A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) criticou a realização da sabatina de Flávio Bolsonaro (PL) pela TV Globo após um encontro do candidato com dirigentes da emissora e alertou para o peso das plataformas digitais e do crime organizado na disputa política brasileira.
Em entrevista ao programa TV GGN 20 Horas, na sexta-feira (16), a parlamentar defendeu maior mobilização social e institucional diante dos riscos que, em sua avaliação, ameaçam a democracia.
Para Jandira, a reunião entre o candidato e representantes da emissora antes da entrevista levantou dúvidas sobre a imparcialidade do processo. A deputada afirmou que o encontro poderia favorecer Flávio, que teria a oportunidade de antecipar os temas e preparar suas respostas.
“Como é que uma empresa que vai entrevistar um candidato a presidente horas depois recebe a cúpula dessa empresa, recebe o candidato antes dele ir para essa sabatina?”, questionou.
A parlamentar considerou que o episódio comprometia a isenção da entrevista e disse ter cogitado uma medida judicial para tentar suspender a sabatina. Sua avaliação foi apresentada no programa antes da realização da entrevista de Flávio.
Jandira também contestou o tratamento dado pela imprensa às relações dos candidatos com o Banco Master. Na avaliação dela, as abordagens não deveriam sugerir equivalência entre as situações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro.
A deputada afirmou que não havia envolvimento de Lula com o banco e acusou Flávio de estar relacionado a um caso de corrupção. Essas declarações refletem a posição da parlamentar e não substituem a apuração individual de eventuais responsabilidades.
Disputa eleitoral também passa pelas plataformas digitais
A deputada relacionou a disputa presidencial ao poder econômico e comunicacional das grandes plataformas digitais. Segundo ela, a direita dispõe de estruturas profissionais e recursos financeiros para ampliar sua presença nas redes, enquanto setores da esquerda demoraram a incorporar essa dimensão à estratégia política.
Jandira avaliou que a mobilização digital se tornou tão importante quanto a presença nas ruas. Para enfrentar a circulação de desinformação, defendeu a articulação entre diferentes canais e a divulgação coordenada de mensagens.
“É importante unificar pelo menos duas ou três mensagens por dia”, afirmou, ao argumentar que a repetição coordenada de conteúdos aumenta seu alcance.
A parlamentar também manifestou preocupação com a atuação de empresas de tecnologia durante as eleições e com possíveis relações entre interesses políticos e o funcionamento das plataformas. Durante a entrevista, associou essas preocupações à necessidade de discutir os limites do poder das big techs e a capacidade das instituições brasileiras de fiscalizá-las.
Ao tratar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Jandira fez acusações de parcialidade e questionou a condução de investigações envolvendo Flávio Bolsonaro.
Ela citou, em particular, a atuação do ministro André Mendonça em uma investigação relacionada ao senador e afirmou que informações decorrentes da quebra de sigilo ainda não haviam sido divulgadas.
Veja mais a respeito do tema na íntegra do programa TV GGN 20 horas.
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