O governo do presidente Donald Trump voltou a impor sanções sobre as exportações de petróleo do Irã, revertendo uma das principais concessões feitas durante o recente acordo de cessar-fogo entre os dois países.
A decisão foi anunciada nesta terça-feira (7) pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e ocorre após uma nova série de ataques atribuídos ao Irã contra embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz.
A revogação da licença temporária que autorizava a comercialização do petróleo iraniano representa um novo capítulo na disputa entre Washington e Teerã e coloca em dúvida a sustentabilidade do memorando de entendimento firmado poucas semanas atrás, que buscava reduzir as tensões na principal rota marítima para o comércio mundial de petróleo.
A resposta do mercado foi imediata. O barril do petróleo Brent registrou alta de cerca de 3%, enquanto o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançou quase 6%, voltando a ser negociado acima de US$ 70.
O que muda com a decisão
O memorando firmado entre Estados Unidos e Irã previa a suspensão temporária das sanções sobre a venda de petróleo iraniano por um período de 60 dias.
Na prática, a medida permitia que Teerã exportasse petróleo livremente, contratasse seguros para os carregamentos, utilizasse o sistema financeiro internacional para receber pagamentos e comercializasse milhões de barris que permaneciam armazenados em petroleiros desde o período mais intenso das restrições econômicas.
Para a economia iraniana, altamente dependente das receitas do petróleo, a suspensão das sanções representava um importante alívio financeiro. Segundo dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), aproximadamente metade da arrecadação do governo iraniano provém das exportações da commodity.
Com a revogação da licença, compradores terão até 17 de julho para concluir operações já iniciadas. Depois desse prazo, as restrições voltam a valer integralmente.
Embora as restrições tenham sido restabelecidas, ainda não está claro como os Estados Unidos pretendem fiscalizar seu cumprimento.
Nos últimos anos, o Irã desenvolveu uma extensa “frota sombra” de petroleiros para driblar sanções internacionais, utilizando mudanças de bandeira, desligamento dos sistemas de rastreamento e operações de transbordo em alto-mar – a maior parte dessas vendas teve como destino a China, principal compradora do petróleo iraniano.
Por que Washington voltou atrás
Segundo o Departamento do Tesouro, o acordo sempre esteve condicionado ao cumprimento de compromissos por parte do Irã.
Autoridades americanas afirmam que a reabertura do Estreito de Ormuz dependia da garantia de livre navegação para embarcações comerciais e da redução das tensões militares na região.
Nos últimos dias, entretanto, navios voltaram a ser alvo de ações iranianas. Teerã justificou as abordagens alegando que algumas embarcações utilizavam rotas não coordenadas com as autoridades iranianas ou manipulavam seus sistemas de rastreamento.
Os Estados Unidos rejeitam essa interpretação. Para Washington, o Estreito de Ormuz constitui uma hidrovia internacional e o governo iraniano não possui autoridade para impor restrições unilaterais à circulação de navios.
O governo iraniano contesta as acusações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou que Teerã continua cumprindo os compromissos assumidos no memorando de entendimento em relação à administração da passagem marítima e pediu que empresas de navegação e países da região evitem ações que contrariem os termos do acordo.
Ao mesmo tempo, integrantes do governo iraniano demonstraram pessimismo quanto ao futuro das negociações. Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo Ali Khamenei, afirmou à televisão estatal que os Estados Unidos caminham para inviabilizar um entendimento definitivo entre os dois países.
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