30 de outubro de 2026

Indígenas denunciam à TV GGN escalada de terror político no MS

Na TV GGN, líderes expõem risco hídrico, intolerância e suicídios. Governo garante apurar os crimes em área de conflito no MS
Casa de reza indígena foi incendiada. | Crédito: Apib

▸ Denúncias de violência contra indígenas Guarani e Kaiowá no MS incluem atropelamentos, mortes e ameaças após eleição presidencial.

▸ Ameaça de envenenamento da água na Aldeia Sassoró levou a investigação e afastamento de servidor municipal suspeito.

▸ Governo federal criou força-tarefa com PF e MPF para apurar crimes e garantir segurança nas comunidades indígenas do MS.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma onda de violência física, perseguição e intimidação contra as comunidades indígenas Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul mobilizou ministérios do governo federal e a Polícia Federal (PF). As denúncias englobam acusações de atropelamentos, mortes, incêndios criminosos e ameaças de envenenamento do abastecimento de água potável em retaliação ao resultado das eleições presidencias, que elegeram o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

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As denúncias ganharam visibilidade com relatos apresentados na TV GGN 20 Horas, noite desta quinta-feira (29) apresentada pelo jornalista Luís Nassif, no YouTube, onde lideranças locais detalharam o agravamento do cenário de intimidação.

Insegurança e ameaça à água

Entre os casos investigados, destaca-se a ameaça de contaminação da água consumida pela população da Aldeia Sassoró, localizada no município de Tacuru. A comunidade, que depende do fornecimento feito por caminhões-pipa, passou a enfrentar o temor do envenenamento após a circulação de áudios em aplicativos de mensagem. A prefeitura local afastou um servidor municipal suspeito de autoria das gravações e instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O Ministério Público Federal (MPF) também fixou prazos para apuração do episódio e adoção de medidas cautelares.

Em depoimento na TV GGN, a liderança Jânio Kaiowá enfatizou que a escalada de agressões está associada ao alinhamento político de parcela das comunidades:

“Hoje o Mato Grosso do Sul é um estado onde mais ataca a população indígena […] depois da eleição […] as ondas de ataques começaram contra o povo indígena, muitos ataques foram principalmente pelos votos num partido esquerda…“, explicou.

Jânio reforçou o risco direto vivenciado pelos moradores que dependem da água distribuída na região.

“Tem atropelamento de lideranças, perseguições, morte […] e até ameaça de envenenamento de águas das comunidades indígenas… que são levadas para as comunidades e esses caminhões foram ameaçados de envenenamento de água pelo simples voto em um candidato…“, acrescentou.

Histórico e episódios recentes

Além da questão hídrica, foram registrados atos de destruição patrimonial e intolerância religiosa. Na aldeia Jaguapiré, também em Tacuru, a residência de uma anciã de 90 anos foi destruída por um incêndio criminoso, resultando na perda de objetos rituais do povo Guarani-Kaiowá. Sobre esses atos, Jânio relatou:

“Hoje, mais uma vez, na região Tacuru, a casa de uma anciã de 90 anos foi queimada, nós sofremos muito por isso, intolerância religiosa no Mato Grosso do Sul…“, lamentou.

A responsabilidade pelas agressões, segundo o relato da liderança indígena, aponta para setores ligados ao agronegócio e falhas na atuação de forças de segurança locais: “A maioria são fazendeiros […] e a maioria das vezes são os próprios policiais a mando do governo do estado“, denunciou.

O impacto contínuo dessas violações tem gerado reflexos diretos na saúde mental das comunidades: “Hoje o Mato Grosso do Sul por toda essa violência tem gerado muitas consequências, com um índice muito grande de suicídio indígena“, alertou.

Mobilização e força-tarefa

Frente à gravidade do quadro, o governo federal organizou uma ação integrada para acompanhar e apurar as acusações no estado. A socióloga e coordenadora dos povos indígenas do PT, Quenes Gonzaga Payayá, ressaltou no programa a dimensão populacional e o grau de vulnerabilidade na região.

“Nós vemos com muita preocupação esse acirramento da violência. O Mato Grosso do Sul é o terceiro estado brasileiro em representação de povos indígenas, um quantitativo de mais de 116.000 indígenas. E nós vamos cobrar fortemente providências sobre esses casos“, assegurou.

Quenes também informou sobre a criação de uma estrutura emergencial acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI). A Polícia Federal e o MPF mantêm apurações abertas para determinar a autoria dos episódios de violência, verificar a veracidade das ameaças relatadas e restabelecer a segurança nos territórios indígenas na região.

Assista ao programa na íntegra:

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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