28 de julho de 2026

Fome global recua pelo terceiro ano seguido, mas ONU alerta para desigualdades regionais persistentes

Relatório estima que 645 milhões de pessoas passaram fome em 2025; conflitos, eventos climáticos extremos e alta no custo ameaçam avanços
Foto de Jason Briscoe na Unsplash

A fome global diminuiu pelo terceiro ano consecutivo em 2025, mas o avanço permanece insuficiente para colocar o mundo na trajetória de erradicação da fome até 2030. É o que aponta a edição de 2026 do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI), divulgado nesta terça-feira por cinco agências das Nações Unidas.

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Segundo o documento, 7,8% da população mundial enfrentou fome em 2025, o equivalente a cerca de 645 milhões de pessoas. O número representa uma redução de aproximadamente 14 milhões em relação a 2024 e de 43 milhões na comparação com 2022.

Apesar da melhora global, a recuperação ocorre de forma desigual. A Ásia e a América Latina registraram avanços consistentes, enquanto a África concentra atualmente cerca de 309 milhões de pessoas em situação de fome, tornando-se a região mais afetada em números absolutos. Mais da metade da população africana também enfrenta insegurança alimentar moderada ou grave.

Embora a tendência de crescimento anterior na África esteja começando a se estabilizar, com a parcela da população que enfrenta a fome diminuindo de 20,3% em 2024 para 20% em 2025, o continente agora tem o maior número de pessoas que passam fome em termos absolutos, em meio a uma população em rápido crescimento.

Medidas mais abrangentes de acesso a alimentos contam uma história semelhante. Em 2025, estima-se que 25,8% da população mundial (cerca de 2,1 bilhões de pessoas) tenha sofrido insegurança alimentar moderada ou grave, o que significa que, em alguns momentos, foram forçadas a fazer concessões em relação à qualidade ou à quantidade dos alimentos que consumiam.

Este valor representa uma queda em relação aos 27,1% registrados em 2024 e aos 28,7% em 2020 – o equivalente a quase 86 milhões de pessoas a menos do que em 2024 e 135 milhões a menos do que em 2020, embora ainda esteja acima dos níveis pré-pandemia.

O relatório alerta ainda que conflitos, eventos climáticos extremos e a redução da ajuda humanitária podem comprometer os progressos alcançados. As projeções indicam que entre 510 milhões e 520 milhões de pessoas ainda poderão enfrentar a fome em 2030, acima das estimativas anteriores à escalada do conflito no Oriente Médio.

Outro desafio destacado pelas agências da ONU é o custo da alimentação saudável. Em 2025, o gasto mínimo médio para uma dieta nutricionalmente adequada subiu para US$ 4,28 por pessoa ao dia (em paridade de poder de compra). Embora o número de pessoas incapazes de arcar com esse custo tenha diminuído para 2,69 bilhões, o acesso continua limitado, especialmente na África, onde dois terços da população não conseguem pagar por uma alimentação saudável.

O relatório foi elaborado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (IFAD), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa Mundial de Alimentos (WFP) e Organização Mundial da Saúde (OMS).

As entidades defendem investimentos em infraestrutura, cadeias de abastecimento, pesquisa agrícola e políticas públicas para reduzir o custo dos alimentos nutritivos e acelerar o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de erradicação da fome.

Clique aqui e veja a íntegra do relatório

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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