11 de agosto de 2026

Crise na Apex Partners expõe rombo milionário, afastamentos e risco para investidores

Empresa enfrenta investigação sobre inconsistências financeiras, suspensão de saques e pressão judicial; passivo pode chegar a R$ 1,4 bilhão
Fachada da Apex Partners, no Espírito Santo. Foto: Reprodução Google Street View

Apex Partners do ES enfrenta rombo de R$ 500 mi, com afastamento da cúpula e auditoria externa em curso.
BTG Pactual suspende saques e rompe contrato; empresa demite 80% do quadro após crise financeira.
Investidores devem checar aplicação; R$ 9 bi em ativos estão protegidos, mas fundos internos correm risco.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Fundada em 2013, a Apex Partners consolidou-se como o epicentro do mercado de capitais no Espírito Santo, orquestrando um ecossistema com R$17,5 bilhões em ativos sob influência. 

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O castelo de cartas começou a ruir na última semana: em 06 de agosto, descobriu-se um rombo financeiro inicialmente estimado em R$ 500 milhões, dos quais R$ 300 milhões foram captados diretamente de empresas locais, deflagrando o que interlocutores já batizaram de “Compliance Zero”.

O apelido “Master Capixaba”, que circula nos bastidores da Faria Lima e da Enseada do Suá, não é apenas um trocadilho; é um alerta sobre a gravidade das inconsistências que paralisaram o maior player financeiro do estado.

A Queda da Cúpula: Inconsistências e Afastamentos

A reação do Conselho de Administração foi um expurgo imediato. Diante de evidências de “gestão temerária” e indícios de “má-fé”, a alta cúpula foi desmantelada para tentar estancar a sangria de credibilidade.

  • Afastamentos Sumários: O fundador e presidente, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, e o diretor financeiro (CFO), Eduardo Siqueira, foram removidos de suas funções após a identificação de omissões estratégicas de informações ao próprio Conselho.
  • Comando Interino: Marcelo Murad, veterano com 25 anos de mercado, assumiu a presidência com a missão de manter a operacionalidade mínima.
  • Pente-fino: Uma auditoria externa independente foi contratada para dimensionar o impacto real e rastrear o destino dos recursos.
  • Limpeza de Imagem: Em um movimento simbólico de distanciamento, a Apex removeu todas as fotografias de Cinelli de seus canais oficiais, alegando “coerência” com as investigações de irregularidades regulatórias da CVM.

Por que o Caso é Tão Grave?

Diferente de um banco comercial, a Apex atua como uma plataforma de soluções financeiras e investment banking. Ela conecta quem tem capital a projetos estruturados, operando em frentes de assessoria, gestão de fortunas e crédito corporativo. 

Neste caso, a grande vulnerabilidade para o investidor reside na estrutura jurídica: por não possuir licença de banco múltiplo, a Apex não oferece a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

CaracterísticaBanco Comercial TradicionalPlataforma de Investimentos (Apex)
Principal AtividadeDepósitos e empréstimos de varejo.Gestão, M&A e mercado de capitais.
Proteção ao ClienteCobertura do FGC (até R$ 250 mil).Sem cobertura do FGC.
Risco EstruturalBaixo (risco da instituição mitigado).Exposição direta à saúde da gestora.
RegulaçãoBanco Central.CVM e Banco Central.

BTG Pactual, Saques Travados e Contágio Nacional

O impacto ultrapassou as fronteiras capixabas. O Banco BTG Pactual rescindiu o contrato de distribuição com a DRM Apex Investimentos por descumprimento de normas regulatórias. 

O fundo BRM Carbyne FIC FIDC (R$160,5 milhões e 909 cotistas) teve os saques suspensos pelo administrador (BTG) devido a uma corrida descontrolada por liquidez.

Sem fôlego de caixa, a empresa desligou cerca de 80% de seu quadro funcional em um único fim de semana, atingindo majoritariamente profissionais sob contrato PJ.

O “contágio” atingiu inclusive o mercado de capitais listado, com Fernando Cinelli renunciando ao seu assento no Conselho de Administração da CVC Corp imediatamente após o escândalo.

A Batalha Jurídica e o Abismo Financeiro

A Apex buscou socorro no Judiciário para obter uma liminar cautelar de proteção. Embora a empresa evite o rótulo de “Recuperação Judicial”, a Justiça estabeleceu um prazo crítico de 30 dias para que a companhia decida se ingressará com o pedido formal de RJ, caso a auditoria confirme a insolvência.

Radiografia do Passivo (Dados de Juízo vs. Mercado)

IndicadorValor / Detalhe
Dívida Bruta (em juízo)R$ 986 milhões
Passivo Total (projeção de mercado)R$ 1,4 bilhão
Capital SocialR$ 10,7 milhões
Preço da Ação (Assembleia Dez/2025)R$ 56,05

Nota: O abismo entre o capital social de R$10,7 milhões e o passivo de R$1,4 bilhão evidencia a fragilidade da garantia patrimonial dos sócios frente aos credores.

Alcance da Blindagem Judicial:

  • Protegido (60 dias): Patrimônio direto da Apex Partners para manutenção de atividades.
  • Fora do Alcance (Segregados): Fundos de investimento, CRIs, CRAs e SPEs com patrimônio de afetação.

Conexões Políticas e o “Fator Salume”

A crise ocorre em um momento de altíssima sensibilidade geopolítica. O quadro societário da Apex conta com Victor Casagrande (filho do ex-governador Renato Casagrande) e Pedro Chieppe (filho do atual governador Ricardo Ferraço). 

O escândalo explode justamente quando Ricardo Ferraço prepara sua campanha de reeleição e Renato Casagrande mira a disputa para o Senado em 2026, colocando as famílias sob intenso escrutínio público.

Soma-se a isso a controversa “porta giratória” de Rogério Salume (ex-Wine). A cronologia levanta suspeitas de conflito de interesses:

  • Fevereiro/2024: Salume vende sua participação na Wine em operação liderada por Cinelli (Apex).
  • Maio/2024: Apenas três meses depois, Salume ingressa no governo para liderar a Invest-ES.
  • Janeiro/2026: Como Secretário de Desenvolvimento, Salume passou a supervisionar o Conselho do Fundo Soberano (Funses), cujos R$500 milhões do Fundo de Descarbonização são operados pelo BTG Pactual, parceiro histórico da Apex.

Próximos Passos e Orientações ao Investidor

O desdobramento agora migra para a esfera criminal. Os sócios remanescentes buscam o bloqueio de bens pessoais de Fernando Cinelli, alegando que as “inconsistências” foram fruto de atos deliberados.

Guia de Proteção ao Investidor:

  1. Segregação Patrimonial: Cerca de R$9 bilhões em ativos de clientes estão custodiados no BTG Pactual em títulos públicos e ativos seguros. Estes não correm risco direto da Apex.
  2. Risco Concentrado: O perigo de perda real foca nos veículos geridos internamente (Carbyne), que representam menos de 3% do total, onde o “Compliance Zero” é mais evidente.
  3. Ação Imediata: Os investidores devem conferir seus extratos de custódia e verificar se os recursos estão em contas segregadas ou se foram aplicados em debêntures ou títulos de dívida direta da própria Apex, estes sim sob risco de calote.

Com ES Hoje, A Gazeta e Times Brasil

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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