10 de junho de 2026

Fugas do barco. A flotilha do bufão Flávio nas águas do crime, por Armando Coelho

Nas águas do crime, a direita “refinada” sente cheiro de podre na flotilha do “Zero Um”. Fareja um quê de quadrilha.
Flavio Bolsonaro cometendo crime ambiental. Multa posteriormente foi anulada. Reprodução Redes Sociais.

Flávio Bolsonaro aumentou seu patrimônio entre 2002 e 2018, gerando suspeitas no Ministério Público do Rio.
Relatórios do Coaf e casos de “rachadinhas” colocam Flávio no centro de investigações sobre corrupção e milícias.
Entre 1990 e 2022, Flávio comprou 107 imóveis, muitos pagos em dinheiro vivo, levantando dúvidas sobre a origem dos recursos.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Fugas do barco. A flotilha do bufão Flávio nas águas do crime

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Filme 1. Não, leitor. Não se trata do polêmico filme sobre o ex-capitão, hoje condenado não só pelo STF, mas também pelo fato de não poder sarar dos falsos ou verdadeiros problemas de saúde que o assolam. Está condenado a não sarar, pois, do contrário, irá para o presídio da Papuda, em Brasília. O filme dessa abertura não é aquele do cavalo manco financiado com dinheiro roubado do Caso Master.

Filme 2. Reza a lenda que, durante a campanha de 2016, num debate entre candidatos à Prefeitura do Rio, Flávio… (nº 01) teria “se borrado todo”. Cortes do filme circulam nas redes sociais e, mito ou verdade, pelo menos o desmaio muitos assistiram ao vivo, e dados imprecisos falam de 2 milhões de visualizações no YouTube. É, ao menos, a face mais visível da fragilidade do “cuecão de couro”.

O fato é que a versão Ypê, Rouanet e antipetê da decadente elite brasileira (assim mesmo, cheio de ê) sempre soube muito mais da fraqueza do Flávio e, sobretudo, de sua “dark” capivara. Entre 2002 e 2018 o “Zero Um” aumentou significativamente seu patrimônio, chamando a atenção do Ministério Público do Rio de Janeiro. Sequer a loja de chocolates mais próspera do mundo dava suporte a tanta sorte.

De outra ordem, o relatório do Coaf e as “rachadinhas” jogaram o nome de Flávio no centro do debate nacional, logo após a eleição de seu pai à Presidência. Em jogo, entre outras falcatruas, R$ 1,2 milhões na conta de Fabrício Queiróz, sem contar suspeitas relações com o chefe de milícia Adriano da Nóbrega. Ainda que a Justiça tenha decretado inocência técnica, o telhado eleitoral de vidro ficou. E a Ypê sabia.

A direita é vesga, e não cega. Enxerga bem que imóveis comprados em dinheiro vivo para driblar o fisco e a obscura origem de recursos fragilizam uma candidatura. Entre 1990 e 2022, o UOL noticiou que o “Clá” adquiriu 107 imóveis, 51 dos quais pagos com dinheiro vivo. Sem contar os mais de 20 nos quais os cartórios não especificaram forma de pagamento. Resumo: quem rouba sabe dos riscos.

Marocas e candinhas (da Havaianas ou Ypê) sabem: é mais difícil checar se Flávio se borrou ou não no debate do que aferir se há algo de podre na mansão comprada por ele, em Brasília. Em 2018, quando se elegeu senador, Flávio declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,74 milhão. Quase três anos depois, comprou um imóvel beirando os R$ 6 milhões. Salário? Pasme! Inferior a R$ 25 mil.

Sob suspeita de crime, os filmes de pai e filho se encontram e provocam furos nos barcos da flotilha de Flávio. Tecnicamente, haveria crime de corrupção passiva e/ou extorsão na busca de recursos pelo filho para o pai, sem a inocência que o “Zero Um” quer lacrar. Seria apenas “um filho procurando patrocínio privado para um filme sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”?

Há dinheiro público. Os crimes de corrupção e extorsão são crimes formais, ou seja, se consumam no ato de pedir e/ou exigir vantagem. É ponto pacífico na doutrina penal. O conjunto da obra do “Zero Um” autoriza a analisar o filme “O Azarão” sob outra perspectiva, ou seja, sob a ótica dos furos nos barcos da flotilha do bufão Flávio. Há cheiro de podre nessa flotilha, quadrilha, família (não é jogo de palavras).

Não se trata, leitor, de um pitaqueiro do GGN pedindo dinheiro para projetos particulares. Trata-se, sim, de um servidor público, sob suspeita e império da força do cargo (senador), rodando o chapéu! Não existe almoço de graça. Imaginem um pitaqueiro do GGN, então atuando na Polícia Federal, pedindo dinheiro a um contrabandista ou traficante para melhorar a poupança do seu papai ou seu vovô?

Um delegado da PF gosta de lembrar que as marocas da Rouanet, mesmo flertando com ideário anarco-capitalista, deram-se conta de que a sociedade se desorganizou e chegou a um patamar que a própria burguesia ainda não concorda. Mesmo que se juntem no antipetismo, têm divergência. Tudo isso, obviamente, realça o olhar desconfiado e crítico sobre a flotilha capitaneada pelo bufão “Zero Um”.

Nas águas do crime, a direita “refinada” sente cheiro de podre na flotilha do “Zero Um”. Fareja um quê de quadrilha, um quê de “cambada na bancada” de apoio ao bufão. Há crise no “Clã” bolsopata com ares tribais focado em um núcleo familiar. Vide os desencontros com a Michele. Entre tapas, beijos, trapaças e traições, com um certo alívio e risos de soslaio, alguns já estão abandonando o barco.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Armando Coelho Neto

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. PAULO MAURICIO GONCALVES

    21 de maio de 2026 3:23 pm

    Rachadinhas, mansão comprada com dinheiro vivo, envolvimento com milícias, amizade com Vorcaro e recursos milionáriios para película suspeita. Quer mais ou é suficiente para que antigos aliados pulem de cabeça para fora do barco bolsonarista.

  2. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    22 de maio de 2026 8:23 am

    Se o filhote de cascavel tivesse um pouco de decência, se absteria de tentar incriminar o presidente Lula como parceiro do seu irmão embusteiro Vorcaro, pois como ficou evidenciado, ele e sua patota estão juntos e misturados no lamaçal financeiro do banco master.

Recomendados para você

Recomendados