22 de outubro de 2026

A máquina de copiar propostas de Flávio Bolsonaro, por Luís Nassif

No debate na Band, Flávio Bolsonaro soltou duas propostas consistentes. Nenhuma delas era dele, uma ele copiou do próprio SUS e outra, minha
Debate Band - reprodução tela

No debate da Band, Flavio Bolsonaro apresentou duas propostas supostamente inovadoras.

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A primeira, foi a criação do prontuário eletrônico único de saúde para todos os cidadãos brasileiros usuários do SUS.

Ora, esse prontuário já está em pleno andamento no SUS, desde a gestão de Nísia Trindade, como mostrou a Secretaria de Informação e Política Digital, Ana Estela Haddad.

https://www.instagram.com/reels/DevGFnZRQTD

Falou também em telesaúde, sendo que o SUS já fez mais de 10 milhões de atendimentos em telesaúde.

Outro proposta dele foi transformar a Caixa Econômica Federal em um banco do empreendedorismo. Ora, essa proposta eu mesmo fiz em artigo que saiu em publicação da Fenae, a federação dos funcionários da CEF. Aqui, a íntegra do artigo.

Bancos públicos: papel estratégico e transformação digital

Os bancos públicos estão no centro de uma grande mudança estrutural, desempenhando um papel absolutamente essencial no novo modelo econômico. Suas vantagens competitivas são evidentes:

  • Ampla capilaridade em todo o território nacional;
  • Conhecimento profundo e interno da dinâmica econômica do país;
  • Atuação como um instrumento altamente eficiente na execução de políticas públicas.

Contudo, a atividade atual dessas instituições limita-se majoritariamente a replicar as condições do mercado privado, oferecendo crédito, contas digitais e outros serviços bancários tradicionais.

Existem duas atividades nobres e essenciais que devem ser assumidas pelos bancos públicos, legitimando sua atuação estratégica e fortalecendo sua função social:

A primeira consiste em identificar, estruturar e financiar setores com alto potencial para o associativismo. Diante das projeções de forte redução de postos de trabalho, as pequenas e médias empresas serão o principal refúgio para o emprego. Na era das plataformas, só sobreviverão e crescerão os negócios que atuarem cooperativamente, seja para negociar em melhores condições com os grandes ecossistemas, seja para desenvolver seus próprios aplicativos e produtos.

A segunda vocação é se consolidar como a principal porta de entrada para o governo digital. Atualmente, a população já conta com diversos serviços digitais, mas a próxima etapa trará uma aceleração dessa oferta, tornando o atendimento presencial indispensável para orientar e incluir os cidadãos.

O caso de sucesso da Caixa na pandemia

A Caixa Econômica Federal superou com brilhantismo esse primeiro grande teste durante a crise da Covid-19. Do ponto de vista macroeconômico, a instituição funcionou como o principal canal de transmissão da política fiscal emergencial do país. Ao distribuir centenas de bilhões de reais em benefícios, ajudou a sustentar o consumo das famílias durante a recessão. Diversos estudos apontam que o Auxílio Emergencial teve um papel crucial na redução temporária da pobreza extrema e na sustentação da atividade econômica em 2020.

1. Operacionalização do Auxílio Emergencial

Esta representou a maior operação da história da instituição. A Caixa operacionalizou o pagamento do benefício instituído pela Lei nº 13.982/2020, alcançando milhões de trabalhadores informais, desempregados, microempreendedores individuais (MEIs) e beneficiários do Cadastro Único. Somente nas primeiras semanas, mais de 52 milhões de pessoas já haviam recebido a primeira parcela. A complexidade da operação exigiu a criação de sistemas de cadastramento, abertura automática de contas digitais, cronogramas escalonados de pagamento e atendimento presencial em milhares de agências.

2. Inovação com o Caixa Tem

O desenvolvimento do Caixa Tem destaca-se como o legado institucional mais significativo desse período. A Caixa abriu mais de 100 milhões de contas Poupança Social Digital, promovendo a inclusão financeira de milhões de brasileiros que não tinham relacionamento bancário anterior, permitindo a movimentação de recursos diretamente pelo celular. Até o final de 2020, o aplicativo movimentou cerca de R$ 362,9 bilhões em benefícios sociais para mais de 121 milhões de pessoas, viabilizando o pagamento de boletos, transferências, compras por QR Code e, posteriormente, transações via PIX.

3. Administração Emergencial do FGTS

Como agente operador do FGTS, o banco implementou diversas medidas de suporte, incluindo a postergação de obrigações e o saque emergencial de até R$ 1.045 por trabalhador em 2020. Esta última medida beneficiou cerca de 31,7 milhões de trabalhadores, injetando aproximadamente R$ 24,2 bilhões na economia nacional.

4. Expansão de Crédito para Empresas

O banco ampliou significativamente suas linhas de crédito voltadas para micro, pequenas e médias empresas, além de apoiar os setores imobiliário e de construção civil. Sendo uma das pioneiras na operação do PRONAMPE, a Caixa contratou cerca de R$ 34,3 bilhões em financiamentos para o segmento corporativo (MPEs) em 2020, sendo R$ 16,4 bilhões destinados por meio do PRONAMPE.

5. Medidas de Renegociação e Flexibilização

Visando conter a inadimplência e proteger a renda durante o período de maior restrição econômica, a Caixa ofereceu alternativas de flexibilização de crédito para pessoas físicas e jurídicas. Entre as ações adotadas, destacam-se a pausa temporária nas parcelas de financiamentos imobiliários, a renegociação de contratos e a ampliação de prazos.

6. Resiliência no Atendimento Presencial

Mesmo diante dos desafios da pandemia, as agências físicas da Caixa continuaram abertas para dar assistência à população sem acesso aos canais digitais. Para gerenciar as grandes filas e aglomerações registradas nos meses iniciais, a instituição estendeu horários de atendimento, contratou colaboradores temporários e estruturou calendários de pagamento eficientes para mitigar a concentração de público.

Essa experiência demonstrou que a CEF está plenamente capacitada para a próxima fase, caracterizada pela convergência de serviços e sistemas de validação digital. A robusta base de dados consolidada durante a pandemia dotou a instituição de um entendimento único sobre o universo das PMEs e dos beneficiários de programas sociais. Dessa forma, os bancos públicos consolidam-se como o principal motor para aproximar e conectar os serviços digitais a toda a sociedade.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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