O caso Master concentrou nesta terça-feira (16) uma série de revelações sobre a relação do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro com autoridades do Congresso Nacional. Enquanto a Polícia Federal apontou que Vorcaro bancou hospedagem de luxo em Lisboa para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi ao plenário negar ter recebido US$ 30 milhões do ex-banqueiro, acusação veiculada pela Revista Veja na semana passada.
A Polícia Federal concluiu, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal como parte da Operação Compliance Zero, que Daniel Vorcaro custeou diárias no hotel Four Seasons em Lisboa, em junho de 2024, para Hugo Motta e Ciro Nogueira.
A investigação partiu de conversas entre Vorcaro e um auxiliar nas quais o ex-banqueiro menciona a necessidade de dois quartos na cidade para “Ciro e Hugo”. Dias depois, o auxiliar confirmou a reserva de duas suítes no Four Seasons e pediu a Vorcaro uma “lista dos homens”, respondida com os nomes dos dois parlamentares.
Em um áudio enviado na mesma troca de mensagens, Vorcaro pediu atenção especial à privacidade do grupo no local, orientando que o ambiente fosse “privatizado” para evitar que pessoas de fora vissem quem estava presente.
Os investigadores cruzaram essas mensagens com faturas encontradas nos e-mails do ex-banqueiro, confirmando uma viagem a Lisboa no mesmo período. Segundo a PF, as diárias custaram EUR 3.155,71, equivalentes a cerca de R$ 18.256 na cotação da época.
Questionado sobre o caso nesta terça-feira, Hugo Motta disse estar tranquilo e defendeu que as investigações sigam de forma isenta e imparcial. Ciro Nogueira não se manifestou.
Negativa
No plenário do Senado, Davi Alcolumbre fez um pronunciamento para rebater reportagem da Revista Veja publicada na última quinta-feira (11), segundo a qual Vorcaro teria afirmado, durante negociações de delação premiada, ter transferido US$ 30 milhões para uma conta no exterior em benefício do senador do Amapá — como contrapartida por sua atuação em favor dos interesses do Master no Congresso.
“Jamais recebi aqueles valores, ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja. São alegações inteiramente falsas, com a única e aparente intenção de arrastar para a lama meu nome, minha honra, minha reputação”, afirmou Alcolumbre.
O presidente do Senado foi além e colocou em dúvida a própria origem da informação. Segundo ele, se as afirmações não constarem de nenhum documento oficial da delação, da PF ou da defesa de Vorcaro, o país estará diante de algo ainda mais grave: a invenção de um fato atribuído a um procedimento oficial para ganhar aparência de veracidade. “A quem interessa caluniar o presidente do Congresso Nacional?”, questionou.
Solidariedade
Após o discurso de Alcolumbre, senadores de todos os espectros políticos — do PT ao PL — tomaram a tribuna em solidariedade ao presidente da Casa, em uma sessão que se estendeu por cerca de uma hora.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), defendeu que qualquer acusação, independentemente de quem parta, precisa de “lastro probatório mínimo”, especialmente quando dirigida ao chefe do Poder Legislativo. O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) classificou as afirmações, caso sejam falsas, como “mafioso” e “gangsterismo” — um expediente para coagir e constranger uma instituição inteira.
Já o senador Esperidião Amin (PP-SC) direcionou críticas ao Judiciário, apontando que as acusações contra parlamentares emanam sistematicamente de processos de delação conduzidos pela PF e pelo Ministério Público sob supervisão do STF, enquanto magistrados e empresários nunca figuram como alvos dessas narrativas.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) — também citado na reportagem da Veja em relação ao programa Credcesta, na Bahia —, anunciou que seu advogado já prepara ação contra a revista. “Estamos diante de um absurdo”, disse.
Daniel Vorcaro permanece preso em Brasília, onde negocia um acordo de delação premiada. Duas propostas já foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
*Com informações do g1 e da CNN.
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