2 de julho de 2026

Para entender os movimentos de manada e a Lava Jato 2, por Luís Nassif

É importante relembrar um pouco mais os princípios do efeito-manada e das formas de manipulação da opinião pública
Reprodução

A imprensa e o Estado se curvam ao clamor público por incentivos e para terceirizar responsabilidades políticas.
Movimentos populares recentes, como as “primaveras árabes”, foram instrumentalizados por redes sociais e interesses externos.
Estados Unidos e outros atores usam operações de informação e financiamento para gerir narrativas e mobilizações sociais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Nesses tempos em que o Inspetor Clouseau, integrante da força tarefa da Polícia Federal no caso Master, tenta lançar a Lava Jato 2, é importante relembrar um pouco mais os princípios do efeito-manada e das formas de manipulação da opinião pública por interesses externos, a submissão da imprensa e do Estado ao chamado clamor das ruas. É importante para entender o que poderá ser feito no período eleitoral, a partir dos estudos sobre as chamadas “primaveras árabes”, as explosões populares estimuladas pelas redes sociais.

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Há dois movimentos que precisam ser separados.

O primeiro é endógeno: por que a imprensa e o Estado se curvam ao clamor público, uma dinâmica sociológica com lógica própria. O segundo é instrumental: como esse mesmo mecanismo de mobilização passou a ser objeto de statecraft, isto é, de gestão deliberada por aparatos de Estado. 

O texto abaixo foi levantado com o auxílio de Inteligência Artificial.

I. A física da capitulação

Por que a imprensa se curva

Não se trata propriamente de covardia, mas da estrutura de incentivos.  A indignação gera engajamento, que sustenta o veículo e o jornalista. Repercutir a indignação é racional; verificar o assunto é custoso. E há o chamado risco reputacional invertido: quando se gera o chamado pânico moral, a dúvida metódica, em vez de instrumento do jornalismo, vira passivo: quem duvida de uma denúncia, passa a ser acusado de conivente com a corrupção.

Por que o Estado se curva

O clamor das ruas é sinal eleitoral antecipado. O Estado terceiriza sua agenda para a multidão a fim de se desonerar da responsabilidade. E o aparato de segurança aprende a explorar o clamor: cada pânico é janela para expandir poderes, orçamentos e exceções. O clamor não constrange o Estado; muitas vezes o autoriza. Forma-se o ciclo: a imprensa amplifica, o Estado reage, a reação valida o enquadramento da imprensa, e a espiral se aperta.

II. Sobre a instrumentalização do desconforto

Gene Sharp (1928–2018) foi um cientista político americano, considerado o principal teórico moderno da luta não-violenta como estratégia política — uma espécie de “estrategista militar” da resistência civil, tratando a não-violência não como princípio moral, mas como técnica de poder.

Esse princípio estimulou o Otpor sérvio, que derrubou Milošević em 2000 e se profissionalizou no CANVAS, exportando manuais de resistência; as “revoluções coloridas” da Geórgia e da Ucrânia, com NED, Freedom House e a Open Society financiando observadores, mídia e oposição.

Conto em detalhes esse movimento no meu livro “A conspiração Lava Jato”.

Esses movimentos se prevalecem de um clima prévio de desconforto. Até véspera da primavera árabe no Egito, os Estados Unidos apoiavam Hosni Mubarak.

No Brasil, os movimentos de rua de 2013 foram estimulados, inicialmente, por bilionários do Partido Democrata, sem participação direta do Departamento de Estado, que entra em cena com a Operação Lava Jato e seus quintas-colunas. O que se observou foi a capacidade das redes sociais e seus algoritmos de instrumentalizar o desconforto.

III. A grade de três colunas

descartar
CasoDesconforto InternoInstrumentalização
Sérvia (2000)precedenteGuerras dos Bálcãs, hiperinflação, fraude eleitoral de MiloševićOtpor; financiamento de NED e do governo dos EUA; treinamento que depois vira o CANVAS
Geórgia (2003) / Ucrânia (2004)precedenteEleições fraudadas, corrupção pós-soviética, captura oligárquicaNED, Freedom House e Open Society financiando observadores, mídia e oposição; manuais do CANVAS
Tunísia (2010-11)Autoimolação de Bouazizi; desemprego juvenil; alta dos alimentos em 2010-11; cleptocracia de Ben AliPraticamente nenhum — a faísca tunisiana surpreendeu Washington e a própria região
Egito (2011)Tortura policial, Lei de Emergência, fraude eleitoral, pão e inflação, 30 anos de MubarakAgenda de “internet freedom” do Departamento de Estado; Alliance of Youth Movements (Movements.org); contatos com a oposição revelados pelo WikiLeaks; alguns do 6 de Abril em eventos nos EUA
Líbia (2011)Repressão de Gaddafi, fratura regional (Cirenaica × Tripolitânia), desigualdadeIntervenção militar da OTAN (zona de exclusão aérea), posterior; reconhecimento do conselho de transição
Síria (2011)Seca e êxodo rural, repressão de Daraa, autoritarismo do clã AssadApoio externo a facções da oposição, posterior e fragmentado, sem direção unificada

IV. Concluindo

A síntese honesta é dupla. Primeiro: o mecanismo de manada — a mobilização que se auto alimenta — é real e é, sim, alvo de ação de Estado. Operações de informação, astroturfing (prática de criar uma aparência artificial de apoio popular espontâneo a uma causa, produto, candidato ou campanha), gestão de narrativa e financiamento de “sociedade civil” são instrumentos de Estado, e os EUA construíram capacidade considerável neles. 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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