1 de setembro de 2026

Comissão adia novamente votação do fim da “taxa das blusinhas”

MP que zera imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 será analisada nesta quarta-feira (2); comissão ainda negocia ajustes no texto
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Comissão mista adia para quarta-feira a votação da MP 1.357/2026 que zera imposto de importação até US$ 50.
Presidente Reginaldo Lopes e relatora Leila Barros negociam ajustes para equilibrar impactos no comércio e indústria.
MP suspende imposto de importação para pequenas compras, mas mantém ICMS e alíquotas maiores para valores acima de US$ 50.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A comissão mista que analisa a Medida Provisória (MP) 1.357/2026, que zera o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, adiou novamente a votação do relatório.

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A análise, que estava prevista inicialmente para segunda-feira (31) e depois foi remarcada para terça-feira (1º), será retomada nesta quarta-feira (2), às 10h, no Senado.

O presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e a relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), ainda negociam ajustes no texto antes da votação. A medida provisória perde a validade em 8 de setembro e precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado para continuar produzindo efeitos.

O novo adiamento ocorre em meio às negociações sobre os efeitos da isenção para o mercado brasileiro. Entre os pontos em discussão estão o papel dos Correios no transporte das encomendas e a criação de mecanismos para avaliar periodicamente os impactos da medida sobre o comércio e a indústria nacionais.

Ao anunciar a suspensão da reunião, Reginaldo Lopes afirmou que os últimos ajustes são resultado do diálogo entre os parlamentares. Segundo ele, o objetivo é buscar maior equilíbrio entre as remessas internacionais e a economia e a indústria brasileiras.

A MP recebeu 112 emendas durante sua tramitação. Leila Barros havia declarado ser favorável ao texto original, mas também afirmou que ouviria parlamentares, governo e representantes dos setores produtivos antes da apresentação do relatório.

O que muda com a MP

Editada em maio, a medida provisória suspendeu a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas em plataformas certificadas pelo programa Remessa Conforme.

A alíquota zero, porém, não significa que as compras ficam completamente livres de impostos. O ICMS, tributo estadual, continua sendo cobrado. Atualmente, a alíquota varia de 17% a 20%, conforme o estado.

Para compras acima de US$ 50 e até US$ 3 mil dentro do Remessa Conforme, permanece uma alíquota de 60% de Imposto de Importação, com desconto equivalente a US$ 30. Fora do programa, a alíquota federal também é de 60% para remessas de até US$ 3 mil.

A MP ainda autoriza o ministro da Fazenda a alterar as alíquotas do Imposto de Importação no Regime de Tributação Simplificada, podendo reduzi-las a zero para compras de até US$ 50 e a 30% para remessas de até US$ 3 mil.

A manutenção da isenção tornou-se um dos temas prioritários do Congresso nesta semana. O governo defende a medida como uma forma de ampliar o acesso dos consumidores, especialmente os de menor renda, às compras internacionais.

Reginaldo Lopes também argumenta que a tributação deve considerar a diferença entre consumidores que viajam ao exterior e podem trazer produtos dentro das regras de bagagem e aqueles que dependem das compras internacionais feitas pela internet.

Do outro lado, setores da indústria e do varejo nacionais pressionam pela manutenção ou revisão da tributação. O argumento é que a concorrência com produtos importados de baixo custo pode prejudicar empresas brasileiras e empregos.

Estudo da LCA Consultoria Econômica divulgado nesta terça-feira (1º), porém, aponta um quadro mais complexo: entre maio e junho, houve criação de mais de 218 mil empregos formais no país, embora comércio e indústria tenham registrado redução de vagas em alguns segmentos. O setor de logística, por sua vez, abriu mais de 15 mil postos somente em junho, em meio ao avanço do comércio eletrônico internacional.

A comissão precisa concluir sua análise para que a MP siga para os plenários da Câmara e do Senado. O prazo final para aprovação é 8 de setembro. Caso não seja convertida em lei até essa data, a medida perderá validade e a cobrança anterior do Imposto de Importação poderá ser retomada.

Com Agência Câmara de Notícias e Agência Senado

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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