4 de junho de 2026

Parceria com Israel para dessalinização de água levanta dúvidas

Proposta do governo Bolsonaro para atender Nordeste sairá mais cara ao Brasil, avaliam pesquisadores 
 
Professor Dr. Kepler França. Foto: Divulgação Engenharia Química-UFCG 
 
Jornal GGN – Equipamentos para retirar o sal da água, tornando-a potável para o consumo humano, desenvolvidos por pesquisadores na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Pernambuco, custam, em média, 16 a 28 mil reais para atender uma população de até 10 mil pessoas.
 
A variação do valor acontece porque são vários modelos de equipamentos, como explicou o coordenador de engenharia química da UFCG e do Laboratório de Referência em Dessalinização, Kepler França, em entrevista para o UOL.
 
“Temos a dessalinização por processos térmicos, por energia solar, através de destilação, por compressão de vapor, de membrana – que é mais utilizada mundialmente -, que vêm sendo utilizada em comunidades. E também temos novos caminhos, como a membrana cerâmica, que nós da UFCG desenvolvemos”, explicou.
 
A título de comparação, o projeto piloto que o governo Bolsonaro propõe em parceria com Israel foi cotado em 75 milhões de reais. 
 
França destaca que, nos últimos 30 anos, foram instalados entre 3.500 a 4.000 dessalinizadores para atender a região nordestina. Como muitos foram instalados há décadas, é preciso fazer um levantamento para saber o número exato dos equipamentos que ainda funcionam. 
 
“Precisamos melhorar, óbvio, Mas o que precisamos é de mais investimento do governo federal e de órgãos de fomento para incentivar cientistas a desenvolver tecnologias e deixar de comprar membranas dos gringos, porque isso deixa mais caro o sistema”. 
 
Kepler salienta que os equipamentos desenvolvidos em Israel não trazem novidades tecnológicas que justifiquem a troca do que vem sendo produzido no Brasil que, como vantagens, está mais alinhado à realidade local.
 
A proposta de Bolsonaro para suprir a demanda por água potável no Nordeste brasileiro vem sofrendo alguns questionamentos. Pelo Twitter, o engenheiro Luiz Guilherme Prado levantou algumas questões:
 
“Por que Bolsonaro não considera reduzir custos? Mapear o sistema atual? Investir em manutenção? Em capacitação de cientistas e profissionais brasileiros? Por que não cota com asiáticos, latino-americanos?”, arrematando:
 
“É muito bom sim o interesse em levar um item essencial como água à todos brasileiros, mas podemos alcançar esse objetivo com uso inteligente da verba pública. Caso contrário, parece para nós que o interesse maior é apenas comprar equipamentos caros de Israel como manobra política”. 
 
Em uma matéria assinada pela repórter Cida de Oliveira, da RBA, o sociólogo Antônio Barbosa, um dos coordenadores da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), avalia que o projeto de Bolsonaro abre caminho para a privatização da água: as empresas farão a distribuição e depois vão mandar a fatura da cobrança pela prestação do serviço:
 
“É a privatização da água, com certeza. Que chegaria muito cara, porque para além do processo de dessalinização, é preciso o processo de transporte para levar a água às casas e à agricultura familiar, que está espalhada por todo o semiárido”, pontua. No esquema israelense, são instaladas verdadeiras usinas de dessalinização, de onde a água potável terá que ser redistribuída. 

Redação

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  1. Urariano Mota

    1 de janeiro de 2019 6:55 pm

    Atenção, corrijam por favor

    A Universidade Federal de Campina Grande é na Paraíba. Campina Grande é a maior cidade paraibana, depois de João Pessoa. 

  2. jcordeiro

    1 de janeiro de 2019 9:36 pm

    Inauguração da Desgraça

    Nassif: odieio esse Kummunistas que querem estragar os planos do Grupo daBala. Ora, a bufunfa do sistema idealizado pelo Príncipe de Paris (que até mandou executar PauloFrancis, quando este denunciou) e dadoi continuação com os petralhas tá muito manjado. Então, depois de consultar Salvonarola dos Pinhais (como no tempo do BANESTADO) a patota mandou o ministro astronauta bolar um plano estratosférico. Concluiram nada melhor que desviar para o exterior a rapinagem. Os Gogoboys (mesmo os descontentes) não teriam capacidade de investigar. Então, nada melhor que o pessoal da EstrelaAmarela, unha e carne com o bando PSDB/DEM/PPS+Detritos_de_Maré_Baixa (acrescido agora com um tal PSL) para um acertinho. Você pensa que Bibi viajou atoa? E quandfo der algum galho, um ou outro reporter da grande mídia mijar fora do penico, então o Queiros entra em cena. Os VerdeOlivas dão plena cobertura, com a cumplicidade da Justiça…

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