A decisão do governo norte-americano em prender o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, é um retrato dos delírios de poder, do personalismo e da lógica de autopromoção que marcam a atuação de Donald Trump, segundo o economista e vencedor do Nobel de Economia Paul Krugman.
Em artigo publicado em seu mailing, o economista afirma que a operação guarda “semelhanças simbólicas” com a invasão do Iraque em 2003, principalmente “no uso de narrativas enganosas e na crença infundada de que ações de força seriam recebidas como libertação”.
No entanto, o episódio venezuelano se diferencia por não ter como objetivo central a mudança de regime ou a restauração da democracia no país sul-americano.
Krugman lembra que Trump sinalizou disposição para negociar com Delcy Rodríguez, vice-presidente do governo, e chegou a declarar que já estaria “governando” o país – uma leitura vista como equivocada, pois horas depois a cúpula chavista reafirmou que Maduro seguia no poder e denunciou a ação dos Estados Unidos.
Para Krugman, o erro de avaliação decorre de um ambiente político marcado pela adulação e pela ausência de contrapontos críticos.
Cercado por aliados que reforçam sua visão distorcida da realidade, Trump teria passado a acreditar na própria narrativa de líder absoluto e negociador infalível — o que também explicaria a crença de que a Venezuela representaria um grande prêmio econômico, especialmente por suas reservas de petróleo.
O economista, no entanto, lembra que o setor petrolífero venezuelano enfrenta infraestrutura degradada, alto custo de recuperação e forte instabilidade política – e grande parte do petróleo do país é classificada como extra pesado, o que torna sua exploração mais cara e ambientalmente mais poluente, afastando o interesse das grandes petroleiras.
A análise aponta ainda motivações de natureza simbólica e doméstica, seja para alimentar o ego presidencial como para jogar uma cortina de fumaça em torno dos arquivos de Jeffrey Epstein.
Segundo Krugman, a ação “reforça a imagem de um país guiado por impulsos pessoais e decisões erráticas, tornando-se menos confiável e politicamente mais frágil no cenário internacional”.
Jacob Binsztok
5 de janeiro de 2026 6:46 pmDevagar Krugman, o extra pesado da Venezuela possui custos menores que o shale. Não estão afim de modernizar nada na Venezuela.