6 de junho de 2026

Decisão de Gilmar esfria ofensiva bolsonarista por impeachment de ministros

Com gesto de Gilmar, pedidos de impeachment ficam na gaveta até definição das novas regras pelo Senado
Ministro Gilmar Mendes durante sessão da 2ª turma do STF. Crédito: Nelson Jr./ STF

Gilmar Mendes modificou regras do impeachment, exigindo 2/3 do Senado para aprovar pedidos contra ministros do STF.
Projeto no Senado pode alterar a Lei do Impeachment; decisões estão suspensas até definição das novas regras.
Ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes são alvos frequentes de pedidos de impeachment na ala bolsonarista.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma decisão de Gilmar Mendes na segunda semana de dezembro – já recuada em parte – esfria as tentativas de impeachment contra ministros do STF. Atualmente, os alvos mais frequentes destas tentativas pela ala bolsonarista do Congresso são o ministro Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Entenda o que Gilmar fez

No dia 10 de dezembro, o ministro atendeu a um recurso do Advocacia do Senado sobre a aplicação da Lei do Impeachment, com mudanças como a de que qualquer pessoa pode apresentar no Senado uma denúncia por crime de responsabilidade, não somente a Procuradoria-Geral, e de que para ser aceito o pedido de impeachment, deve ser pela maioria de 2/3 (54 votos) do Senado e não a maioria simples como ocorre hoje.

O ministro também proibiu que o crime de responsabilidade não deve ser justificado pelos argumentos dos ministros em votos de julgamento.

Apesar de ainda não ser uma resposta final, a medida de Gilmar Mendes representou um aceno de que a Lei do Impeachment deve ser analisada e, possivelmente, modificada antes de qualquer novo pedido de impeachment.

O que ainda precisa ser decidido sobre a Lei do Impeachment

Tramita também na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal um projeto que altera o processo de impeachment de autoridades.

Em sua decisão na primeira dezena do mês, Gilmar considerou o avanço das discussões no Senado para a aprovação de uma legislação atualizada sobre o assunto.

“Tal aprimoramento legislativo não se limita a atender formalmente às determinações do Supremo Tribunal Federal, mas configura ato de elevado espírito público, voltado à preservação da integridade do Poder Judiciário e à proteção da harmonia entre os Poderes”, escreveu na ocasião.

Após tal decisão, o senador Sergio Moro (União-PR) criticou a medida do ministro, afirmando que é o Senado quem deve legislar sobre o tema, e não o Judiciário. Mas elogiou que a resposta de Mendes é “um avanço” na revisão da Lei.

Assim, com os holofotes do ministro e do Senado sobre o tema, há um entendimento de que nenhum pedido de impeachment deve ser efetivamente analisado enquanto não se definir as novas regras.

Por isso, a pressão e dezenas de pedidos de afastamento que chegam contra ministros como Flávio Dino e Alexandre de Moraes devem esperar na gaveta.

Os ministros-alvos

Dino passou a concentrar as críticas de deputados e senadores, em meio a uma sequência de decisões judiciais que atingiram diretamente figuras com peso político relevante no Legislativo, envolvendo investigações sobre emendas parlamentares e o uso de recursos públicos.

Flávio Dino autorizou, nas últimas semanas, investigações sensíveis envolvendo emendas parlamentares e a cota parlamentar, atingindo uma funcionária estratégica da Câmara, apontada como central no controle das planilhas de emendas, além de parlamentares influentes do PL. As decisões acirraram o desconforto no Legislativo e alimentaram discursos favoráveis ao impeachment.

Alexandre de Moraes, por sua vez, segue como alvo permanente do bolsonarismo, especialmente após decisões que resultaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Leia também:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    23 de dezembro de 2025 12:18 pm

    Após virar caso de polícia, a direita virou caso psiquiátrico. O ódio aliado à impossibilidade de vingança geralmente destrói a sanidade mental de pessoas acostumadas a mandar que subitamente percebem que não mandam mais. É muito dificil admitir a impossibilidade de recuperar um poder indevidamente conquistado que foi perdido por causa da incompetência. O mais fácil é fazer o que os direitistas estão fazendo: mergulhar numa alucinação compartilhada para tentar enlouquecer a maior quantidade possível de pessoas.

Recomendados para você

Recomendados