10 de junho de 2026

Quem é e o que pensa o “príncipe” eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores

Descendente da família imperial e cotado para vice de Bolsonaro, Orleans e Bragança assume CREDN criticando política externa de Lula.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança foi eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara.
Em 2018, Bolsonaro considerou Bragança para vice, mas desistiu após receber dossiê com fotos do deputado.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Luiz Philippe de Orleans e Bragança. O sobrenome não é coincidência. O deputado federal pelo PL-SP, descendente da família imperial brasileira, foi eleito nesta terça-feira, 3, presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados.

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Vice de Bolsonaro

Em 2018, o ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a considerar Orleans e Bragança, que se autointitula “príncipe” em alusão à sua descendência de Dom Pedro II, como seu candidato a vice na chapa presidencial. A dobradinha militar-monarca, no entanto, não se concretizou. Segundo o próprio deputado, Bolsonaro recebeu um “dossiê” com fotos comprometedoras de Bragança em situação íntima. O deputado posteriormente confirmou a existência do dossiê, mas afirmou que o próprio presidente teria admitido se tratar de uma “armação” para evitar sua escolha.

Defesa da soberania nacional

Em seu discurso de posse, Luiz Philippe alegou que o Brasil vive um processo evidente de perda de relevância estratégica no cenário internacional. Segundo ele, a causa disso é o abandono dos interesses nacionais permanentes. “A política externa brasileira deixou de servir ao Estado e passou a refletir agendas ideológicas. O resultado é claro: o Brasil não é ouvido, não é consultado e não influencia decisões relevantes. Isso não é neutralidade. É irrelevância”, advertiu.

O contraste com os dados econômicos e diplomáticos

A realidade, contudo, fica um pouco distante do que Orleans e Bragança, formado em ciência política, diagnostica. Em 2025, o Brasil bateu recorde histórico de exportações, alcançando US$ 348,7 bilhões, com vendas ampliadas para 53,3% de seus parceiros comerciais e mais de 40 países registrando recordes de compras de produtos brasileiros, incluindo Canadá, Índia, Turquia, Paraguai e Noruega.

O agronegócio brasileiro abriu 525 novos mercados desde 2023, gerando aproximadamente US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais. Em dezembro de 2024, o Mercosul e a União Europeia concluíram as negociações do acordo de parceria entre os blocos, com mecanismo inédito de reequilíbrio de concessões para proteger exportadores brasileiros.

Na relação com a China, principal parceiro comercial do país, o Brasil assinou acordos para ampliar cooperação econômica, logística e tecnológica em áreas como inteligência artificial, satélites, energias renováveis e indústria farmacêutica, com as exportações para a China crescendo 6% e atingindo US$ 100 bilhões em 2025.

No âmbito do BRICS, sob presidência brasileira em 2024, o país liderou iniciativas para reduzir custos de operações comerciais entre os membros por meio de moedas locais, com o banco do bloco destinando 30% dos empréstimos a moedas alternativas ao dólar.

Em janeiro de 2026, Donald Trump convidou Lula para integrar o “Conselho da Paz em Gaza”, órgão idealizado pelo presidente americano. Além disso, em dezembro de 2025, após pedido direto de Lula a Trump, os Estados Unidos retiraram as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, enquanto mantiveram as restrições contra autoridades de outros países.

Em novembro de 2025, após negociação direta entre Lula e Trump, o Brasil conseguiu a retirada das tarifas adicionais de 40% sobre 37,1% de suas exportações (US$ 15,7 bilhões). Enquanto isso, países como China, Canadá e México seguem sob tarifas de 10% a 25% sem perspectiva de alívio. 

Críticas às cassações de parlamentares do PL

O mesmo deputado criticou a cassação dos mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, caracterizando-as como abuso jurídico.

Em Setembro de 2025, o PT enviou uma representação ao Conselho de Ética da Câmara em que acusa o deputado de atuar nos Estados Unidos para articular sanções econômicas, tarifárias e aplicação da Lei Magnitsky contra ministros do STF e autoridades brasileiras, com o objetivo de interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, pelo STF.

Eduardo Bolsonaro, que já foi cotado para presidir a mesma comissão, foi cassado por estar fora do Brasil e faltar a mais de um terço das sessões deliberativas da Câmara, com ausência superior a 80% das sessões. Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e está foragido nos Estados Unidos. Ambos são do mesmo partido de Bragança, o PL.

A bandeira americana no 7 de Setembro

No dia 7 de setembro de 2025, durante manifestações pró-Bolsonaro na Avenida Paulista, uma imagem rodou o mundo em tom de deboche: uma bandeira dos Estados Unidos foi estendida entre os “patriotas”. A posse da bandeira foi reivindicada por Patrick Folena, que exerceu a função de secretário parlamentar no gabinete de Orleans e Bragança entre fevereiro de 2024 e março de 2025.

No âmbito internacional, o jornal The New York Times caracterizou a bandeira americana como um novo símbolo da direita no Brasil, destacando que o gesto foi uma mensagem de agradecimento a Donald Trump por tentar intervir no caso de Jair Bolsonaro.

Formação e trajetória

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é formado em Administração pela FAAP/SP e mestre em Ciência Política pela Universidade Stanford. Atuou no banco JP Morgan, em Londres, e na Lázard Frères, em Nova York. É fundador do movimento Acorda Brasil e autor de livros como “Por que o Brasil é um país atrasado” e “A Libertadora – Uma Nova Constituição para o Brasil”.

A importância da Comissão de Relações Exteriores

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) é uma das comissões permanentes mais estratégicas da Câmara dos Deputados. Compete a ela examinar todas as proposições legislativas relacionadas à política externa brasileira, tratados internacionais, defesa nacional, forças armadas e segurança pública. A CREDN também fiscaliza os atos do governo federal nessas áreas e pode convocar autoridades, como ministros de Estado, para prestar esclarecimentos. Sua composição e presidência refletem diretamente as prioridades da política externa do país e o alinhamento ideológico do Congresso Nacional em temas de soberania e relações internacionais.

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Icaro Brum

Repórter no Jornal GGN, produtor e apresentador do Programa “Em Movimento” na TV GGN.

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2 Comentários
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  1. Carlos

    4 de fevereiro de 2026 12:47 pm

    Prezados a premissa é simples: É do PL? Então é um inútil.

  2. Rui Ribeiro

    5 de fevereiro de 2026 1:44 pm

    O Princeso Isabelo

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