9 de junho de 2026

BRB precisa de R$ 8,85 bilhões para lidar com crise pós-Banco Master

Montante é necessário para manter capacidade de funcionamento da instituição, diz presidente do banco em audiência no Senado Federal
Nelson Antônio de Souza, presidente do Banco de Brasília (BRB). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O Banco de Brasília (BRB) precisa de R$ 8,8 bilhões para absorver possíveis perdas decorrentes dos negócios realizados com o Banco Master e manter sua capacidade de funcionamento, segundo cálculos do presidente do banco, Nelson Antônio de Souza.

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Em audiência realizada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, Souza explicou que a instituição analisou aproximadamente R$ 30 bilhões em operações e ativos relacionados ao Banco Master, e concluiu que parte desses ativos apresenta elevado risco de perda ou dificuldade de recuperação.

Dentro desse universo, pelo menos R$ 2,6 bilhões não possuem lastro identificado, ou seja, não existem garantias concretas capazes de assegurar o ressarcimento desses recursos.

Além desse valor, a análise identificou outros ativos considerados frágeis ou de baixa qualidade, elevando o potencial de perdas para R$ 8,8 bilhões.

Embora isso não signifique que todo esse montante será efetivamente perdido, as regras prudenciais do sistema financeiro exigem que os bancos reconheçam previamente os riscos existentes e mantenham reservas suficientes para absorver eventuais prejuízos.

Como o banco pretende levantar esses recursos?

O plano apresentado pela direção do BRB possui três frentes principais.

A primeira delas é um financiamento de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada responsável por proteger depósitos e auxiliar na estabilidade do sistema financeiro.

A operação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas ainda depende da aprovação de um projeto de lei pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A segunda frente envolve a securitização de créditos do Governo do Distrito Federal (GDF). Nesse modelo, receitas futuras são transformadas em ativos financeiros negociáveis, permitindo antecipar recursos.

A primeira etapa da operação já garantiu R$ 1,17 bilhão ao banco. A expectativa é levantar pelo menos mais R$ 3 bilhões por meio desse mecanismo, com participação do BTG Pactual na estruturação financeira.

Segundo Nelson de Souza, após essas etapas ainda seria necessário completar aproximadamente R$ 2,2 bilhões para alcançar o volume total de R$ 8,8 bilhões considerado necessário para estabilizar a instituição.

O BRB corre risco de quebrar?

A atual gestão afirma que não e, segundo Nelson de Souza, a adoção das medidas para reforçar o capital do banco permitirá que a instituição continue cumprindo todas as exigências regulatórias do Banco Central e mantenha suas operações normalmente.

Ainda assim, Souza reconheceu durante a audiência no Senado que o BRB enfrenta atualmente “o maior problema do sistema financeiro nacional”, em razão da dimensão dos ativos ligados ao Banco Master e da complexidade do processo de recuperação.

Hoje, o BRB administra cerca de R$ 30,6 bilhões em depósitos judiciais pertencentes a tribunais de justiça do Distrito Federal e de estados como Alagoas, Bahia, Maranhão e Paraíba.

Além disso, o banco possui papel relevante no financiamento imobiliário da capital federal, concentrando aproximadamente 64% desse mercado, com uma carteira próxima de R$ 15 bilhões.

O que ainda gera dúvidas?

Apesar da apresentação do plano de recuperação, senadores de diferentes partidos questionaram a falta de divulgação do balanço de 2025, a suficiência dos recursos previstos e o impacto das garantias oferecidas pelo Governo do Distrito Federal.

Também existem dúvidas sobre a possibilidade de recuperação futura dos ativos adquiridos do Banco Master e sobre eventuais responsabilidades dos antigos administradores envolvidos nas operações investigadas. A atual gestão informou que pretende buscar ressarcimento judicial dos prejuízos e responsabilização civil dos ex-dirigentes que participaram das negociações.

(Com informações da Agência Brasil e Senado Notícias)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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