9 de julho de 2026

MPF pressiona Paraíba a impor limite inédito para torres eólicas perto de casas

Recomendação quer criar barreira de 1,5 km para proteger moradores; medida inédita pode virar regra nacional
Foto: Divulgação/Ari Versiani/PAC - via Agência Brasil

▸ MPF recomenda à Paraíba sanção de lei que impõe distância mínima de 1,5 km entre torres eólicas e residências.

▸ Lei seria a primeira no Brasil a fixar limite; Nordeste concentra 95% da produção eólica nacional.

▸ MPF cita riscos à saúde por infrassons e efeito estroboscópico; expansão eólica local preocupa comunidades.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Ministério Público Federal (MPF) enviou uma nota técnica ao governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), recomendando a sanção do projeto de lei que estabelece uma distância mínima de 1,5 km entre torres de energia eólica e qualquer tipo de edificação residencial ou pública. A proposta, aprovada pela Assembleia Legislativa em 18 de junho, visa conter os impactos à saúde e ao bem-estar das comunidades vizinhas aos complexos energéticos. As informações são do colunista Carlos Madeiro, no portal UOL.

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Se sancionada, a legislação será a primeira no Brasil a fixar um limite desse tipo. Atualmente, o país ocupa o quinto lugar no ranking mundial de geração eólica, com 1.131 complexos instalados até 2025 e capacidade de 34,5 GW, o equivalente a 16% da matriz elétrica nacional, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). O Nordeste concentra 95% dessa produção.

De acordo com informações do colunista Carlos Madeiro, do UOL, o tema mobiliza procuradores de todo o país. “A gente está em uma grande expectativa de que o governador sancione, e a gente tem um primeiro parâmetro para o Brasil todo de proteção, de proteção às pessoas. Isso pautaria o tema em nível nacional porque não tem nenhuma norma sobre isso no país.”, afirma José Godoy, procurador da República, autor da

Riscos à saúde

De acordo com nota técnica, assinada pelo procurador da República José Godoy, que também é coordenador do Grupo de Trabalho nacional que discute os impactos socioambientais das energias renováveis, a proximidade excessiva dos aerogeradores se tornou um problema de saúde pública no interior do Nordeste.

O documento do MPF relata casos de moradores afetados pela Síndrome da Turbina Eólica e pela Doença Vibroacústica, distúrbios associados à exposição contínua a infrassons que podem comprometer os sistemas cardiovascular e nervoso.

Moradores também sofrem com o ruído constante, que se intensifica no período noturno e frequentemente desobedece aos limites da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Outro problema citado é o efeito estroboscópico (shadow flicker), fenômeno em que o movimento das pás cria sombras intermitentes nas residências, provocando desconforto visual e náuseas.

Expansão acelerada

O MPF fundamenta o pedido nos princípios constitucionais da prevenção e da precaução, argumentando que o Estado tem o dever de mitigar danos à população diante da rápida expansão do setor. Apenas na Paraíba, há previsão de instalação de 58 novos projetos eólicos, o que deve mais do que duplicar a capacidade de geração local. Desse total, 98% dos empreendimentos pertencem a empresas estrangeiras.

A urgência do debate ganhou força após relatos de famílias no semiárido que abandonaram suas propriedades rurais devido ao incômodo provocado pelas usinas.

Procurada pelo colunista do UOL, a Abeeólica não se manifestou sobre a recomendação atual da Paraíba. Anteriormente, a entidade havia dito que os parques com estruturas a menos de 500 metros das casas são antigos e que os projetos mais recentes adotam um recuo mínimo de 400 metros.

Esses parque antigos foram feitos sob outra legislação e com menos conhecimento. A partir de 2019, começamos a ouvir as comunidades e buscar soluções“, disse a presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum, em declaração anterior sobre o tema.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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