9 de julho de 2026

Começa a brotar o ciclo da soberania, por Luís Nassif

Com uma mescla de Mussolini com Calígula governando os EUA, a instabilidade avança, trazendo à tona a questão da soberania e do nacionalismo.
Criação Baphomets - Dreamstime - Reprodução

Hans-Joachim Koellreutter inspirou análise do ciclo da financeirização no Brasil e seu esgotamento atual.
Linch destaca o fim da globalização financeira e o aumento da soberania diante da crise global e instabilidade.
O Brasil e Lula ganham foco internacional, com potencial em bioeconomia e energia verde para novo ciclo.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O grande maestro Hans-Joachim Koellreutter tinha uma frase de enorme conteúdo histórico. O mundo, dizia ele, é uma espiral: sempre volta ao mesmo lugar, algumas voltas acima.

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Usei essa imagem em meu “Os Cabeças de Planilha”, analisando a semelhança entre o ciclo da financeirização brasileira que resultou no Encilhamento e o período pós-Real. As características são idênticas: um período de grandes mudanças tecnológicas que impulsionam a globalização, especialmente a das finanças. Seguem-se crises variadas, até que o ciclo se esgota, abrindo espaço para um ciclo de defesa da soberania.

Linch vê sinais claros do esgotamento de um ciclo e do início de outro. Os motivos são idênticos. A globalização gera um conjunto enorme de problemas. Provoca também a ascensão de novas potências e a reação da potência em declínio. Há o fracasso das organizações multilaterais que garantiam algum espaço para negociações — no início do século passado, a Liga das Nações; agora, a Organização das Nações Unidas.

Some-se a isso uma mescla de Mussolini com Calígula governando os Estados Unidos, e a instabilidade se abate sobre todo o planeta, trazendo à tona a questão da soberania e do nacionalismo.

Há ainda o fato de que, nesse mundo de conflitos, o modo de ser brasileiro — expurgado do terrível período bolsonarista — representa o que o mundo deixou de ser: a alegria, a esperança mesmo na miséria, a informalidade, a musicalidade. Some-se o fator Lula, o papel essencial que o presidente desempenha em um mundo conturbado, como a grande bandeira contra o individualismo doentio de uma época em chamas. Mesmo que, internamente, tenha sido contido pelas restrições políticas e se limitado a empurrar as soluções com a barriga.

Tudo isso volta a jogar o foco sobre o país — foco que, de certo modo, já existira na década de 2000, quando o Bolsa Família e as Conferências Nacionais deram visibilidade às políticas sociais brasileiras.

Lembro-me bem do verde-amarelo conquistando as praias e o imaginário da Europa. Tive discussões jornalísticas com meu colega Clóvis Rossi, militante do pessimismo. Mas as conversas com executivos franceses e italianos comprovaram: a informalidade e o modo de ser brasileiro estavam conquistando o mundo.

Pelo cenário traçado por Linch, a bandeira da soberania crescerá cada vez mais. A questão é saber até que ponto os novos tempos serão aproveitados por Lula 4 na montagem de um Plano de Metas capaz de juntar as possibilidades abertas pelas terras raras, pela energia verde e pela bioeconomia da Amazônia — para finalmente preparar o caminho do desenvolvimento, embaçado por vinte anos de políticas passivas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    9 de julho de 2026 11:11 am

    Eu estava me aquecendo ao sol de olhos fechados no inverno brasileiro então me ocorreu uma ideia. Eu vou chama-la ironicamente de ideia solar, muito embora ela seja o oposto disso. Essa ideia solar é simples:
    Sob o comando de Donald Trump, os americanos não querem reconquistar a hegemonia que perderam; isso é impossível, quer porque os EUA não tem a mesma imensa capacidade industrial diversificada e eficiente da China, quer porque os parceiros europeus dos EUA envelheceram e se tornaram obsoletos e prisioneiros de uma longa história de conflitos com a Rússia que os impede de perceber a necessidade deles de se relacionarem pacificamente com os russos. Então, sob o comando de Trump o que os americanos realmente querem (mas não de forma consciente, porque conscientemente eles são vítimas do mito de que os EUA pode tornar possível o impossível) é morrer numa guerra nuclear cataclísmica que os libertará da necessidade de olhar para seus próprios problemas e resolvê-los internamente com os recursos que eles desperdiçam em aventuras militares. O sol, inspirador dessa ideia solar, pode eventualmente estar certo. A maioria dos americanos conseguirá a morte trágica que quer, mas então os sobreviventes dirão que não queriam isso. Porque é na natureza deles acreditar que podem receber algo diferente do que realmente querem.
    Esperem pelo sol.
    Ele vai nascer no seu quintal
    Esperem pelo sal.
    Ele não salgará a sua porta da frente.
    Esperem pelo sol de sal.
    Ele fará nascer cogumelos
    Por todo EUA.
    Recebam o que querem.
    E naveguem
    para o Inferno na terra

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