Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 2:11 amO fusca, a surra e o fascismo
http://revistaforum.com.br/blog/2014/01/o-fusca-a-surra-e-o-fascismo/
O “black blocks” são fascistas? Mas e os policiais que encurralaram os manifestantes dentro de um hotel em São Paulo? São representantes do que?
Por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador
Há um exagero evidente quando se afirma que os tais “black blocks” são um agrupamento “fascista”. Fascismo, meus amigos, é outra coisa. Fascismo requer um líder autoritário, que fale em nome da pátria, com um discurso unificador. Os “black blocks” não possuem esse discurso, e aparentemente não há líderes a unificar a ação.
Prefiro ver os “black blocks” de outa forma: são um sintoma de que algo não vai bem na sociedade brasileira. Assim como os rolezinhos nos shopping centers. São dois fenômenos muito diferentes, mas os dois indicam que o sistema político brasileiro vive um impasse e precisa ser reformado. Doze anos de lulismo criaram um novo Brasil (na economia e no consumo). E esse novo país não se reflete na institucionalidade política – carcomida pelo peemedebismo e pelo autoritarismo secular. Os curto-circuitos começam a surgir.
O “black blocks” são fascistas? Mas e os policiais que encurralaram os manifestantes dentro de um hotel em São Paulo? São representantes do que?
É preciso compreender que os rapazes de preto são apenas parte dessa turma que foi pras ruas em 2013 e que agora deu início à temporada de protestos versão 2014 (Facebook Mídia Ninja)
Além do mais, é preciso compreender que os rapazes de preto são apenas parte (a mais barulhenta, talvez) dessa turma que foi pras ruas em 2013 e que agora deu início à temporada de protestos versão 2014: também há o pessoal do PSOL, do PSTU, sem falar na classe média “apartidária” (mas que de apartidária não tem nada) – sobre o tema, confira o excelente texto do professor Wagner Iglecias.
Ainda não surgiu uma liderança construtiva que consiga canalizar essa energia das ruas. Qual o programa dessa turma? Se for apenas o “fora PT!”, esperemos a resposta nas urnas de outubro. Mas parece-me que há mais do que isso. Dilma fez a a leitura correta em junho de 2013: propôs a Reforma Política. Bloqueada pelos conservadores do PMDB, preferiu recuar.
O sistema político brasileiro precisa ser reformado. Mas não será alterado por esse movimento amorfo, sem programa, e que parece ser antes um sintoma de mal-estar social do que uma força política efetiva. O incêndio de um fusquinha em meio às manifestações no dia do aniversário de São Paulo virou símbolo dos impasses desse movimento. O objetivo dos rapazes de preto seria atacar a “ordem”. Ok. Mas a vítima acabou sendo um trabalhador que seguia com a família no fusca. Patético para quem olha de longe. Trágico para o dono do fusquinha.
Não acho que fazemos bem em “demonizar” os jovens vestidos de preto. Antes de gritar “bando de vagabundos”, “baderneiros” (sou de uma geração que sente arrepios ao ver gente de esquerda chamando manifestante de “baderneiro”; isso é vocabulário de milico reacionário), deveríamos prestar atenção a esse recado. No pós-ditadura, o sistema político foi capaz – sim – de incorporar novas forças que surgiram: trabalhadores organizados no campo e nas cidade encontraram caminhos (CUT, MST, sindicatos, partidos etc) para – dentro da ordem institucional democrática – construírem instrumentos de luta, reivindicação e poder.
Os “black blocks” – e essa é apenas uma hipótese – seriam o sintoma de que o sistema político chegou próximo da exaustão. Pior: perdidos, sem bandeiras a não ser a violência, os tais jovens de preto liberam energias regressivas da sociedade. E são claramente instrumentalizados pela extrema-direita, que gostaria de ver o “lulo-petismo” longe do poder.
Neste fim-de-semana, um desses jovens de preto (aparentemente, ele carregava na mochila objetos que seriam usados em atos de violência) provou do veneno: foi surrado no centro de São Paulo por outros jovens da periferia que tinham ido à Praça da República para assistir a um show. O jovem “black block”, ironia das ironias, foi salvo do linchamento por outros homens de preto: os seguranças do show, representantes da “ordem”, impediram o linchamento.
O fusca queimado, a surra… Se o mal-estar não se transformar num programa, esse movimento corre o risco de se esgotar. Pior: terá apenas ajudado os setores da extrema-direita que pedem cada vez mais “borrachada” e “ordem” a qualquer custo. Nesse caso, os “black blocks” (que não são propriamente fascistas) teriam dado uma grande contribuição para a construção de uma agenda (aí sim) efetivamente fascista.
Nada está decidido. Quero crer que as forças da reforma vão ganhar essa disputa.
alfeu
29 de janeiro de 2014 2:21 amAgência Câmara de
Agência Câmara de Notícias
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/461093-ENTIDADES-PROTESTAM-CONTRA-PROJETOS-QUE-ALTERAM-CONCEITO-DE-TRABALHO-ESCRAVO.html
Entidades protestam contra projetos que alteram conceito de trabalho escravo
Reprodução Tv Câmara
As condições degradantes da atividade definem o trabalho escravo.
Durante esta semana e até a próxima segunda-feira (3/2), entidades protestam contra projetos de lei que propõem a alteração do conceito de trabalho escravo. A campanha faz parte das atividades da Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
A iniciativa é da organização não governamental (ONG) Repórter Brasil, da Comissão Pastoral da Terra e de outras organizações de todo o País.
Eles pedem a aprovação no Senado da proposta de emenda à Constituição, aprovada pela Câmara em 2012, que permite o confisco de propriedades rurais e prédios onde a fiscalização encontrar a exploração do trabalho escravo (na Câmara – PEC 438/01 e, no Senado – PEC 57/99). Os imóveis expropriados seriam destinados à reforma agrária ou a programas de habitação.
Dignidade e jornada exaustiva
O diretor da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, lamenta que a proposta não tenha avançado. Ele critica ainda tentativas de parlamentares ligados ao agronegócio de modificar a legislação que define o que é trabalho escravo.
As propostas, segundo Sakamoto, enfraquecem o conceito de trabalho escravo modificando dois aspectos. “Tem uma parte ligada à dignidade do trabalhador que diz respeito a condições degradantes de trabalho. São condições que colocam em risco a saúde, a vida e a dignidade do trabalhador. Tenda no meio do mato, trabalhador que come comida estragada, que é obrigado a trabalhar nessas condições…”, explica Sakamoto.
Outra condição é a jornada exaustiva. “Jornada exaustiva não é a quantidade de horas trabalhadas, é um erro achar que é isso, mas é a intensidade da exploração. A pessoa pode trabalhar por sete ou oito horas por dia e ser configurada jornada exaustiva se ele está trabalhando tanto que a saúde e a vida dela estão em risco”, explica Sakamoto.
Definição no Código Penal
O Código Penal (Decreto-lei 2848/40) já define como trabalho escravo reduzir uma pessoa à condição semelhante à de escravo, obrigando-a a trabalhos forçados ou a uma jornada exaustiva.
O Código também considera uma situação análoga à escravidão sujeitar um trabalhador a condições degradantes de trabalho ou limitar a liberdade de ir e vir do trabalhador por causa de uma dívida contraída com o empregador ou com o aliciador de trabalhadores.
Ameaça e violência
Arquivo/ Leonardo Prado
Moreira Mendes: atual redação do Código Penal dá margem a muitas interpretações.
O deputado Moreira Mendes (PSD-RO) é autor de projeto que modifica o conceito de trabalho escravo (PL 3842/12). Entre outros pontos, o texto retira os termos “jornada exaustiva” e “condições degradantes de trabalho”‘ do Código Penal e inclui a necessidade de ameaça, coação e violência para ser caracterizado o trabalho escravo.
Moreira Mendes afirma que a atual redação do Código Penal dá margem a muitas interpretações. “Essa é uma coisa que não pode ficar ao arbítrio da autoridade que eventualmente estiver exercendo o seu poder de polícia ou de fiscalização”, argumenta o parlamentar.
“Eu tenho convicção de que teremos que tirar do artigo 149 (do Código Penal) as expressões ‘jornada exaustiva’ e ‘trabalho degradante’, porque é uma coisa muito ampla”, defende Mendes. “O fiscal pode dizer que tomar água num copo que não seja descartável, como já têm casos, pode ser considerado trabalho degradante e, consequentemente, trabalho escravo. Esse tipo de abuso é que nós não podemos permitir.”
Assassinato de auditores do trabalho
Um ato na Praça dos Três Poderes, em Brasília, organizado nesta terça, marcou os dez anos do assassinato de auditores fiscais que identificaram trabalho escravo em Unaí, Minas Gerais, cidade a poucos quilômetros da capital. Cinco acusados do crime ainda nem foram julgados. O dia nacional de combate ao trabalho escravo é uma homenagem aos servidores assassinados.
Rosa Maria Campos Jorge, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, reclama do quantitativo de servidores insuficiente para dar conta de toda fiscalização do cumprimento das normas trabalhistas, de segurança e de saúde, além do combate ao trabalho escravo e ao trabalho infantil.
Entre as dificuldades apontadas pela auditora, está a falta de acompanhamento policial nas fiscalizações, muitas vezes em ambientes hostis com a presença de guardas armados.
Íntegra da proposta:
PL-3842/2012
Reportagem – Geórgia Moraes
Edição – Newton Araújo
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 3:26 amDos rolezinhos LGBT em Madureira, há 15 anos atrás
http://blogs.odia.ig.com.br/lgbt/2014/01/23/gays-em-rolezinho-eram-tratados-como-bandidos-conta-transexual/
Gays em rolezinho no Rio eram tratados “como bandidos”, afirma transexual
A história da primeira grande reunião gay em shopping da cidade
“Há dez anos eram cerca de mil, mil e quinhentos LGBTs”. A empresária transexual Loren Alexander lembra do período que o quarto andar do Madureira Shopping, na zona norte da cidade, se transformou no principal reduto gay do subúrbio carioca. “No auge daqueles encontros vinha gente do Rio todo para conhecer novas pessoas, fazer amizades”, contou.
Os encontros de homossexuais, travestis e transexuais no centro comercial começaram espontaneamente há 15 anos, segundo a empresária moradora há 39 anos do bairro que dá nome ao estabelecimento. “Madureira sempre foi muito frequentada por homossexuais e com o surgimento do shopping, muitos jovens começaram a marcar de se encontrar lá”. A popularização do acesso á internet foi outro fator que ela acredita ter sido fundamental para o crescimento da frequência no estabelecimento. “Eles teclavam nos chats e marcavam de se encontrar com os amigos, ou conhecer novas pessoas. O shopping virou uma grande referência”.
A internet e o boca-boca fez o “andar gay” do Madureira ficar conhecido rapidamente. Vinha gente da zona norte, oeste, Baixada Fluminense . O rolezinho gay carioca, no entanto, era diferente do visto hoje nos grandes conglomerados comerciais paulistas. Não havia correria ou cantoria nos corredores. Eram grandes confraternizações de amigos e oportunidade para “pegar alguém”.
“O rolezinho dentro do shopping nos dava mais segurança, era uma coisa bonita. Como era num espaço privado, as pessoas se sentiam mais seguras, ficavam à vontade. Os gays juntos se sentiam mais fortes, protegidos. É a importância da multidão pra liberdade de expressão.”, definiu.
“Os encontros serviram para grandes discussões de cidadania. A ideia da Parada LGBT de Madureira nasceu em um desses encontros (a edição de 2013 reuniu 150 mil pessoas). Muitas ações de cidadania voltadas para o público da zona norte nasceram nesses rolezinhos”, contou Loren, que segue na organização da parada do bairro e é presidente do MGTT, Movimento de Gays, travestis e Transformistas.
Frequentador do rolezinho gay, o publicitário Fernando Pereira, 34, destaca a liberdade encontrada no shopping para “ser quem é”. “Quando eu comecei a frequentar os encontros no Madureira eu ainda estava começando a assumir minha sexualidade até para mim mesmo. O fato de ter ido a um lugar que eu encontrava pessoas que tinham a mesma cabeça que a minha foi libertador. Foi um período muito rico da minha juventude. Fiz amizades que duram até hoje”.
“Era uma diversidade muito grande. Ali você via as múltiplas caras da homossexualidade. Numa mesa ficavam os roqueiros, numa outra o pessoal que curtia RPG, os nerds, os adolescentes que saíam da escola direto para lá ainda de uniforme. Para quem como eu só recebia a informação vinda da televisão daquele gay estereotipado, foi um encontro comigo mesmo fundamental para passar a me sentir pertencente a este mundo”, completou Pereira.
Uma funcionária de uma loja localizada no Madureira Shopping, entretanto, não tem boas recordações das tardes e noites de quarta-feira. “Era um pandemônio. Sempre saía confusão, as meninas se batiam, brigavam por causa da namorada uma da outra. A gente ficava sabendo de coisas horríveis, sexo na escada de emergência, nos banheiros. Eu nunca vi, ainda bem. O que eu via é que eles não tinham limites, uma agarração e ainda debochavam da gente”, disse a mulher, que pediu para não ser identificada.
O publicitário admite que, “vez ou outra acontecia alguma confusão”. “Cara, eram 800 pessoas espremidas num único andar. Aquilo era como a praia de um gay suburbano. Quem nunca testemunhou uma confusão entre heterossexuais numa praia? Qualquer lugar onde junta muita gente pode acontecer isso. Eu acho que a grande culpa é da sociedade que por não nos aceitar nos impõe um comportamento de manada, a ficar em grupo para se sentir seguro”, argumentou.
Entretanto, segundo Loren Alexander, os principais problemas partiam dos comerciantes que agiam homofobicamente contra os LGBTs. “Eles chamavam os seguranças para impedir qualquer manifestação de afeto, até mesmo um beijo na bochecha era motivo para acionar os funcionários. Nós éramos vigiados como se fôssemos bandidos”, disse ela.
Loren afirma que as travestis eram impedidas de usar os banheiro femininos. Para acabar com a discriminação, ela passou a acionar a polícia sempre que algum problema acontecia. “Os seguranças não deixavam as travestis usar o banheiro. A gente foi acumulando uma série de reclamações até que a única solução foi chamar a polícia. Os policiais do 9ª BPM (Rocha Miranda) sempre nos trataram muito bem. O caso ia para a delegacia e não dava em nada, morria ali. Porque nós estávamos apenas lutando por nosso direitos, isso não é crime”.
Cinco anos depois, o shopping acabou ficando pequeno para os encontros gays. Os rolezinhos já não ficavam mais restritos ao quarto andar, as confraternizações aconteciam em todo os andares. A fata de espaço e o aumento da repressão da administração acabaram mudando os encontros gays de endereço. Os homossexuais e transexuais foram procurando um novo reduto no mesmo bairro no final da década passada.
E o escolhido foi uma rua escura, com pouco movimento de pedestres: a travessa Almerinda Freitas, não muito distante do Madureira Shopping. O local, antes deserto, chegava a receber duas mil pessoas em meados da década passada. Hoje, o movimento gira em torno de 600 pessoas nas noites de quarta-feira. Mesmo com a redução, ainda assim é o maior point gay ao ar livre do subúrbio carioca.
Loren hoje ressalta que o shopping, sem os rolezinhos, age em parceria com o movimento LGBT do bairro. “Eles divulgam a Parada LGBT, nos dão apoio. É bem diferente daquela época”, realçou. A reportagem do BLOG LGBT procurou o Madureira Shopping. O estabelecimento informou que a administração atual não é a mesma de 15 anos atrás, portanto, prefere não se posicionar sobre o ocorrido naquele período.
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 3:33 amConselho Estadual LGBT da Bahia é aprovado
http://www.guiagaysalvador.com.br/5/n–religiosos-mostram-fraqueza-e-conselho-estadual-lgbt-da-bahia-e-aprovado–28-01-2014–160.htm
Religiosos homofóbicos mostram fraqueza e Conselho Estadual LGBT da Bahia é aprovado
Data histórica para a cidadania. A Assembleia Legislativa da Bahia aprovou a criação do Conselho Estadual LGBT. A sessão ocorreu na terça-feira 28 de janeiro.
A aprovação mostra o quão fraca é a bancada religiosa na casa legislativa. Na semana anterior, os deputados estaduais Sargento Isidório, do homofóbio PSC, que chegou a propor um Conselho Heterossexual, e Sildevan Nóbrega (PRB) conseguiram adiar a apreciação da matéria e classificaram o projeto como absurdo. Chegaram a falar de uma “ditadura gay”.
Hoje, apenas os dois e o deputado José de Arimatéia (também do PRB), pastor, votaram contra a criação. Pelas redes sociais, ativistas comemoraram e agradeceram os votos dos demais parlamentares.
O trabalho pela aprovação for reforçado logo pela manhã, quando integrantes do Fórum LGBT Baiano encontraram-se com o líder do governo, Zé Neto (PT), e falaram da importância do conselho. Marcelo Cerqueira, do GGB, disse ter conversado com vários parlamentares. “Explicamos a eles a necessidade dessa ação e o apoio foi majoritário.”
Agora, a proposta vai a sanção do governador, que será dada, afirmam os ativistas. O conselho está previsto para funcionar dentro da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos.
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 4:48 amMarina aceita ser vice de Eduardo Campos
http://blogdokennedy.com.br/marina-aceita-ser-vice-de-eduardo-campos/
Ex-senadora avalia que governador tem cumprido promessas feitas a ela
A ex-senadora Marina Silva aceitou ser candidata a vice-presidente da República na chapa que será encabeçada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
Marina reconhece o esforço de Campos para cumprir os compromissos que asssumiu com ela. Os dois principais são: apresentar um programa de governo que leve em conta o ideário da Rede e lançar candidatos próprios a governador em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.
Nas palavras de quem acompanhou a negociação entre Marina e Campos, o governador de Pernambuco está fazendo “uma correção de rota” no PSB desde o último dia 5 de outubro, quando a ex-senadora aceitou entrar no seu partido.
Campos, por exemplo, reviu compromissos políticos para alianças em alguns Estados a fim de atender propostas de Marina. Também recalibrou sua relação com defensores mais tradicionais do agronegócio.
Nas palavras de Marina, Campos tem sido leal e, aos poucos, vem fazendo inflexões no PSB a fim de adequar seu discurso e seu programa ao figurino da Rede. Ela entende que isso leva tempo e que Campos tem caminhado para contemplar suas ideias.
A ex-senadora considera que, atendidos esses critérios, ela deve ser vice, como já pediu Campos. Pesquisas do PSB mostram que a apresentação ao entrevistado de uma chapa Campos-Marina melhora a intenção de voto do governador de Pernambuco.
Ao aceitar ser vice de Campos, Marina disse que ele poderia efetuar até uma troca na chapa ao longo dos próximos meses caso encontre um nome que possa agregar maior apoio político.
Campos avalia que Marina é a opção que mais fortalece o projeto presidencial do PSB. Ela obteve quase 20 milhões de votos na eleição presidencial de 2010. O PSB acredita que Marina pode impulsionar o partido a tomar o lugar do PSDB em eventual segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff.
Em São Paulo, o nome mais forte hoje para ser candidato a governador é o do advogado Pedro Dallari, filiado ao PSB. Há um empecilho. Ele é coordenador da Comissão Nacional da Verdade e teria de deixar esse posto. Menos cotado, o vereador Ricardo Young (PPS) é uma alternativa a Dallari.
No Rio de Janeiro, está bem encaminhada a negociação para que o deputado federal Miro Teixeira (Pros) seja candidato em aliança com o PSB.
Em Minas, a situação é mais complicada, porque PSB e PSDB possuem uma sólida união política. O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), tem dificuldade de ser candidato contra os tucanos.
O momento do anúncio de Marina como vice de Campos está em estudo. Há possibilidade de acontecer na segunda quinzena de fevereiro ou no início de março, após o Carnaval.
Foto: José Cruz/ Agência Brasil
Almeida
29 de janeiro de 2014 9:51 amExpansão agrícola pode destruir área do tamanho do Brasil.
Agência da ONU alerta que mais de 849 milhões de hectares de terras naturais serão degradados até 2050 se práticas mais sustentáveis não forem adotadas na agricultura. América Latina é uma das regiões sob maior risco.
Uma área quase do tamanho do Brasil de terrenos naturais corre o risco de ser degradada até 2050, caso práticas sustentáveis de uso da terra não sejam adotadas e a agricultura global continue se expandido na proporção dos últimos anos. O alerta é do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que destaca entre as regiões mais ameaçadas as florestas da América Latina, da Ásia e da África Subsaariana.
“O mundo nunca havia experimentado uma redução tão acentuada dos serviços e funções dos ecossistemas terrestres como nos últimos 50 anos. As florestas e zonas úmidas estão sendo convertidas em terrenos agrícolas para alimentar a crescente população”, afirma Achim Steiner, diretor executivo do Pnuma.
A expansão das fronteiras agrícolas é causada, por um lado, pelo aumento na demanda por alimentos e bicombustíveis, devido ao crescimento populacional, e, por outro lado, pela degradação do solo, ocasionado pela má gestão do campo. A perda de biodiversidade e a destruição ambiental generalizada já afetam 23% do solo mundial.
Produção de biocombustíveis impulsionou expansão agrícola
Sem uma mudança nas práticas agrícolas, mais de 849 milhões de hectares de terrenos naturais serão degradados até 2050, aponta o relatório do Pnuma divulgado na última sexta-feira (24/01).
“Ao reconhecer que a terra é um recurso finito, precisamos aumentar a nossa forma de produzir, oferecer e consumir os produtos obtidos a partir dela. Nós devemos ser capazes de definir e respeitar os limites dos quais o mundo pode funcionar com segurança para salvar milhões de hectares até 2050″, diz Steiner.
Tendência é a expansão
Atualmente a agricultura consome mais de 30% da superfície continental do planeta, e as terras cultivadas abrangem em torno de 10% do terreno mundial. Entre 1961 e 2007, a região de cultivo se expandiu em 11%. O relatório aponta a continuidade em ritmo acelerado dessa tendência de expansão.
Nos últimos 50 anos, a ampliação da fronteira agrícola ocorreu à custa de florestas tropicais. Enquanto houve um declínio da área plantada na União Europeia, especialmente em Itália e Espanha, Leste da Europa e América do Norte, ocorreu um aumento das terras cultivadas na América do Sul, principalmente em Brasil, Argentina e Paraguai, na África e na Ásia.
Desde a década de 1990, essas fronteiras estão sendo ampliadas para compensar as terras que estão se tornado improdutivas devido a práticas agrícolas não sustentáveis. A agência alerta que se o padrão de expansão desta década continuar, vai atingir principalmente as florestas da América Latina, da Ásia e da África Subsaariana.
Consumo sustentável é essencial para o meio ambiente
Alternativas sustentáveis
O relatório aponta que a área cultivada global para suprir a demanda poderia aumentar com segurança até no máximo 1,640 milhão de hectares. Mas adverte que se as condições atuais permanecerem, em 2050 a demanda vai ultrapassar esse espaço.
A agência sugere como medidas para aumentar a produtividade nas atuais regiões agrícolas melhorias na gestão do solo, o incentivo a práticas ecológicas e sociais de produção, o monitoramento do uso da terra, investimentos na recuperação de terras degradadas e a integração conhecimentos locais e científicos – além da redução nos subsídios de culturas destinadas à fabricação de combustíveis.
Além dos fatores agrícolas, a agência aponta o consumo excessivo como um dos aspectos que levou a essa expansão. O relatório reforça que políticas para reduzir esses níveis e fomentar o consumo sustentável são essenciais para reverter a situação.
Se o mundo incentivar a agricultura sustentável, além de reduzir o consumo e a expansão agrícola, cerca de 319 milhões de hectares podem ser salvos até 2050.
Matéria de Clarissa Neher, na Agência Deutsche Welle, DW, reproduzida pelo EcoDebate, 29/01/2014
Roberto São Paulo-SP 2014
29 de janeiro de 2014 9:54 amSafra recorde de Cana-de-Açúcar
—-Em relação ao etanol, o volume fabricado alcançou 25,37 bilhões de litros no acumulado do início da corrente safra até o final de dezembro, aumento de 19,20% sobre igual período de 2012. Deste montante, 11,02 bilhões de litros referem-se ao etanol anidro e 14,36 bilhões de litros ao etanol hidratado.—
Safra recorde: moagem atinge 594,10 milhões de toneladas até 1º de janeiro
União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA)—-IMPRENSA—14/01/2014
No acumulado desde o início da safra 2013/2014 até 1º de janeiro de 2014, a moagem das unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil alcançou o recorde histórico de 594,10 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Este volume é 11,82% maior comparativamente aquele observado no mesmo período da safra 2012/2013.
Em dezembro, a quantidade moída somou 23,99 milhões de toneladas (dos quais 18,05 milhões de toneladas processadas na primeira metade do mês e 5,94 milhões de toneladas na quinzena seguinte), crescimento de 15,79% sobre aquela verificada no mesmo mês de 2012.
Segundo o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, “a safra atual está praticamente concluída, já que poucas unidades permanecerão em atividade nas próximas quinzenas, com produção marginal.”
Nos últimos 15 dias de dezembro, 115 usinas registraram moagem, contra 70 computadas na mesma quinzena do ano anterior. Destas 115 unidades, 12 devem continuar em operação em janeiro.
Em relação à produtividade agrícola, esta totalizou 73 toneladas de cana-de-açúcar por hectare em dezembro, segundo dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). No acumulado desde o início da safra 2013/2014 até o final daquele mês, o rendimento médio do canavial colhido atingiu 79,80 toneladas por hectare, alta de 7,4% quando comparado a idêntico período de 2012. Este aumento percentual é praticamente igual ao apurado para o Estado de São Paulo, onde a produtividade agrícola acumulada alcançou 83,40 toneladas por hectare.
Qualidade da matéria-prima
No acumulado desde o início da atual safra até 1º de janeiro de 2014, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) somou 133,44 kg por tonelada de cana-de-açúcar, abaixo daquela registrada na mesma data do ano passado (135,66 kg de ATR por tonelada).
Já nos últimos 15 dias de dezembro, o teor de açúcares na planta totalizou 132,38 kg por tonelada, 7,07% superior comparativamente aquele verificado em igual quinzena de 2012.
Contudo este valor quinzenal deve ser analisado com muita cautela. Isso porque o cálculo deste indicador de ATR, chamado “ATR produto”, se dá a partir do volume de cana processada e das produções de etanol e de açúcar, tomando-se certas premissas relativas às perdas industriais e às eficiências de fermentação e de destilação. Diante desta metodologia de cálculo e considerando que várias unidades encerraram esta safra no decorrer da segunda quinzena de dezembro, houve um descompasso entre a quantidade de matéria-prima moída e o respectivo montante de produtos fabricados. Especificamente, este montante de produtos (etanol e açúcar) em fabricação não obteve sua respectiva contrapartida em cana-de-açúcar já processada, elevando artificialmente o índice calculado pela UNICA.
Produção de etanol e de açúcar
Da quantidade total de cana-de-açúcar processada em dezembro, 38,43% destinou-se à produção de açúcar, abaixo dos 44,08% verificados no mesmo mês da safra passada. No acumulado desde o início da safra 2013/2014 até 1º de janeiro, este percentual totalizou 45,36%.
Como resultado, a produção de açúcar acumulada neste período somou 34,27 milhões de toneladas, ligeiro crescimento de 0,58% relativamente à safra anterior. No último mês, a quantidade produzida atingiu 1,13 milhão de toneladas.
Em relação ao etanol, o volume fabricado alcançou 25,37 bilhões de litros no acumulado do início da corrente safra até o final de dezembro, aumento de 19,20% sobre igual período de 2012. Deste montante, 11,02 bilhões de litros referem-se ao etanol anidro e 14,36 bilhões de litros ao etanol hidratado.
“Importante destacar que estes volumes agregam a produção de etanol a partir de milho, realizada por unidades do Estado de Mato Grosso”, comentou o executivo. Especificamente, foram fabricados no período 3,93 milhões de litros de etanol anidro e 7,34 milhões de litros de etanol hidratado, utilizando o milho como matéria-prima. “Porém, no cálculo do indicador “ATR produto”, estes volumes não foram considerados”, acrescentou Rodrigues.
Em dezembro, a produção de etanol somou 1,12 bilhão de litros (806,19 milhões de litros fabricados na primeira quinzena), sendo 432,77 milhões de litros de etanol anidro e 686,20 milhões de litros de etanol hidratado.
O diretor da UNICA destaca que todo o crescimento da moagem registrado na safra 2013/2014 destinou-se à produção do biocombustível. “Essa situação trouxe benefícios enormes para o abastecimento doméstico, não somente em termos ambientais, como também econômicos aos consumidores, à Petrobras – com a redução da importação de gasolina e à balança comercial do País”, concluiu o executivo.
Vendas de etanol
O volume de etanol comercializado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul entre abril a dezembro alcançou 19,46 bilhões de litros (8,37 bilhões de litros de etanol anidro e 11,09 bilhões de litros de etanol hidratado), alta de 15,24% em relação ao mesmo período de 2012. Deste total, 2,29 bilhões de litros destinaram-se à exportação e 17,17 bilhões de litros ao mercado interno.
Em dezembro, as vendas internas de etanol hidratado alcançaram 1,14 bilhão de litros, crescimento de 12,78% quando comparado ao mesmo mês do ano passado. No acumulado desde abril da atual safra até dezembro, este volume alcançou 10,27 bilhões litros, acima daquele observado em igual período de 2012 (8,82 bilhões de litros).
No que se refere ao etanol anidro, 720,32 milhões de litros foram comercializados no mercado doméstico em dezembro. No acumulado de abril até o final daquele mês, as vendas alcançaram 6,90 bilhões de litros, contra 5,06 bilhões de litros verificados na safra 2012/2013.
“Apesar deste incremento das vendas, o volume de etanol atualmente disponível nas unidades produtoras é cerca de 15% superior relativamente aquele registrado no mesmo período do ano anterior, sendo portanto suficiente para atender a demanda nos próximos meses”, destacou o diretor.
Este cenário decorre do crescimento da produção (19,20%), aliada ao declínio das exportações. Esta queda já totaliza 23,94%, com 2,29 bilhões de litros exportados entre abril a dezembro de 2013 contra 3,01 bilhões de litros em idêntico período de 2012.
Para ver as tabelas da avaliação quinzenal da safra, posição em 01 de Janeiro, clique aqui.
Para ver o relatório completo, clique aqui.
Sobre os dados de safra
Os dados divulgados nesta atualização de safra são compilados e analisados pela UNICA, com números fornecidos pelos seguintes sindicatos e associações de produtores da Região Centro-Sul:
ALCOPAR – Associação dos Produtores de Bioenergia no Estado do Paraná
BIOSUL – Associação dos Produtores de Bioenergia do Mato Grosso do Sul
SIAMIG – Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais
SIFAEG – Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás
SINDAAF – Sindicato Fluminense dos Produtores de Açúcar e Etanol
SINDALCOOL – Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso
SUDES – Sociedade das Usinas e Destilarias do Espírito Santo
URL:
http://www.unica.com.br/imprensa/17830428920342566567/safra-recorde-por-…
Almeida
29 de janeiro de 2014 10:14 amAgricultura Urbana: Hortas comunitárias se popularizam em Berlim
Agricultura urbana em Berlim. Foto Verlag W. Wächter / Brigitte Einführ / Der Spiegel
Seja no telhado de um shopping, seja em um antigo aeroporto, as hortas estão se espalhando por Berlim. Cada vez mais, moradores trabalham a terra para cultivar tomates, batatas e… vínculos sociais, em uma cidade onde ainda parece haver espaço para tudo. Matéria da AFP, no UOL Notícias.
Alguns agriões esmirrados resistem bravamente às chuvas e aos fortes ventos que varrem as pistas de aterrissagem de um aeroporto fechado em outubro de 2008 e transformado em um amplo parque para os berlinenses.
Quando chega o bom tempo, pepinos, aipos e manjericão crescem à sombra dos girassóis nesse jardim comunitário. Recentemente, uma colmeia instalada no meio dos pequenos lotes começou a produzir o primeiro mel a levar o selo do antigo aeroporto de Tempelhof.
De dia, carrinhos de mão e mangueiras são usados a todo vapor nas matas de ervas aromáticas. Ao anoitecer, amigos brindam com cerveja para celebrar o espírito coletivo e a amizade.
“Allmende Kontor” e o vizinho “Rübezahl Garten” são duas das inúmeras hortas que cresceram como grama na capital alemã. No bairro popular de Wedding, uma associação planeja instalar cultivos de cenouras e morangos no telhado de um supermercado local.
“Trata-se de cultivar hortaliças e também de participar de um projeto coletivo, de fazer coisas juntos. É um lugar onde todo mundo participa”, explica Burkhard Schaffitzel, um dos iniciadores do “Rübezahl Garten”.
“As pessoas vêm de todos os horizontes, de imigrantes turcos a estudantes, passando por aposentados”, conta Gerda Münnich, uma entusiasta da “Allmende Kontor”.
Esse é exatamente o segredo do sucesso. Sua horta já conta com cerca de 300 “arrendatários” e tem uma lista de espera de mais de 200 pessoas. Os responsáveis pelo jardim pagam 5.000 euros por ano à Prefeitura para utilizar seu pedaço de terra e fazem apelos por doações para manterem a iniciativa.
Legumes e verduras crescem em baldes e caixas de madeira, porque a Prefeitura não permite as plantações diretamente no solo no antigo aeroporto. Alguns optaram pela originalidade. Sapatos usados, mochilas, ou até uma velha cadeira de escritório: vale tudo para garantir seu espaço na horta.
Horta, um lugar de socialização A escolha pela jardinagem cria um estilo de vida e, ao redor dela, surgem “pequenos lugares”. O mecânico de bicicletas “Ismael” oferece seus serviços em um reboque velho e amassado, instalado no terreno, enquanto uma “praça do povo”, no centro do jardim, permite que a comunidade possa assar salsichas quando o grupo organiza festas.
“A horta não é apenas um lugar dedicado a uma atividade de auto-subsistência, mas um lugar de socialização”, explica a socióloga alemã Christa Müller, que escreveu um livro sobre o “urban gardening” (agricultura urbana, em tradução livre).
O fenômeno é internacional. Desde seu início nos bairros pobres de Nova York, já foram criadas hortas comunitárias em Paris, Montreal e outras cidades. Na capital alemã, houve um empurrão muito particular: a reunificação da cidade, após a queda do Muro no final de 1989, que dividiu Berlim por 28 anos. A mudança deixou uma grande quantidade de espaços vazios e abandonados.
“Londres e Paris estão saturadas. Aqui ainda temos lugar para plantar verduras”, comemora Schaffitzel.
Para muitos, criar uma horta coletiva também é uma iniciativa cidadã. “Fazemos política no meio das alfaces”, brinca Gerda Münnich, que, depois de passar sua carreira diante das telas dos computadores, decidiu se dedicar às abóboras e aos repolhos.
“É se apropriar um pouco da cidade. É participar da decisão coletiva. Esse pequeno terreno que eu cultivo é um pedacinho da cidade que me pertence”, diz ela, com orgulho.
Para a socióloga Christa Müller, esse movimento é uma espécie de contrapeso à sociedade neoliberal.
Esses novos urbanos “ficam felizes de produzir algo eles mesmos, no lugar de encher o carrinho no supermercado”, considera Burkhard Schaffitzel, do “Rübezahl Garten”.
yap/aro/jmr/js/tt-mvv/dm
EcoDebate, 29/01/2014
Lucio Vieira
29 de janeiro de 2014 3:31 pmBuraco negro não existe, diz
Buraco negro não existe, diz Hawking
http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2014/01/29/buraco-negro-nao-existe-diz-hawking/
BRAGA-BH
29 de janeiro de 2014 4:34 pmPreço e custo da energia
quarta-feira, janeiro 29, 2014
O GLOBO – 29/01
Há um problema extra no setor de energia. As distribuidoras não conseguiram contratar toda a eletricidade que elas têm que entregar aos seus consumidores. Não é falta de energia ou possibilidade de apagão. O risco é de preço alto. Ao todo, elas estão com uma falta de 4.000 MWH. Tem que comprar no mercado à vista e o preço disparou. Custa hoje quase o dobro do que na média do ano passado.
Houve alguns dias de chuvas fortes nas grandes cidades do Sudeste. Quem viu a tempestade achou que, pelo menos, um problema estava afastado. Não está. Tanto a subcontratação quanto o uso das térmicas aumentarão o custo. Para não bater na conta do consumidor, terá que aumentar a conta do contribuinte.
A confusão foi a seguinte: pelo mecanismo de leilão, feito pela EPE, as distribuidoras contratam a energia que têm que fornecer aos seus consumidores. Quando não têm tudo, precisam ir ao mercado spot e comprar. O problema é que, na segunda-feira, o preço estava em R$ 484 o megawatt hora. No ano passado, o preço médio foi de R$ 263 o MWH.
Energia existe no sistema. O mecanismo de leilões falhou porque o preço máximo estabelecido pela EPE foi baixo demais. Alguns leilões “deram vazio”, como se diz no setor: não apareceu oferta. Se toda essa energia tiver que ser comprada no mercado livre ao preço de segunda-feira, significa R$ 1,4 bilhão por mês.
Especialistas do mercado de energia dizem que, na hora de fazer os leilões no fim do ano passado, a EPE fixou um preço máximo baixo demais, de R$161, e aí ninguém ofertou energia a esse preço. Mais tarde elevou para R$ 193 o Megawatt hora. E apareceu oferta de 2.500 MWH. Mesmo assim, ficou faltando.
— Quando as distribuidoras estão subcontratadas como agora, não quer dizer que faltará energia, mas elas terão que comprar no mercado spot e isso eleva o custo que, pela lei, teria que ser repassado para o consumidor. Teremos dificuldade de carregar esse custo até ele ser remunerado — disse um empresário do setor.
Por isso o governo teria que agir para evitar esse estrangulamento. Por essa conta gráfica, se toda energia tiver que ser comprada no mercado à vista, vai aumentar o preço da eletricidade. Ou terá que haver mais transferências do Tesouro para cobrir os desequilíbrios financeiros do sistema.
Esse problema se soma a outro que também encarecerá a energia: o nível dos reservatórios. No Sudeste e Centro-Oeste, os reservatórios estão com 41,5% e eles são os mais importantes para abastecimento de energia do país. No Nordeste, o nível está em 42%; no Sul, 63% e no Norte, 57%. Já houve situações piores, como a do começo do ano passado, e o mercado não prevê risco de racionamento. Mas isso significa mais uso de térmicas, que elevará o custo. No ano passado, essa diferença entre custo e preço impactou o Tesouro em R$ 10 bilhões; para 2014, estão previstos no Orçamento R$ 9 bilhões.
— E pensar que nós estamos em pleno verão, época em que, normalmente, estaria vertendo água nos reservatórios — disse um empresário.
O problema foi a tentativa de realizar leilões com o preço máximo abaixo do que o mercado estava disposto a vender a oferta. Não deu certo e a situação acabou ficando assim: o país entra na estação chuvosa com os reservatórios com um nível baixo e com desequilíbrio de energia contratada.
O divórcio entre custo e preço está criando um ambiente mais artificial, com um subsídio cada vez maior. As empresas distribuidoras reclamam que não têm caixa para carregar o prejuízo até serem ressarcidas; o governo decidiu pagar o subsídio que for para manter a ficção do marketing político de que reduziu o preço da energia. O consumidor é poupado; e o contribuinte, onerado.