Um novo documento da Justiça dos Estados Unidos acusa o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro de liderar, por mais de 25 anos, um amplo esquema de narcotráfico internacional associado a organizações classificadas como terroristas. A acusação aponta que o esquema teria enviado milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos com a proteção de estruturas do Estado venezuelano.
Segundo o texto, Maduro teria usado cargos públicos, desde deputado da Assembleia Nacional até chanceler e presidente da República, para facilitar o tráfico de drogas, fornecer proteção institucional a traficantes e enriquecer membros do alto escalão político e militar do país, além de familiares diretos.
A acusação sustenta que o governo venezuelano se transformou em um aparato a serviço do crime organizado, operando em parceria com grupos armados da América Latina.
Alvos da denúncia
Além de Maduro, a denúncia cita como réus:
- Diosdado Cabello, ministro do Interior e uma das figuras mais poderosas do regime;
- Ramón Rodríguez Chacín, ex-ministro do Interior e ex-governador;
- Cilia Flores, esposa de Maduro e ex-presidente da Assembleia Nacional;
- Nicolás Maduro Guerra, filho do ex-presidente;
- Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como líder da facção criminosa Tren de Aragua.
De acordo com o Ministério Público norte-americano, o grupo integrou uma estrutura conhecida como “Cartel dos Sóis”, formada por altos oficiais militares e autoridades civis que teriam garantido proteção logística, policial e diplomática ao tráfico de cocaína.
Parcerias com grupos armados
A acusação afirma que o esquema manteve alianças com algumas das organizações criminosas e insurgentes mais violentas do continente, incluindo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o Exército de Libertação Nacional (ELN), o Cartel de Sinaloa, os Zetas e o Tren de Aragua. Todos esses grupos são classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras.
Segundo a denúncia, a Venezuela teria se tornado um corredor estratégico do tráfico a partir de 1999, usando portos no Caribe, pistas clandestinas e aeroportos comerciais para enviar cocaína à América Central, ao México e, posteriormente, aos Estados Unidos. O Departamento de Estado estima que, por volta de 2020, entre 200 e 250 toneladas de cocaína passavam anualmente pelo território venezuelano.
Acusações detalhadas
O documento descreve dezenas de episódios específicos, incluindo:
- Uso de passaportes diplomáticos venezuelanos para proteger traficantes;
- Envio de drogas em aviões oficiais e comerciais;
- Pagamento de subornos milionários a autoridades civis e militares;
- Uso de milícias armadas e grupos paramilitares para proteger carregamentos;
- Emprego de metralhadoras, granadas e explosivos em apoio às operações criminosas.
Em um dos casos citados, mais de 5,5 toneladas de cocaína teriam sido enviadas em um jato DC-9 da Venezuela ao México. Em outro episódio, autoridades francesas apreenderam 1,3 tonelada de cocaína em um voo comercial que partiu de Caracas rumo a Paris.
Crimes imputados
A Procuradoria acusa os réus de:
- Conspiração para narcoterrorismo;
- Conspiração para importação de cocaína em larga escala;
- Posse e uso de metralhadoras e artefatos explosivos;
- Conspiração armada associada ao tráfico internacional de drogas.
As acusações abrangem o período de 1999 a 2025 e preveem penas severas, além da perda de bens e ativos obtidos com o esquema criminoso. A Justiça dos EUA também pede o confisco de propriedades, recursos financeiros e armamentos ligados às operações.
Repercussão internacional
O documento reforça a posição do governo norte-americano de que o regime venezuelano operou como um narcoestado, sustentado por alianças com grupos armados e pelo uso sistemático da corrupção. As autoridades americanas afirmam que a denúncia sustenta juridicamente as ações recentes contra Maduro e amplia a pressão internacional sobre figuras centrais do chavismo.
Até o momento, o governo venezuelano não se manifestou oficialmente sobre o teor detalhado da acusação.
Veja as acusações na íntegra (em inglês):
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AMBAR
3 de janeiro de 2026 6:57 pmA “justiça” americana se esqueceu de acusar o Maduro de outros crimes importantes, a saber: o assassinato de John Kennedy, o ataque às torres gêmeas, a crise de econômica de 2008, o escândalo da ENRON entre outros, que já prescreveram. Se é pra acusar, vamos acusar direito né?
Por outro lado, a nossa PF que fique de molho, porque a coca do avião do bolsonaro foi para “consumo próprio”, mas as apreensões feitas pela polícia federal nas nossas rodovias, portos e aeroportos podem significar uma grave conspiração contra o governo americano (além de prejuizo para os traficantes, naturalmente – será uma coincidência?).
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
6 de janeiro de 2026 8:07 amQuando os americanos descobrierem que trumpfenil é a droga que vai destruir a saúde deles, aí vai ser tarde demais.