A Polícia Federal investiga a estratégia de aquisição “pulverizada” de ações do Banco de Brasília (BRB) por João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos. Documentos enviados ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), obtidos a partir de auditorias externas, revelam que Mansur utilizou uma rede de fundos e estruturas intermediárias para consolidar uma fatia de 4,5% na instituição estatal, o que teria dificultado a identificação do real beneficiário. As informações são do Metrópoles.
O movimento, detalhado em ofício de abril de 2025, mostra que Mansur adquiriu mais de 22 milhões de recibos de ações ordinárias e preferenciais por R$ 193,2 milhões. A transação ocorreu por meio do fundo Celeno, administrado pela Master Corretora, que por sua vez havia recebido os papéis do FIP Borneo, gerido pela Reag Trust.
Estrutura sob suspeita
O foco dos investigadores é o modelo de compra. A PF apura por que as aquisições não foram feitas de forma direta e transparente. A suspeita é de que o uso de múltiplas camadas societárias serviu para encobrir a entrada de Mansur e de outros empresários ligados ao Banco Maste, como Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado, no quadro de acionistas da estatal.
A descoberta dessas participações só veio à tona após a nova diretoria do BRB, sob o comando de Nelson Antônio de Souza, contratar uma investigação independente junto ao escritório Machado Meyer e à consultoria Kroll. Os resultados dessa auditoria foram compartilhados com o Supremo Tribunal Federal (STF) e com a Polícia Federal no início de fevereiro de 2026.
Conexão Faria Lima e crime organizado
João Carlos Mansur é um dos alvos centrais das operações Compliance Zero e Carbono Oculto. Na primeira, a PF investiga fraudes bilionárias e a venda de R$ 12 bilhões em “papéis podres” (ativos sem lastro) do Banco Master para o BRB. Na segunda, a Reag é citada em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 23 bilhões para o crime organizado.
Em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Trust por “graves infrações às normas do sistema financeiro“. A autoridade monetária aponta que a gestora de Mansur atuava para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master por meio de uma “ciranda financeira” entre fundos.
Resposta institucional
Em nota, o BRB afirmou que está adotando medidas administrativas e judiciais para recuperar ativos e ressarcir prejuízos causados pelos agentes investigados. O banco confirmou que atualizou seu formulário de referência na CVM para refletir a real composição acionária descoberta pela auditoria.
A defesa de João Carlos Mansur não se manifestou sobre as novas investigações. Em ocasiões anteriores, o empresário negou irregularidades e afirmou que suas movimentações seguiram as regras de mercado.
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