17 de junho de 2026

Países se reúnem para discutir reabertura do Estreito de Ormuz sem os EUA

Governo norte-americano ficou de fora do encontro virtual após fala de Trump, que atribuiu a outros países a responsabilidade de reabrir o canal
Crédito: Reprodução/ X

Reino Unido reuniu diplomatas de 40 países para debater crise no Estreito de Ormuz, com ausência dos EUA no encontro virtual.
Desde 28/02, 23 ataques a navios na região deixaram 11 mortos; Irã controla rigorosamente o tráfego no estreito estratégico.
Mais de 30 países exigem fim do bloqueio iraniano e planejam garantir segurança da rota após o conflito, incluindo operações de desminagem.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Reino Unido reuniu diplomatas de mais de 40 países nesta quinta-feira (2) para debater a crise no Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica praticamente paralisada desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Os Estados Unidos ficaram de fora do encontro virtual, e a ausência não foi acidental.

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Na véspera, o presidente Donald Trump havia deixado claro que garantir a segurança da via marítima não é responsabilidade americana, afirmando que países dependentes do petróleo da região “devem cuidar disso”. Ele também voltou a criticar aliados europeus por não apoiarem a guerra e renovou ameaças de retirar os EUA da Otan.

Do lado de cá do Atlântico, a secretária de Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, usou linguagem direta para descrever a situação: o Irã “sequestrou uma rota internacional de navegação” e está “mantendo a economia mundial como refém”. Cooper afirmou que a alta “insustentável” nos preços do petróleo e dos alimentos já afeta famílias e empresas em todo o mundo, e que o encontro demonstra “a força da determinação internacional” para reabrir o estreito, por meios políticos e diplomáticos, não militares.

Tráfego

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques diretos a embarcações comerciais na região, com 11 tripulantes mortos, segundo dados da empresa de análise marítima Lloyd’s List Intelligence. O fluxo de navios despencou: os poucos petroleiros que ainda cruzam a área são, em sua maioria, embarcações que tentam contornar sanções para transportar petróleo iraniano. O Irã mantém controle rigoroso sobre quem pode atravessar o estreito.

Por enquanto, nenhum país demonstrou disposição de reabrir a passagem pela força enquanto os combates continuam. O Irã dispõe de mísseis antinavio, drones, embarcações de ataque e minas marítimas, arsenal suficiente para tornar qualquer operação militar de escolta extremamente arriscada.

Decisões

Mais de 30 países, entre eles Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Emirados Árabes Unidos, assinaram uma declaração conjunta exigindo que o Irã encerre o bloqueio. Os signatários também se comprometeram a contribuir para garantir a passagem segura quando as condições permitirem, incluindo operações de desminagem e medidas de proteção à navegação comercial. Cerca de 20 mil marinheiros em 2 mil navios estão atualmente afetados pelo conflito.

Cooper anunciou ainda que militares de alguns países devem se reunir futuramente para planejar a segurança da rota após o fim dos combates.

Recado

A mobilização lembra a chamada “coalizão dos dispostos” articulada por Reino Unido e França para apoiar a segurança da Ucrânia em um eventual pós-guerra com a Rússia. E o paralelo não é coincidência: a iniciativa também funciona como sinal ao governo Trump de que a Europa está disposta a assumir mais responsabilidades em sua própria defesa, argumento que o presidente americano tem cobrado insistentemente.

O analista David B. Roberts, do King’s College London, ressalta que os impactos imediatos da crise energética atingem muito mais a Europa e a Ásia do que os Estados Unidos, que hoje são exportadores de petróleo, o que ajuda a explicar a postura de distanciamento de Washington diante da crise.

*Com informações da Associated Press.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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