Mísseis iranianos atingiram Israel, nesta terça-feira (24), deixando ao menos quatro feridos em Tel Aviv e causando danos severos à infraestrutura urbana. A ofensiva ocorre menos de 24 horas após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar que mantinha conversas “produtivas” para encerrar as hostilidades.
Em Tel Aviv, uma ogiva de 100 quilos conseguiu superar o sistema de defesa aérea, abrindo uma cratera em uma rua central e danificando ao menos três prédios residenciais. Segundo o serviço de emergência Magen David Adom, as vítimas sofreram ferimentos leves e foram atendidas no local.
O impacto só não foi maior porque a maioria dos residentes buscou abrigo após o soar das sirenes, que também foram ouvidas no sul do país e em Haifa.
O impasse diplomático e a versão de Washington
A ofensiva militar contrasta com o tom adotado pela Casa Branca. Na segunda-feira (23), Trump anunciou uma pausa de cinco dias nos ataques americanos a infraestruturas energéticas iranianas, condicionando a trégua ao sucesso de discussões em curso. “Eles querem chegar a um acordo, nós queremos chegar a um acordo“, afirmou o republicano, sinalizando o desejo de uma resolução que envolva o programa nuclear de Teerã.
Contudo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, adotou cautela ao descrever a situação como “fluida” e pediu o fim das especulações. “Essas são discussões diplomáticas sensíveis e os Estados Unidos não vão negociar pela imprensa“, declarou Leavitt em comunicado.
Ceticismo em Israel e negação em Teerã
Apesar do aceno de Washington, o governo de Benjamin Netanyahu mantém o ceticismo. Autoridades israelenses de alto escalão afirmaram que, embora Trump pareça determinado a um acordo, é improvável que o Irã aceite as exigências americanas.
Netanyahu reforçou que as ofensivas contra o Irã e o Líbano continuarão: “Há mais para vir“, disse o premiê, que classificou a notícia da trégua como uma estratégia para estabilizar o mercado de petróleo.
Do lado iraniano, a negação é veemente. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que não há negociações em curso e acusou o governo americano de espalhar “fake news” para manipular preços de commodities.
A mídia estatal Fars interpretou o anúncio de Trump como um recuo estratégico dos EUA diante das ameaças de Teerã contra a infraestrutura energética da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Escalada e gargalo econômico
O conflito, que se intensificou desde o final de fevereiro, colocou sob pressão o Estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo mundial. Trump havia dado um ultimato de 48 horas para a liberação da passagem sob ameaça de destruir usinas elétricas iranianas. Em resposta, o Irã ameaçou minar o Golfo Pérsico caso sofresse uma invasão terrestre, citando movimentações americanas na ilha de Kharg.
Enquanto a diplomacia tenta encontrar um canal em Islamabad, no Paquistão, o cenário em solo permanece de guerra aberta. Na noite anterior ao ataque iraniano, jatos israelenses atingiram centros de comando da Guarda Revolucionária em Teerã, mantendo o ciclo de retaliações que agora atinge o coração financeiro de Israel.
Rui Ribeiro
24 de março de 2026 11:15 amMais linchadores da população Iraniana vão se juntar aos dois linchadores iniciais. Otan diz que 22 países se preparam para abrir o Estreito de Ormuz.
É muita desproporcionalidade.
ARMANDO COELHO NETO
24 de março de 2026 12:33 pmOs EUA não cumprem acordo. Foi assim com Otan (via Ucrânia) X Rússia, quando dos acordos de Minsk (1 e 2), do mesmo modo que por duas vezes atacou o Iran durante negociações. Os EUA falam de acordo, trégua exclusivamente para rearmar seus procuradores nas guerras. Ainda que a guerra seja uma irracionalidade, paradoxalmente cabe afirmar: Irã está certo em ignorar quaisquer sinalizações “de paz” vindas da máquina de guerra estadunidense.