O governo do Irã subiu o tom contra Washington e Tel Aviv nesta sexta-feira (27), durante sessão de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, acusou formalmente os Estados Unidos e Israel de cometerem genocídio e crimes contra a humanidade, centrando sua ofensiva diplomática no bombardeio à escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, que vitimou cerca de 175 estudantes e professores no primeiro dia do conflito.
Em discurso por vídeo, Araqchi rejeitou a tese de “erro de cálculo” levantada por investigações preliminares do Exército americano. Para o chanceler, o nível tecnológico das potências envolvidas descarta a possibilidade de acidente.
“Esse ataque brutal é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior. (…) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio“, afirmou o ministro.
Contradições e pressão internacional
O incidente em Minab, ocorrido em 28 de fevereiro, tornou-se o ponto central de desgaste para a administração de Donald Trump. Embora o presidente dos EUA tenha sugerido inicialmente que o próprio Irã poderia ser o responsável, análises técnicas indicam que o prédio foi atingido por um míssil de cruzeiro Tomahawk — armamento que não compõe o arsenal de Teerã.
Uma investigação militar dos EUA admitiu, em caráter preliminar, que o alvo original seria uma base iraniana adjacente, mas dados de localização desatualizados teriam desviado o projétil para a instituição de ensino. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou o episódio como um “horror profundo” e exigiu que Washington publique os resultados finais da apuração com rapidez e transparência.
O Brasil, representado pelo ministro André Simas Magalhães, também condenou o ataque, classificando-o como uma “grave violação da carta da ONU”.
Diplomacia sob fogo cruzado
A escalada retórica em Genebra ocorre em um momento ambíguo do conflito. Enquanto Araqchi denunciava a destruição de mais de 600 escolas, o governo iraniano confirmou ter recebido “pontos de negociação” enviados por mediadores americanos. Na última segunda-feira (23), Trump chegou a sinalizar otimismo, mencionando “conversas produtivas” e um possível acordo em 15 pontos fundamentais.
Entretanto, a trégua de cinco dias nos ataques à infraestrutura energética, anunciada pelo republicano, foi colocada em xeque. Teerã acusa forças dos EUA e de Israel de terem atingido instalações de gás em Isfahan e Khorramshahr poucas horas após o anúncio do adiamento das ofensivas.
Até o momento, os Estados Unidos não enviaram oradores ao Conselho de Direitos Humanos para rebater as acusações de Araqchi, mantendo a posição oficial de que não têm civis como alvo e que o Irã é o verdadeiro responsável pela instabilidade regional.
Rui Ribeiro
27 de março de 2026 12:06 pm“Afunda barcos cheios de crianças
E dormem tranqüilos
(…)
A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra”
Cazuza, Burguesia
Trump bombardeia uma escola cheia de crianças e dorme tranquilo. Não é à toa que ele é amigo do Netanyahu e era amigo do Epstein.