15 de outubro de 2026

Lutando contra forças poderosas, por Arnaldo Cardoso

Muito já se disse que a presente disputa eleitoral pela Presidência do Brasil é muito mais que uma disputa política partidária
Reprodução

Campanha de Lula enfrenta oposição de elites nacionais, estrangeiras e grupos da extrema direita em disputa presidencial no Brasil.
Eleição de 2022 tem impacto geopolítico e atenção internacional devido ao papel estratégico do Brasil na América Latina.
Manifestação histórica na Paulista reuniu cerca de 1 milhão, destacando engajamento jovem e ascensão de novas lideranças de esquerda.

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Lutando contra forças poderosas, por Arnaldo Cardoso

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A campanha para a reeleição do Presidente Lula está lutando contra forças poderosas, nacionais e estrangeiras, dentre elas os operadores financeiros da Faria Lima indiferentes aos problemas do país, expressivos setores do empresariado tradicional avessos a políticas sociais e de proteção ambiental, empresas de comunicação alheias ao interesse público, grupos defensores de valores morais conservadores resistentes a mudanças e reconhecimento de direitos da cidadania e, da arena internacional, contra as big techs que concentram extraordinário poder econômico e político claramente posicionados na disputa, especuladores financeiros, empresas estrangeiras interessadas na livre exploração sem contrapartidas de recursos naturais estratégicos e diferentes atores integrantes de uma rede internacional da extrema direita com projetos ambiciosos de domínio global a partir de suas crenças, valores e interesses.        

Muito já se disse que a presente disputa eleitoral pela Presidência do Brasil é muito mais que uma disputa política partidária, ou mesmo uma disputa entre esquerda e direita e que seu resultado poderá ter profundos impactos sobre a economia brasileira, sobre os rumos do desenvolvimento nacional, sobre o conjunto de políticas públicas voltadas a promoção da igualdade de direitos e a reparação de históricas injustiças que se encontram nas bases das desigualdades  econômicas, políticas e sociais que ainda limitam a efetividade da democracia brasileira.

Ocorrendo em tenso contexto global, com acirradas disputas geopolíticas, a eleição brasileira tem recebido acentuada atenção internacional. Sendo o maior país da América Latina, tanto em termos populacionais quanto econômico, com recursos naturais estratégicos e histórica postura diplomática marcada pela defesa da autodeterminação dos povos, da solução pacífica de conflitos e da soberania nacional, com renovada condenação a ingerência estrangeira em assuntos nacionais, o Brasil tem sido percebido como ator relevante, como costuma ocorrer em momentos de crise mundial.

Particularmente na atual conjuntura internacional, marcada por extremismos – com destaque para o imperialismo americano sob Trump – e pela busca de uma reconfiguração da distribuição do poder mundial, o Brasil e sua política externa ganha importância.

Nesse quadro de extrema gravidade agravado pelo resultado do primeiro turno, com o candidato da extrema direita obtendo vantagem de 2,2 milhões de votos, a reação da campanha para a reeleição de Lula tem produzido resultados que autorizam a esperança na reversão do quadro em favor da democracia brasileira.

A manifestação ocorrida na Avenida Paulista no último domingo (11) que entrou para a história como a maior (cerca de 1 milhão de pessoas) já registrada nesse icônico palco de manifestações políticas do país, revelou além de um imenso apoio popular à reeleição de Lula, como evidenciou o engajamento dos jovens nesse momento crucial da história do país. Antes mesmo da manifestação na Paulista outras já tinham ocorrido em diversas cidades do país por iniciativa de jovens e organizações estudantis.

Outro fato a ser destacado com entusiasmo é a ascensão de novas lideranças políticas da esquerda brasileira, algumas delas que integrarão a Câmara dos Deputados na próxima legislatura, Vale menção aos jovens eleitos Ana Elisa, do PT de Minas Gerais; Guilherme Cortez, do PSOL de São Paulo e Jones Manoel, do PSOL de Pernambuco.

Inteligentemente a equipe da campanha de Lula convocou-os para colaborar com a campanha do 2º turno, especialmente na reformulação da comunicação nas redes sociais digitais. Vale registrar que apenas em uma das redes sociais, o Instagram, Ana Elisa tem 4,6 milhões de seguidores, Guilherme Cortez 1,2 milhão e Jones Manoel 2,4 milhões. Antes mesmo da recente eleição esses jovens já militavam em seus partidos, nas redes sociais e em ações sociais diversas defendendo importantes causas, fortalecendo e qualificando a participação política, para bem da democracia.

Além dos três jovens deputados eleitos mencionados, muitos outros se sensibilizado quanto a gravidade do momento e a importância da participação política cidadã. O próprio Presidente Lula, naquela arriscada entrevista concedida ao Flow nas vésperas do primeiro turno mandou um recado aos jovens convocando-os a serem políticos melhores que ele conseguiu ser. No último sábado, em um evento na Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro em São Paulo, com a presença do Vice Presidente Geraldo Alckmin, da ministra Marina Silva e outras personalidades, o jovem advogado Gustavo Altman, neto do também advogado, jornalista e militante político Max  Altman (1937-2016), fez um belíssimo discurso invocando os melhores valores da democracia e da cultura brasileira e assim declarando seu voto em Lula.

Essa ocupação das ruas e de espaços públicos por jovens brasileiros defendendo a democracia, a diversidade formadora da cultura brasileira e a soberania nacional tem ocupado espaço em importantes jornais e significativos canais de veículos de comunicação no exterior, contrastando com o vergonhoso silencio dos principais veículos de comunicação da mídia tradicional brasileira, que tem ocultado a dimensão dessas manifestações

Se os jovens foram às ruas, comprometidos com a missão histórica de impedir que forças reacionárias, de indisfarçável orientação fascista, ocupe o poder no Brasil, também muitos daqueles que integram os 11% da população com mais de 70 anos, conscientes dos perigos que o momento representa para o país e para o futuro das novas gerações não se furtaram da oportunidade de mais uma vez fazer valer suas vozes.

Uma dessas presenças na manifestação de domingo na Avenida Paulista foi a de Lenina Pomeranz, 93 anos, economista e professora aposentada da Universidade de São Paulo. Aplaudida por muitos jovens na avenida e emocionada ao ouvir agradecimentos de pessoas pelo significado da sua presença, a nonagenária declarou ao final da manifestação ter sido “um dia majestoso da democracia” e disse que estava voltando para casa se sentindo revigorada.

O resultado da primeira pesquisa de intenção de voto (PoderData/AVA) divulgada hoje (13) mostra um avanço de Lula nos últimos cinco dias, reduzindo para 2 pontos a diferença entre os candidatos a Presidência.

Que a consciência cidadã e o apreço pela democracia – ainda que falha e dependente de reformas – livre o Brasil da ruína que ideologias autoritárias e reacionárias, como a história já mostrou, produzem sobre as nações que, ao dançarem sobre o abismo, tropeçam e caem.

Arnaldo Cardoso, cientista político e escritor. 

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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