O Irã lançou ataques neste domingo (12) contra alvos ligados aos Estados Unidos em quatro países do Golfo Pérsico — Jordânia, Kuwait, Omã e Catar —, em resposta a uma nova rodada de bombardeios americanos contra seu território. A mídia estatal iraniana afirma que a ofensiva dos EUA já matou um militar do país.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e detalhou uma série de ações contra instalações associadas aos EUA na região: a destruição de um centro de comando e controle e de hangares de drones na Jordânia; um ataque a um radar americano no Kuwait; a destruição de plataformas usadas para apoio e reabastecimento de porta-aviões dos EUA em Omã; e a destruição de um centro de manutenção de jatos e de uma instalação de comando no Catar.
Autoridades dos Emirados Árabes Unidos inicialmente informaram ter interceptado mísseis e drones vindos do Irã, mas depois esclareceram que as ameaças detectadas estavam além das fronteiras do país. No Bahrein, sirenes de alerta foram acionadas.
O Catar confirmou ter interceptado mísseis iranianos e relatou que três pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas por estilhaços. O governo catari classificou os ataques a países vizinhos como uma escalada grave, que dificulta os esforços para reduzir as tensões na região. Já a agência estatal jordaniana informou que três mísseis disparados do território iraniano causaram apenas danos materiais leves, sem vítimas.
Resposta iraniana
A ofensiva americana que antecedeu os ataques foi confirmada pelo Comando Central das Forças Armadas dos EUA, que informou ter atingido 140 alvos militares iranianos no sábado (11), dentro de um total superior a 300 ao longo de três noites consecutivas de bombardeios, com o objetivo declarado de reduzir a capacidade do Irã de atacar navios civis e comerciais que cruzam o Estreito de Ormuz. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, publicou nas redes sociais que o Irã fez uma escolha ruim e agora arca com as consequências.
Explosões foram registradas no sul do Irã, nas cidades de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm, além da província de Khuzistão, na fronteira com o Iraque, sem relatos imediatos de vítimas naquele momento. Segundo as agências iranianas Mehr e Tasnim, um militar da Marinha das Forças Armadas iranianas morreu durante o bombardeio ao porto de Jask.
Em resposta, o Irã declarou ter fechado o Estreito de Ormuz e disparado tiros de advertência contra embarcações que teriam ignorado avisos ao tentar seguir rotas não autorizadas, uma delas, segundo a Guarda Revolucionária, foi baleada e detida após desligar seus sistemas de rastreamento. Teerã afirmou que o estreito seguirá fechado a qualquer navegação até o fim das operações militares americanas na região.
Neste domingo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO registrou um ataque a cerca de 17 km a leste da Península de Musandam, em Omã, que provocou um incêndio a bordo de uma embarcação e obrigou a tripulação a evacuar em um bote salva-vidas. Autoridades omanis confirmaram o resgate de 23 tripulantes do navio GFS Galaxy, enquanto a busca por um tripulante desaparecido continua.
O chanceler do Paquistão, Ishaq Dar, que atua como mediador no conflito, pediu moderação a ambos os lados.
Diplomacia
No sábado, antes dos ataques a países vizinhos, Irã e Omã haviam realizado negociações sobre a guerra e a segurança da navegação em Ormuz, com participação de uma delegação catari. Autoridades iranianas indicaram que os arranjos futuros para o tráfego no estreito deveriam ser definidos em conjunto pelos Estados costeiros, com discussões adicionais em níveis político, técnico e jurídico.
Mesmo assim, o diálogo não tem se mostrado eficaz para conter o conflito. Em 17 de junho, EUA e Irã haviam assinado um memorando de entendimento com cessar-fogo, prevendo 60 dias para uma solução definitiva para a guerra. Mas desde a última quarta-feira (8), o presidente Donald Trump vem repetindo publicamente que esse acordo terminou.
Um dia antes disso, em 7 de junho, os EUA já haviam bombardeado diversos alvos iranianos, acusando Teerã de atacar três navios comerciais no estreito.
A tensão voltou a subir no sábado, quando o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, disse que a vingança era inevitável, declaração feita após o funeral de seu pai e antecessor, Ali Khamenei, morto por ataques dos EUA e de Israel no início do conflito, em meio a manifestações no Irã pedindo a morte de Trump. Na sexta-feira, diante de notícias sobre um suposto plano iraniano para assassiná-lo, Trump acusou o país de conspiração e reiterou a ameaça de destruir por completo todas as regiões do Irã caso o regime tente atentar contra sua vida.
*Com informações do g1.
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