4 de junho de 2026

Jabbour critica Folha por reportagem sobre jornada e fala em “liberdade de imprensa para os ricos”

Economista afirma que manchete introduz “juízo moral” e ignora tendência global de redução do tempo de trabalho
Crédito: Fundação Maurício Grabois

O economista Elias Jabbour criticou duramente, em suas redes sociais, a reportagem publicada pela Folha de S.Paulo que afirma que o brasileiro trabalha menos do que a média mundial. Para ele, o texto não apenas apresenta problemas metodológicos, como cumpre um papel político em meio ao avanço do debate sobre a redução da jornada e o fim da escala 6×1.

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A discussão sobre o fim da escala 6×1 entrou formalmente no Congresso, onde aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para tramitar.

Foi nesse contexto que o jornal destacou uma manchete segundo a qual o brasileiro trabalha menos que a média global e afirmou que o trabalhador do país não pode ser considerado “particularmente esforçado”.

Embora tenha evitado entrar nos detalhes técnicos do ranking citado pelo jornal, o economista questionou a comparação internacional. “É muito complicado colocar de um lado a Noruega, de outro um país ultra pobre da África ou da América Latina e exprimir uma média mundial. Isso é um desserviço à ciência”.

Para ele, mais relevante que a métrica é o momento da publicação. “Para que serve uma matéria dessa, com esse conteúdo, justamente quando a classe trabalhadora está exigindo descanso?”, questionou.

Juízo moral

Na avaliação de Jabbour, ao sugerir que o trabalhador brasileiro não é “particularmente esforçado”, a reportagem desloca o foco da discussão estrutural para um julgamento moral.

“O que mais incomoda não é apenas a insensibilidade. É não se colocar diante de uma realidade em que o mundo caminha para jornadas menores. Essa é uma tendência mundial hoje”, afirmou.

Segundo ele, países capitalistas centrais avançam na redução da jornada, ainda que convivendo com precarização — aspecto que não aparece na matéria.

O economista também criticou a resistência de setores empresariais ao fim da escala 6×1. “Pessoas trabalhando menos, com o mesmo salário, significa consumir mais. Significa até mais lucro para os capitalistas. Qualquer pessoa que pense estrategicamente entende isso”.

Liberdade de imprensa para os ricos

Jabbour ampliou a crítica para o papel da grande mídia no debate público. “Ela exprime muito bem aquilo que Lênin chamava de liberdade de imprensa para os ricos. Quem detém os meios de produção da comunicação é um punhado de famílias. A Folha é uma delas”, declarou.

Ainda, a análise da Folha expõe a dificuldade de parte do grande capital brasileiro em lidar com mudanças na organização do trabalho. “A burguesia brasileira pode ser dinâmica economicamente, mas é burra politicamente, até contra os próprios interesses imediatos”.

A controvérsia ocorre num momento em que o país discute não apenas números de horas trabalhadas, mas o próprio modelo de desenvolvimento, produtividade e qualidade de vida, temas que devem ganhar centralidade conforme a proposta de redução da jornada avance no Congresso.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Trabalhador

    3 de março de 2026 8:28 am

    Como escreveu um comentarista aqui no GGN, no Brasil a classe dominante despreza a classe trabalhadora. Como exemplo da capacidade de traballo e até do civismo, presente entre nossos trabalhadores, eu proponho um video que encontrei no YouTube com o título: Catadora de BH e a Copa no Brasil —- (2014, Belo Horizonte, entrevistador na rua) : “Sobre essa questão da Copa no Brasil … ” —— “Estou com 54 anos e vi diversos países do mundo sediar o que é nosso porque nós somos os donos dessa bola […] eu ficava pensando no dia que o brasileiro ver que é capaz de uma festa maior naquilo que já acontece todos os dias nos nossos gramados, né ? […] estou vendo o Mineirão pela primeira vez, estou encantada […] a Africa (do Sul), país com tantas dificuldades sediou a Copa, nós, com todos os problemas, também podemos porque problema não é só no Brasil e somos mais ricos que aquele país africano […] e esse dia enfim chegou […] tempos muitos problemas mas fazer desordem, bagunça é questão de educação; não quero saber se está na faculdade, se está na escola : pintou a cara, destruiu o patrimônio, cuspiu no chão é porque não tem educação” — (Entrevistador) : Voce também está partecipando com o seu trabalho; qual é o seu trabalho ? — “Eu sou catadora de material reciclável, estou partecipando com o meu trabalho e como cidadã também, estou prestigiando essa grande festa, com grande número de pessoas vindo à nosso casa. O certo é abrir as portas e receder nossos visitantes muito bem e com educação”. ——— O mundo inteiro testemunhou em tempo real, a vulgaridade ultrajante da burguesia gritando grave ofensa tanto à mandatária quanto à cidadã Dilma Rousseff, envergonhando milhões de brasileiras e brasileiros. O artigo do Falha de São Paulo desclassificando nossos trabalhadores espella essa elite, parasitária, delinquente, que veste verde e amarelo sem qualquer projeto de nação e nenhum compromisso com o povo brasileiro.

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