8 de julho de 2026

Proteína ligada à metástase pode ser novo alvo contra o câncer, aponta estudo da Unifesp

Bloqueio de molécula interrompe a multiplicação celular e retira das células tumorais um recurso que elas usam para sobreviver quando circulam soltas pelo corpo
Crédito: Unsplash

Estudo da Unifesp identifica proteína SDC4 como possível alvo para tratamentos oncológicos e controle da metástase.
Bloqueio da SDC4 em células tumorais aumenta morte celular e reduz invasão, apontando potencial terapêutico da proteína.
Pesquisa financiada pela FAPESP investiga ainda se canabidiol pode interferir na atividade da SDC4 em células resistentes.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Um estudo conduzido na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou a sindecana-4 (SDC4), uma proteína presente na membrana das células, como possível alvo para tratamentos oncológicos. A pesquisa, publicada em março na revista Cytotechnology, mostrou que bloquear essa molécula interrompe a multiplicação celular e retira das células tumorais um recurso que elas usam para sobreviver quando circulam soltas pelo corpo, mecanismo central no processo de metástase.

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Segundo Carla Cristina Lopes, professora do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp e autora correspondente do trabalho, a SDC4 pode funcionar tanto como alvo terapêutico quanto como marcador para monitorar a evolução de tumores. Ela ressalta, porém, que a pesquisa ainda está em estágio inicial e que os resultados precisarão ser confirmados caso a caso antes de qualquer aplicação clínica.

Normalmente, as células dependem de ancoragem aos tecidos e à matriz extracelular para sobreviver. Quando se soltam desse ambiente, entra em ação a anoikis, um processo de autodestruição que, na prática, impede que células “sem lar” continuem vivas. Células cancerosas mais agressivas, no entanto, aprendem a driblar esse mecanismo, o que lhes permite circular pela corrente sanguínea e formar tumores em outros órgãos.

É aí que a SDC4 entra em cena: embora a proteína seja produzida normalmente pelas células para ajudar na adesão aos tecidos, sua produção em excesso está associada ao avanço da doença, blindando as células tumorais contra a anoikis.

Experimentos

Para testar essa hipótese, a equipe usou células endoteliais (de vasos sanguíneos) de coelhos, mantendo-as artificialmente soltas em cultura, sem qualquer superfície de fixação. Como esperado, a maior parte morreu, mas uma pequena fração, menos de 5%, resistiu e se tornou mais agressiva, produzindo SDC4 em excesso.

Ao desligar geneticamente o gene da SDC4 nessas células sobreviventes, os pesquisadores observaram que elas perdiam o comportamento maligno e voltavam a depender da fixação física para sobreviver. Segundo Lopes, essa reversão aumentou a morte celular programada e reduziu a capacidade de invasão, reforçando o potencial da SDC4 como alvo para barrar a metástase antes que ela se instale. A confirmação em células humanas, incluindo células tumorais, ainda é uma etapa pendente.

O estudo também revelou o mecanismo interno: silenciar a SDC4 aumentou a produção da p27, uma proteína que naturalmente freia a divisão celular, e ajudou a reequilibrar ciclinas e CDKs, responsáveis por regular o ritmo da multiplicação celular.

Financiamento

A pesquisa teve apoio da FAPESP e foi desenvolvida durante o mestrado de Bianca Zaia F. Ferreira, com financiamento adicional do CNPq, da Capes e da Finep.

O grupo agora investiga se o canabidiol (CBD), composto não psicoativo da Cannabis sativa, pode interferir na atividade da SDC4. De acordo com Lopes, a ideia é verificar se o composto consegue reverter o comportamento maligno de células resistentes à anoikis, modulando a expressão da proteína ou as vias de sinalização envolvidas, uma linha de investigação ainda em fase preliminar.

O artigo original, “SDC4 silencing promotes cell cycle arrest at the restriction point (R point) in anoikis-resistant endothelial cells”, está disponível em: link.springer.com/article/10.1007/s10616-026-00931-x

*Com informações da Agência Fapesp.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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