A economia dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo dos 2,1% registrados no primeiro trimestre e também inferior à expectativa do mercado, que projetava expansão de 1,8%.
Os dados reforçam um cenário de desaceleração da atividade econômica, embora os principais motores da demanda doméstica permaneçam resilientes.
As informações foram divulgadas pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, e destacam o papel do consumo das famílias e do ciclo de investimentos em inteligência artificial (IA) como principais sustentáculos da economia americana.
O segundo trimestre foi marcado pelos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio, especialmente sobre os mercados de energia: a elevação dos preços do petróleo pressionou custos para empresas e consumidores, afetando cadeias de suprimentos e mantendo a inflação acima da meta perseguida pelo Federal Reserve (Fed).
Além disso, fatores contábeis ligados ao aumento das importações e à redução dos estoques empresariais reduziram o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mesmo sem indicar necessariamente uma perda significativa da demanda interna.
Por essa razão, economistas observam com atenção um indicador considerado mais representativo da atividade econômica: as vendas finais reais para compradores domésticos, que excluem os efeitos do comércio exterior e das oscilações de estoques.
Esse indicador avançou 3,9% no segundo trimestre, acelerando em relação aos 1,7% registrados no início do ano.
Consumo continua sustentando a atividade
O consumo das famílias — responsável por cerca de dois terços da economia americana — cresceu 3,2% em ritmo anualizado, uma recuperação significativa após a expansão de apenas 0,5% no primeiro trimestre.
Ao mesmo tempo, os investimentos empresariais aumentaram 8,4%, impulsionados principalmente pelos gastos com equipamentos, softwares e infraestrutura tecnológica ligada à inteligência artificial.
Segundo o The New York Times, o ciclo de expansão da IA continua provocando uma corrida por investimentos em data centers, chips, sistemas de computação em nuvem e infraestrutura energética necessária para suportar esses equipamentos.
Embora os investimentos em IA estejam sustentando parte importante da expansão econômica, analistas observam que eles também produzem efeitos estatísticos sobre o PIB.
Grande parte dos equipamentos utilizados na construção de data centers é importada, o que aumenta as importações e reduz parcialmente a contribuição líquida desses investimentos para o crescimento do produto.
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