O senador norte-americano Lindsey Graham, um dos nomes mais influentes do Partido Republicano nas últimas duas décadas, morreu na noite deste sábado (11), aos 71 anos. A informação foi divulgada pelo próprio gabinete do político, na rede social X, no início da madrugada deste domingo (12).
Segundo o comunicado, Graham morreu em decorrência de uma doença súbita e de curta duração. A causa exata não foi revelada, e a família pediu privacidade neste momento. De acordo com a rede americana NBC, o serviço de emergência foi acionado para atender a uma parada cardíaca na residência do senador em Washington D.C., mas essa informação ainda não foi confirmada oficialmente.
Graham era senador pela Carolina do Sul e estava entre os principais conselheiros do presidente Donald Trump em temas de política externa. Ele estava escalado para participar, neste domingo, do programa dominical “Meet the Press”, da NBC.
Ascensão política
Nascido em uma família de classe média baixa na cidade de Central, na Carolina do Sul, Graham cresceu ajudando os pais, donos de um bar próximo à casa da família. Formou-se em Direito e atuou como advogado na Justiça Militar antes de ingressar na vida pública.
Sua trajetória eleitoral começou em 1992, quando foi eleito deputado estadual. Em 1994, chegou à Câmara dos Representantes, pelo terceiro distrito da Carolina do Sul, e ganhou projeção nacional em 1999, ao integrar a comissão que aprovou o processo de impeachment do então presidente Bill Clinton. Em 2002, foi eleito para o Senado dos EUA, onde permaneceu por mais de duas décadas.
Recentemente, presidia a Comissão de Orçamento do Senado e também integrava as comissões de Apropriações, Judiciária e de Meio Ambiente e Obras Públicas.
De crítico a aliado de Trump
A relação de Graham com Trump nem sempre foi próxima. Antes de 2016, quando disputou sem sucesso a indicação republicana à Presidência contra o próprio Trump, o senador chegou a classificá-lo publicamente como despreparado para o cargo, e a criticá-lo duramente após comentários depreciativos sobre John McCain — seu melhor amigo no Senado e um dos integrantes do grupo apelidado de “Três Amigos”, ao lado do ex-senador Joe Lieberman.
A postura mudou depois da vitória de Trump nas eleições de 2016. Graham se tornou um dos aliados mais próximos do presidente, passou a acompanhá-lo com frequência em partidas de golfe e endureceu seu discurso em temas como imigração, até então tratados de forma mais moderada. Em entrevista à Associated Press em 2018, ele explicou a mudança dizendo que aprendera com McCain que, após uma eleição, existe uma espécie de dever de colaborar com quem venceu.
O apoio a Trump chegou a ser interrompido brevemente após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando Graham declarou publicamente que rompia relações com o então presidente. Pouco depois, no entanto, os dois se reaproximaram, e o senador seguiu como um dos principais aliados de Trump durante o segundo mandato, inclusive participando de tentativas de contestar o resultado da eleição de 2020 vencida por Joe Biden.
Nos últimos dias, Graham integrou uma delegação em visita a Kiev, capital da Ucrânia, onde anunciou avanços em um pacote de sanções dos EUA contra a Rússia, um reflexo de sua defesa histórica de uma política externa mais intervencionista e de fortalecimento da defesa nacional americana.
Repercussão
Em publicação no Truth Social, Trump lamentou a morte do senador, chamando-o de uma das melhores pessoas que já conheceu e destacando sua dedicação ao trabalho e ao país.
O líder da maioria no Senado, John Thune, também prestou homenagem ao colega, citando os anos que Graham dedicou à Força Aérea e ao Congresso e o papel do senador na defesa de aliados dos EUA ao redor do mundo.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse estar profundamente entristecido com a notícia e descreveu Graham como um defensor da liberdade. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, lamentou a perda de um grande amigo pessoal e de Israel, afirmando que o senador entendia a segurança israelense e americana como inseparáveis.
O governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, também republicano, classificou Graham como insubstituível. Pela legislação estadual, caberá a McMaster nomear um substituto temporário, que ocupará o cargo até janeiro, já que os republicanos têm hoje uma maioria apertada de 53 a 47 cadeiras no Senado.
Vida pessoal
Graham não era casado e não tinha filhos. Morava em Seneca, na Carolina do Sul, e sua parente viva mais próxima é a irmã, Darline Graham Nordone, que ele ajudou a criar depois que os dois perderam os pais.
A morte de Graham ocorre em um momento de maior atenção à transparência sobre a saúde de parlamentares americanos: o deputado Tom Kean Jr. (R-NJ) recentemente revelou ter sido afastado por depressão, enquanto o senador Mitch McConnell (R-KY) foi hospitalizado semanas atrás por motivos ainda não divulgados.
*Com informações do g1 e CNN.
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