22 de outubro de 2026

Mãe acusa PM de forjar flagrante com camisetas de Lula em Piracicaba

PT pede investigação à PGE e à PF após denúncia de que policiais teriam obrigado jovens detidos a vestir camisetas de apoio ao presidente
Reprodução

Polícia Militar realiza operação contra tráfico em Piracicaba, apreendendo drogas, arma e três jovens, incluindo um adolescente.
Mãe do adolescente denuncia agressões e afirma que policiais colocaram camiseta pró-Lula para manipular imagens.
PT pede investigação sobre abuso e manipulação política; SSP-SP confirma apreensões, mas nega registros de intimidações.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma operação da Polícia Militar contra o tráfico de drogas na comunidade Vitória Pantanal, em Piracicaba, no interior de São Paulo, tornou-se alvo de denúncias de abuso de autoridade e possível manipulação política. Segundo reportagem do Metrópoles, publicada em 21 de outubro, a mãe de um adolescente de 17 anos apreendido na ação afirma que os policiais colocaram nele uma camiseta de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora o jovem não estivesse usando a peça quando foi abordado.

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A operação, realizada por equipes do 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) e do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), resultou na prisão de dois adultos, de 21 e 24 anos, e na apreensão do adolescente. Segundo a versão policial, uma denúncia indicava que três homens estariam comercializando drogas em uma viela próxima a um bar na Rua Senador Saraiva. Um deles estaria armado.

A Polícia Militar informou que apreendeu 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piracicaba, e os dois adultos permaneceram à disposição da Justiça, enquanto o adolescente ficou apreendido.

Mãe denuncia agressões e questiona imagens

Em entrevista ao Metrópoles, Edna Souza Barbosa, mãe do adolescente, afirmou que o filho vestia uma regata azul no momento da abordagem, e não a camiseta com referência a Lula que aparece nas imagens divulgadas posteriormente. Ela também relatou que o jovem teria sido agredido pelos policiais, assim como uma filha de 14 anos que tentou se aproximar do irmão.

A mãe reconheceu que o filho estaria envolvido em atividades ilícitas, mas contestou a conduta dos agentes e questionou a razão de ele aparecer com a camiseta política. Segundo ela, a roupa teria sido colocada para gerar repercussão nas redes sociais.

As camisetas usadas pelos três jovens nas imagens pertenciam à Apeoesp, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. Na mesma manhã, a entidade havia participado de um ato de apoio a Lula organizado pelo movimento estudantil da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba.

Mulheres também denunciam intimidação

No mesmo dia e na mesma comunidade, duas mulheres que vestiam camisetas da Apeoesp em apoio a Lula afirmaram ter sido intimidadas por policiais militares e obrigadas a retirar as peças. Uma delas relatou que um agente teria feito comentários ofensivos sobre o partido e perguntado se havia outras camisetas disponíveis.

A deputada estadual Professora Bebel (PT), presidente da Apeoesp, anunciou que levaria as denúncias à Ouvidoria da Polícia Militar e cobraria a investigação dos fatos, além da eventual responsabilização dos envolvidos.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou ao Metrópoles que não compactua com desvios de conduta e que pune irregularidades comprovadas. A pasta declarou não haver, até aquele momento, registros das ocorrências de intimidação relatadas pelas mulheres. Sobre a operação, confirmou a apreensão das drogas, da arma e do dinheiro, mas não respondeu às acusações de que as camisetas teriam sido colocadas nos jovens pelos policiais.

PT aciona autoridades após divulgação das imagens

As imagens dos três detidos usando camisetas de apoio a Lula foram publicadas nas redes sociais pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP), que utilizou o episódio para defender a redução da maioridade penal. Em sua manifestação, o parlamentar argumentou que o caso reforçaria a necessidade de leis mais duras e de punição para o envolvimento de menores em crimes.

Procurada pelo Metrópoles, a assessoria de Derrite afirmou que a publicação buscava chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas e que o senador não fez referência às camisetas. A assessoria não reconheceu irregularidades na divulgação.

Diante das denúncias, o Partido dos Trabalhadores acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e solicitou a abertura de investigação pela Polícia Federal. A legenda aponta suspeitas de manipulação política, abuso de autoridade e produção de conteúdo enganoso com possível finalidade eleitoral, em meio à disputa presidencial.

O partido pede que sejam ouvidos a mãe do adolescente, os policiais envolvidos e o senador, para esclarecer as circunstâncias da abordagem e da divulgação das imagens. Até a publicação da reportagem do Metrópoles, as acusações de que os jovens teriam sido obrigados a vestir as camisetas não haviam sido esclarecidas pela Secretaria da Segurança Pública.

O caso reúne, assim, duas questões que exigem apuração independente: a suspeita de irregularidades na abordagem policial e a utilização de imagens de uma operação de segurança pública em uma disputa política. As denúncias ainda precisam ser investigadas, com a identificação dos responsáveis e o esclarecimento das circunstâncias em que as fotografias foram produzidas e divulgadas.

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