimo exigido para execução fiscal.

Para presos que não alcançarem os critérios de extinção total da pena, o texto prevê a comutação, com redução de um quinto do tempo restante para não reincidentes e de um quarto para reincidentes. No caso de indígenas privados de liberdade, o decreto admite a substituição de penas mais severas por medidas alternativas.

O indulto natalino não tem efeito automático. A libertação depende de requerimento apresentado pela defesa ou pela Defensoria Pública, cabendo ao Judiciário verificar se o condenado cumpre todos os requisitos estabelecidos no decreto presidencial.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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