10 de junho de 2026

Eleitor cansou do populismo e busca construção de prosperidade, por Antonio Machado

Pesquisas mostram desgaste do populismo enquanto candidatos evitam debater governança, produtividade e transformação do Estado
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Brasil enfrenta em 2027 crise institucional, modelo econômico esgotado e baixa produtividade sistêmica, alerta artigo.
IA será infraestrutura econômica central; candidatos devem propor plano de crescimento e reorganização institucional.
Voto em 4 de outubro deve valorizar propostas para transformar gestão pública e usar IA na eficiência do Estado.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

BRASIL S/A

Perfil do novo líder: Pesquisas indicam que eleitor cansou do populismo e busca quem saiba construir a prosperidade

Por Antonio Machado*

O Brasil entrará em 2027 com seis condições simultâneas, e para elas é que a política e seus candidatos devem focar suas atenções: a) instituições em frangalhos, a começar pela suprema corte; b) modelo econômico movido a anabolizante fiscal e dívidas exaurido; c) baixa eficiência do setor público; d) produtividade sistêmica reduzida; e) setor empresarial fragmentado e pouco engajado em missões nacionais; f) abundância energética, mineral e hídrica.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Essa é a síntese de como estamos e de como o mundo nos enxerga. Olhe para o elenco de candidatos a presidente, além de deputados e senadores, e atente até 4 de outubro (o dia da eleição) quem tocou nestes temas com conhecimento e, sobretudo, sugeriu soluções. Há tempo para todos se informarem, estudarem e se distinguirem em meio ao festival de platitudes habituais dos períodos eleitorais.

O cansaço demonstrado pelas pesquisas com os nomes que aí estão e as mesmices de sempre sugere que o grande ausente da campanha, que oficialmente começará em 16 de agosto, é um programa de governança do setor público e de desenvolvimento aderente às transformações intensas na economia, na tecnologia, na cultura e na geopolítica.

Um plano que mereça a atenção precisa ter como objetivo relançar o crescimento econômico de modo coordenado, com metas mensuráveis, e integrando Estado, setor produtivo e nova economia tecnológica.

O mundo mudou, vinha mudando desde os anos 1970. Primeiro, com o livre fluxo de bens, de capital, moeda e mão-de-obra. Depois, com o fracasso da presunção dos internacionalistas liberais de que a Rússia e a China poderiam ser integradas à ordem do livre mercado liderada pelos EUA. Trump foi a resposta à enorme frustração da sociedade americana com a perda de seu status em termos de acesso aos andares superiores da pirâmide de renda e confortos materiais.

Guerras, aceleração de rupturas tecnológicas, volta de fantasmas que se supunha derrotados na 2ª Guerra, emergência de autocratas e candidatos a salvadores, tudo isso é parte da transição de uma era para outra ainda nebulosa.

Certo é que, iniciada a transição, não há volta ao regime anterior. Nossa governança para o período 2027 a 2030, neste sentido, terá de ser visionária. Esse é o desafio.

40 anos de passeio ao acaso

O Brasil ingressa nesse ciclo sob outra megapressão estrutural: a mudança do sistema produtivo global, instigada pela inteligência artificial. A IA não é ferramenta auxiliar, mas uma infraestrutura econômica escalável. A nova vantagem comparativa das nações vem da capacidade de orquestrar a inteligência agêntica sobre os meios de produção.

Um plano para o fim de década é, portanto, além de um programa de crescimento, um projeto de reorganização institucional para operar a nova arquitetura produtiva sob disciplina fiscal.

Os candidatos têm de mostrar ciência de que enfrentamos uma crise de confiança nas instituições, que há uma tensão entre os poderes constituintes e a perda de legitimidade de todos, sobretudo o STF.

Também é crucial compreender que o desenvolvimento virou só peça retórica no discurso dos governantes, independentemente da posição no arco ideológico. A esquerda fala de distribuição; a direita, de ajuste fiscal; e ninguém fala de desenvolvimento estruturado.

Os indicadores econômicos e sociais relativamente positivos mais ocultam que indicam o que fazer. O crescimento econômico impelido pelos aditivos ao consumo ignora a longa redução da base produtiva e incentiva a leniência diante da expansão dos gastos públicos sem contrapartida de infraestrutura e de manufatura assentada na nova produção tecnificada hoje suprida pela China e outros asiáticos.

O resultado de 40 anos de economia institucional ao acaso, que as políticas compensatórias das últimas duas décadas disfarçaram suas sequelas sob a forma de estagnação, pode ser visto na surra social de 81 milhões inadimplentes, 80% da população adulta endividada e 29% da renda comprometida com juros. Isso é o não caminho.

Ativos e desafios combinados

Só a crítica sem proposição, como costuma ser durante eleições, é bom para quem vive de monetizar posts em redes sociais e matar o tempo nos programas jornalísticos de TV. De soluções poucos falam.

Vamos recapitular: o país entrará em 2027 com uma combinação rara de ativos estratégicos e desafios estruturais. Temos abundância energética, mineral e hídrica, além de posição geopolítica estável e um grande mercado interno. Ao mesmo tempo, convivemos com baixa produtividade sistêmica, crescimento irregular e um Estado cuja eficiência administrativa é patética e patologicamente corrupta.

Nas últimas quatro décadas, o Brasil perdeu dinamismo relativo na economia mundial. A participação brasileira no PIB global caiu de 3% no início dos anos 1980 para 2% atualmente. A indústria perdeu densidade tecnológica, o investimento permaneceu sempre abaixo do necessário para sustentar ciclos longos de expansão e a gestão do meio de campo entre Estado e setor produtivo nunca foi destaque.

Esse quadro contrasta com as economias emergentes que adotaram estratégias consistentes de desenvolvimento baseadas em firmeza macroeconômica, avanço tecnológico e mobilização empresarial.

Um plano para os quatro anos finais da década em que tudo ficará irreconhecível na produção e na geopolítica implica restaurar a capacidade de o país crescer de forma estável, o que envolve mais produtividade e consequentes oportunidades de renda e emprego.

Razões para valorizar o voto

Sem um roteiro para transformação do setor público, que é hoje o maior obstáculo ao progresso assim como a inflação era até 1994, o governante qualquer que seja o eleito vai fracassar, e, como tem sido frequente no Brasil, a sociedade será culpada pelo fracasso. E com certa razão, se continuar elegendo mal seus constituintes.

A transformação da gestão pública envolve o uso maciço de IA, em especial na arrecadação tributária em bases reais (pagou/comprou e o tributo é descontado no ato) e na exposição do gasto público em redes abertas – todo gasto, sem exceção, dispensando CGU, TCU etc.

Diferentemente da primeira geração de IA, voltadas para análises de dados e automação de tarefas simples, a IA agêntica é capaz de planejar, executar e vigiar processos complexos de forma autônoma ou semiautônoma, operando como agentes digitais que interagem com múltiplos sistemas e bases de dados. Esses sistemas já transformam a organização de empresas, cadeias produtivas e serviços digitais.

Nos próximos anos, ela terá impacto crescente sobre a forma como os governos operam. Ah, mas estamos longe disso!, dirá o cético. E quebrará a cara ao descobrir que já estão operacionais nos EUA, só falta anunciar, minirreatores nucleares com 5MW de potência atual, invioláveis à radiação, transportáveis em contêineres e que gerarão energia a US$ 2/watt (custo chinês) quando passar de 100 unidades.

Estão aí razões para não desperdiçar o voto em 4 de outubro.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Rui Ribeiro

    4 de abril de 2026 12:31 pm

    Então é bom esses eleitores votarem no Elon Musk. Eles sabem criar a prosperidade… pra si próprios, enquanto distribuem a miséria para os que foram expropriados a fim de que a prosperidade deles aumentasse

  2. Rui Ribeiro

    4 de abril de 2026 12:35 pm

    O aumento da produtividade beneficia apenas a classe dominante. Para os trabalhadores, a elevação da produtividade significa mais exploração, mais extração de mais-valia relativa, em vez de salários mais elevados e/ou redução da jornada de trabalho.

  3. Rui Ribeiro

    4 de abril de 2026 12:40 pm

    Formulei a seguinte pergunta à IA do google:

    “O aumento da produtividade beneficia apenas a classe dominante. Para os trabalhadores, a elevação da produtividade significa mais exploração, mais extração de mais-valia relativa, em vez de salários mais elevados e/ou redução da jornada de trabalho. Confere?

    Resposta da IA:

    “Sim, a sua afirmação está fundamentada na teoria marxista sobre o capitalismo, especificamente no conceito de mais-valia relativa. De acordo com essa perspectiva, o aumento da produtividade (através de tecnologia, automação e melhor organização) não resulta automaticamente em benefícios para o trabalhador, mas sim em um aumento da exploração.

    Aqui estão os pontos principais que corroboram sua afirmação:
    Mais-valia Relativa: Quando a produtividade aumenta, o trabalhador produz mais mercadorias no mesmo período (por exemplo, 8 horas). Se a tecnologia torna a produção de bens de consumo mais barata, o valor da “força de trabalho” (o custo para manter o trabalhador) diminui. Com isso, o trabalhador precisa de menos tempo de trabalho necessário para pagar seu próprio salário e passa mais tempo produzindo valor excedente para o capitalista.
    Aumento da Exploração: O aumento da produtividade permite que o capitalista reduza o tempo de trabalho necessário (para cobrir os custos do salário) sem reduzir a jornada total de trabalho, aumentando assim o “sobretrabalho” (trabalho não pago).
    Produtividade vs. Salários: Na teoria de Marx, o aumento da produtividade não gera, por si só, um aumento proporcional dos salários. Pelo contrário, a maior eficiência é frequentemente usada para reduzir custos, substituir mão de obra e aumentar o ritmo de produção (intensificação).
    O papel da tecnologia: A inovação tecnológica é usada para controlar o tempo de trabalho e maximizar a extração de valor por hora trabalhada, tornando o trabalhador, muitas vezes, um “apêndice da máquina”.

    Em resumo: Pela ótica marxista, o aumento da produtividade é uma “arma” na luta de classes que favorece a classe dominante (burguesia) ao acumular mais capital e aumentar a intensidade da exploração da classe trabalhadora.

Recomendados para você

Recomendados