7 de junho de 2026

Lula articula reaproximação com o Congresso após embate por anistia aos golpistas

Mesmo diante das fissuras e embates, o governo precisará do diálogo para enfrentar o ano-chave eleitoral.
Lula e o presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi

Lula busca reaproximação com o Congresso após desgaste nas relações com Senado e Câmara em ano eleitoral.
Conflito institucional aumentou após indicação de Jorge Messias ao STF, gerando tensão entre Alcolumbre e Wagner.
PL da Dosimetria gerou desconforto no governo; Lula promete vetar projeto que altera penas dos atos golpistas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atua para recompor as pontes com o Congresso após um período de desgaste na relação com as cúpulas do Legislativo. Mesmo diante das fissuras e embates, o governo precisará do diálogo para enfrentar o ano-chave eleitoral. A intenção foi sinalizada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, ao relatar os bastidores das tensões envolvendo o Palácio do Planalto, o Senado e a Câmara dos Deputados.

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Segundo Randolfe, em entrevista ao Valor, a expectativa no governo é encerrar 2025 em um ambiente de reaproximação institucional, sobretudo após uma conversa descrita por ele como “aberta, franca, sincera e direta” entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Para o líder do governo, não há um rompimento estrutural entre Alcolumbre e o Planalto, e o diálogo tende a recompor o ambiente político. Na avaliação do senador, divergências pontuais não superam a convergência política entre os dois campos.

Conflito iniciado por indicações

O desgaste, no entanto, ganhou corpo após a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre defendia outro nome, o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o que acentuou as tensões e acabou levando também ao rompimento entre o presidente do Senado e o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA).

Randolfe atribui parte da crise institucional ao conflito entre Alcolumbre e Wagner. Segundo ele, houve uma deterioração clara da relação, inclusive com tentativas frustradas de mediação. O líder do governo relatou que buscou reabrir o diálogo entre os dois, sem sucesso. Também fez questão de negar versões de bastidores segundo as quais Alcolumbre teria pressionado o governo por cargos, afirmando que nunca houve cobrança nesse sentido.

PL da Dosimetria

Outro episódio que expôs fissuras na base governista foi a tramitação do projeto de lei que altera a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Randolfe demonstrou desconforto com a condução do acordo que viabilizou a aprovação da proposta, especialmente pela forma como o tema avançou sem consenso com a base social do governo.

O senador afirmou que alertou Jaques Wagner sobre os riscos políticos da iniciativa e defendeu o adiamento do debate, justamente por não haver respaldo social para o acordo. Segundo ele, o presidente Lula foi surpreendido durante a votação e só tomou conhecimento do entendimento em curso enquanto a sessão já estava em andamento no Senado.

De acordo com Randolfe, Lula deixou claro que não autorizou qualquer acordo e reafirmou a intenção de vetar o projeto. Na semana passada, o próprio presidente confirmou publicamente que vetará o PL da dosimetria, ao argumentar que a proposta reduz penas antes da conclusão dos julgamentos e sem que todos os responsáveis, incluindo financiadores, tenham sido identificados. Para Lula, o tema exige tratamento rigoroso e compromisso com a defesa da democracia.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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1 Comentário
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  1. emerson57

    22 de dezembro de 2025 6:10 pm

    Tem futuro essa política de arreglos?
    Penso que nessa altura seria preferível para o Lula o enfrentamento.
    Se enfrentar Lula ganha a eleição.
    Se fizer acordinhos pode até ganhar. Mas não vai governar. Vai ficar na mão do congresso, do PIG, e da direita do PT.
    Ei Lula, sua última chance de mudar o Brasil é agora!

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