As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22) para tratar da abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos. A troca de manifestações ocorre a três dias do segundo turno das eleições presidenciais.
A campanha petista formalizou à Justiça Eleitoral a aceitação das condições apresentadas por Flávio para viabilizar a divulgação dos dados. Já a equipe do candidato do PL informou que vai analisar os documentos apresentados antes de definir sua resposta.
Representantes do PT estiveram no tribunal para protocolar a manifestação, entre eles o coordenador da campanha e líder do partido no Senado, Camilo Santana (PT-CE), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e a deputada federal Camila Jara (PT-MS).
Pelo lado do PL, o senador eleito pelo Paraná e ex-integrante da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol foi designado para acompanhar o caso no TSE. Ele compareceu à Corte na manhã desta quinta-feira, acompanhado da jurista Maria Claudia Bucchianeri.
Condições apresentadas por Flávio
Em manifestação protocolada na Justiça Eleitoral, Flávio condicionou a abertura de seus próprios sigilos ao atendimento de uma série de exigências relacionadas ao presidente, a familiares, assessores e integrantes do governo federal.
Entre os pedidos está a autorização para quebrar os sigilos de assessores próximos de Lula, incluindo Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente.
O senador também solicitou a divulgação de informações bancárias e fiscais de empresas ligadas a familiares do petista, como as vinculadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além de operações comerciais recentes no exterior. A lista inclui ainda o Instituto Lula e a empresa L.I.L.S. Palestras, com informações referentes ao período desde 2003.
Outro ponto envolve o chamado caso Master. Flávio cobrou a divulgação dos registros de acesso ao Palácio do Planalto e de detalhes sobre um encontro entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, realizado em dezembro de 2024.
O candidato do PL também pediu a abertura detalhada das despesas do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023 e a divulgação do histórico de compromissos institucionais da primeira-dama Janja Lula da Silva durante o mandato.
Na área relacionada às investigações sobre irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Flávio solicitou esclarecimentos sobre a interlocução do governo com a lobista Roberta Luchsinger, incluindo registros de visitas a prédios públicos e deslocamentos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). O senador também pediu a quebra do sigilo de Frei Chico, irmão de Lula e dirigente sindical.
A campanha petista afirmou ter apresentado ao TSE os documentos necessários para atender às condições estabelecidas pelo adversário e cobrou que Flávio também avance na disponibilização das informações.
Disputa começou em debate presidencial
O embate sobre a abertura dos sigilos começou no domingo (18), durante debate presidencial promovido pela TV Band. Na ocasião, Lula lançou o desafio ao adversário após ouvir acusações relacionadas a casos de corrupção.
A proposta prevê que os dados sejam disponibilizados ao público por meio da plataforma DivulgaCandContas, do TSE, ou de outro sistema eletrônico de acesso público.
Na terça-feira (20), Lula apresentou manifestações ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorizando a abertura de seus próprios sigilos e dos sigilos de familiares, desde que Flávio aceitasse fazer o mesmo.
No dia seguinte, o senador informou à Justiça Eleitoral que concordava com a proposta, mas estabeleceu uma série de contrapartidas envolvendo informações sobre o governo federal, familiares do presidente e antigos integrantes de sua equipe.
A campanha de Lula declarou aceitar todas as exigências e desafiou o adversário a apresentar os dados nesta quinta-feira (22). Com a eleição marcada para domingo (25), a disputa em torno da transparência e da divulgação de informações financeiras e administrativas passou a integrar a reta final da campanha presidencial.
*Com informações do Metrópoles.
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