Reunidos em Bishkek, capital do Quirguistão, líderes da China, Rússia, Índia, Irã e de nações da Ásia Central realizam nesta segunda-feira (31) a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). O encontro, marcado pelo protagonismo dos presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin, serve de palco para consolidar redes de cooperação fora do eixo de influência de Washington e articular uma alternativa à hegemonia do Ocidente.
Aliança e cooperação energética
A agenda de segunda-feira inclui uma reunião bilateral estratégica entre Xi e Putin. Segundo o assessor do Kremlin para política internacional, Yuri Ushakov, as conversas envolvem o aprofundamento da cooperação econômica e temas globais de prioridade para Moscou e Pequim, como a expansão do gasoduto Força da Sibéria 2. A infraestrutura visa redirecionar o fornecimento de gás da Sibéria Ocidental para o mercado chinês por meio da Mongólia.
Sob forte pressão e sanções ocidentais devido à guerra na Ucrânia, a Rússia encontrou na China um comprador vital para seus recursos energéticos. Em contrapartida, o governo chinês utiliza o alinhamento com o Kremlin para ampliar seu espaço de manobra diplomático e comercial diante das crescentes tarifas e restrições impostas pelos Estados Unidos.
Expansão regional e divisões internas
Fundada em 2001, a OCX chega aos 25 anos reunindo dez países-membros — China, Rússia, Índia, Paquistão, Irã, Belarus, Quirguistão, Cazaquistão, Tadjiquistão e Uzbequistão —, além de parceiros e observadores. Juntas, essas nações representam cerca de 40% da população global e um quarto do PIB mundial.
Apesar da projeção de unidade contra o unilateralismo, o bloco enfrenta heterogeneidade e tensões internas. Países como a Índia buscam preservar sua autonomia geopolítica, equilibrando pontes com os EUA e disputas territoriais com a China, ao mesmo tempo em que mantêm laços com os russos. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também recorre ao fórum para tentar atenuar o isolamento econômico decorrente do agravamento das sanções ocidentais.
A programação do evento se estende até terça-feira (1º) e prevê a assinatura de cerca de 20 acordos bilaterais e multilaterais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, participa da sessão ampliada para defender o fortalecimento do multilateralismo e debater a estabilidade no Oriente Médio.
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