O grande maestro Hans-Joachim Koellreutter tinha uma frase de enorme conteúdo histórico. O mundo, dizia ele, é uma espiral: sempre volta ao mesmo lugar, algumas voltas acima.
Usei essa imagem em meu “Os Cabeças de Planilha”, analisando a semelhança entre o ciclo da financeirização brasileira que resultou no Encilhamento e o período pós-Real. As características são idênticas: um período de grandes mudanças tecnológicas que impulsionam a globalização, especialmente a das finanças. Seguem-se crises variadas, até que o ciclo se esgota, abrindo espaço para um ciclo de defesa da soberania.
Linch vê sinais claros do esgotamento de um ciclo e do início de outro. Os motivos são idênticos. A globalização gera um conjunto enorme de problemas. Provoca também a ascensão de novas potências e a reação da potência em declínio. Há o fracasso das organizações multilaterais que garantiam algum espaço para negociações — no início do século passado, a Liga das Nações; agora, a Organização das Nações Unidas.
Some-se a isso uma mescla de Mussolini com Calígula governando os Estados Unidos, e a instabilidade se abate sobre todo o planeta, trazendo à tona a questão da soberania e do nacionalismo.
Há ainda o fato de que, nesse mundo de conflitos, o modo de ser brasileiro — expurgado do terrível período bolsonarista — representa o que o mundo deixou de ser: a alegria, a esperança mesmo na miséria, a informalidade, a musicalidade. Some-se o fator Lula, o papel essencial que o presidente desempenha em um mundo conturbado, como a grande bandeira contra o individualismo doentio de uma época em chamas. Mesmo que, internamente, tenha sido contido pelas restrições políticas e se limitado a empurrar as soluções com a barriga.
Tudo isso volta a jogar o foco sobre o país — foco que, de certo modo, já existira na década de 2000, quando o Bolsa Família e as Conferências Nacionais deram visibilidade às políticas sociais brasileiras.
Lembro-me bem do verde-amarelo conquistando as praias e o imaginário da Europa. Tive discussões jornalísticas com meu colega Clóvis Rossi, militante do pessimismo. Mas as conversas com executivos franceses e italianos comprovaram: a informalidade e o modo de ser brasileiro estavam conquistando o mundo.
Pelo cenário traçado por Linch, a bandeira da soberania crescerá cada vez mais. A questão é saber até que ponto os novos tempos serão aproveitados por Lula 4 na montagem de um Plano de Metas capaz de juntar as possibilidades abertas pelas terras raras, pela energia verde e pela bioeconomia da Amazônia — para finalmente preparar o caminho do desenvolvimento, embaçado por vinte anos de políticas passivas.
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Fábio de Oliveira Ribeiro
9 de julho de 2026 11:11 amEu estava me aquecendo ao sol de olhos fechados no inverno brasileiro então me ocorreu uma ideia. Eu vou chama-la ironicamente de ideia solar, muito embora ela seja o oposto disso. Essa ideia solar é simples:
Sob o comando de Donald Trump, os americanos não querem reconquistar a hegemonia que perderam; isso é impossível, quer porque os EUA não tem a mesma imensa capacidade industrial diversificada e eficiente da China, quer porque os parceiros europeus dos EUA envelheceram e se tornaram obsoletos e prisioneiros de uma longa história de conflitos com a Rússia que os impede de perceber a necessidade deles de se relacionarem pacificamente com os russos. Então, sob o comando de Trump o que os americanos realmente querem (mas não de forma consciente, porque conscientemente eles são vítimas do mito de que os EUA pode tornar possível o impossível) é morrer numa guerra nuclear cataclísmica que os libertará da necessidade de olhar para seus próprios problemas e resolvê-los internamente com os recursos que eles desperdiçam em aventuras militares. O sol, inspirador dessa ideia solar, pode eventualmente estar certo. A maioria dos americanos conseguirá a morte trágica que quer, mas então os sobreviventes dirão que não queriam isso. Porque é na natureza deles acreditar que podem receber algo diferente do que realmente querem.
Esperem pelo sol.
Ele vai nascer no seu quintal
Esperem pelo sal.
Ele não salgará a sua porta da frente.
Esperem pelo sol de sal.
Ele fará nascer cogumelos
Por todo EUA.
Recebam o que querem.
E naveguem
para o Inferno na terra
GalileoGalilei
9 de julho de 2026 5:17 pmQuem viu Apocalipse nos Trópicos de Petra Costa (quem não viu precisa ver) tomou conhecimento, pelas palavras de Silas Malafaia, que o objetivo de uma certa corrente religiosa é exatamente este: “o final dos tempos“, “o arrebatamento. Essa corrente religiosa não é originaria do Brasil, mas sim proveniente dos Estados Unidos e exportada através de maciços financiamentos, em diversos países do mundo, promovidos por bilionários religiosos, dessa ideia de que quanto mais cedo ocorrer o “fim dos tempos“, mais cedo chegará o momento do grande arrebatamento – no qual seguidores de Cristo, os então vivos e os já mortos, “subirão para o céu ao encontro do Senhor Jesus Cristo nos ares” [serão arrebatados…] – Citação da Wikipédia. Esse desejo, Fábio, que você atribui aos norteamericanos, (não todos, certamente) não é inconsciente, mas sim consciente, é propagado por pregadores religiosos bastante poderosos financeiramente. Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Arrebatamento_cristão e https://www.tpr.org/news/2024-02-25/three-west-texas-billionaires-are-pushing-texas-to-the-far-right
Antonio Uchoa Neto
9 de julho de 2026 3:38 pmA soberania somente chegará ao Brasil quando deixarmos de malbaratar nossos recursos, nossas reservas naturais, nossas descobertas como nióbio e terras raras, nosso petróleo – RIP Fundo soberano -, enfim, quando pusermos de lado nossa única excepcionalidade: a de desperdiçar, sistematicamente, todas as chances e ‘janelas de oportunidade’ que tem se apresentado aos nossos dirigentes ao longo dos tempos. Plano de Metas? O de sempre: vender nossas riquezas a preço de banana. Lula? Lamentavelmente, vai se conformar, tal e qual o Barack Obama, em ter sido o primeiro presidente operário do país, assim como Obama ficará na História como primeiro presidente negro dos EUA. Sugestão de lápide para Lula: “Esse é(ra) o Cara!”
GalileoGalilei
9 de julho de 2026 9:26 pmE quem deve ser o cara?
Antonio Uchoa Neto
10 de julho de 2026 8:55 amAlguém que não abjure das ideias e ideais que o tornaram alguém digno de confiança e crédito, amigo, como fez o seu xará, e, infelizmente, está fazendo Lula – em quem eu voto, ininterruptamente, desde a morte de Leonel Brizola.
GalileoGalilei
11 de julho de 2026 12:51 pmO pessoal da terceira via continua lamentando não ter ninguém no cenário político em quem votar. Uma parte da esquerda parece padecer de mal similar. Da minha parte agradeço aos deuses a existência da opção Lula. Lula fez muito, mas não é Deus. Sabemos como a nossa elite procura sabotar o nosso futuro como país e do que é capaz para tanto. Saber navegar nesse mar revolto e hostil sem afundar é uma arte.
GalileoGalilei
10 de julho de 2026 11:47 amUma referência melhor para entender essa corrente religiosa, também conhecida por “dominionistas“, é: https://www.nytimes.com/2024/10/02/magazine/texas-politics-billionaire-preachers.html
GalileoGalilei
10 de julho de 2026 5:42 pmColoquei esse comentário no lugar errado. Foi mal. Deveria tê-lo colocado acima, como complemento à minha resposta ao Fábio.
GalileoGalilei
9 de julho de 2026 4:24 pmLinch? Quem?
J PULITZER DA VIDA
9 de julho de 2026 5:33 pmNÃO HAVERÁ SOBERANIA ENQUANTO HOUVER A COLOSSAL SANGRIA MONETÁRIA FINANCEIRA DOS RECURSOS.PÚBLICOS AO.BC E CONGRESSO AO QUAL TOMARAM AS CHAVES DO COFRE DO PAÍS E TUDO SOBRE O SILÊNCIO E APOIO DA MÍDIA TRADICIONAL DOS BILIONÁRIOS PRIVATISTAS MIMADOS,AFF O BRASIL ESTÁ TOMADO POR.GANGUES COM O ÚNICO OBJETIVO DE LUCRAR A QQ CUSTI,AFF !!!