4 de junho de 2026

Guerra no Oriente Médio puxa IGP-M de abril para maior alta em quase cinco anos

A "inflação do aluguel", fechou abril em 2,73%; em março, o indicador estava em apenas 0,52%; em abril do ano passado, em 0,24%
Crédito: Rovena Rosa/ Agência Brasil

IGP-M fechou abril em 2,73%, maior alta mensal desde maio de 2021, impactado pela guerra no Oriente Médio.
Conflito no Estreito de Ormuz elevou preços de combustíveis e matérias-primas, pressionando frete e alimentos no Brasil.
IGP-M é usado para reajustar aluguéis e tarifas; governo adota medidas para conter alta dos preços no país.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A guerra no Oriente Médio deixou sua marca nas contas dos brasileiros. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), popularmente conhecido como “inflação do aluguel”, fechou abril em 2,73%, resultado mensal mais elevado desde maio de 2021, quando o índice havia atingido 4,10%. Em março, o indicador estava em apenas 0,52%; em abril do ano passado, em 0,24%.

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Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). No acumulado dos últimos 12 meses, o IGP-M soma 0,61%, encerrando uma sequência de cinco meses consecutivos de deflação.

Guerra nos preços

O economista do Ibre Matheus Dias aponta que todos os componentes do índice sofreram influência direta do conflito geopolítico no Estreito de Ormuz. Entre os preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, com repasses expressivos em produtos da cadeia petroquímica, como embalagens plásticas, amplamente usadas no varejo.

No lado do consumidor, o destaque ficou com os combustíveis: a gasolina subiu 6,3% em abril, enquanto o diesel disparou 14,9%. Como o óleo diesel é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas, sua alta pressiona também o frete e, por consequência, os preços dos alimentos.

Impacto

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. O país persa revidou, entre outras medidas, bloqueando o Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde transitam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. A interrupção logística reduziu a oferta global do produto e fez os preços dispararem nos mercados internacionais.

Como petróleo e seus derivados são commodities negociadas a preços globais, países produtores como o Brasil também sentem o efeito da alta. O governo brasileiro tem adotado medidas para conter a escalada, como isenção de impostos e subsídios a produtores e importadores.

Os três componentes do IGP-M
O IGP-M é calculado com base em três subíndices. O mais pesado é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do total e registrou alta de 3,49% em abril — também a maior desde maio de 2021. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30%, subiu 0,94% no mês. Entre os itens que mais pressionaram as famílias, destacaram-se o tomate (13,44%), o diesel (14,93%), o leite longa vida (9,20%), a gasolina (6,29%) e a tarifa de energia elétrica (0,80%). O grupo transporte, diretamente afetado pelos combustíveis, teve alta média de 2,26%. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que completa os 10% restantes, avançou 1,04%.

Bolso

Além de medir a inflação sentida por produtores e consumidores, o IGP-M é o indexador mais usado para reajustar contratos de aluguel residencial com base no acumulado de 12 meses. Também serve de referência para tarifas públicas e alguns serviços essenciais.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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