A Erística de Mercado e o Sequestro do Debate Econômico, por Marco Antônio Castello Branco
A reação virulenta do mercado financeiro e de seus porta-vozes na mídia corporativa diante das propostas de André Lara Rezende não se sustenta no campo da razão econômica, mas sim nas táticas de manipulação retórica descritas por Arthur Schopenhauer em sua dialética erística.
O primeiro e mais evidente golpe desferido pela Faria Lima é o estratagema do Espantalho: para evitar o debate central sobre o custo pornográfico do rentismo que sufoca o PIB produtivo, os agentes financeiros deliberadamente distorcem uma proposta séria de coordenação institucional (a unificação de metas pelo Conselho Fiscal e Monetário Nacional) e a ampliam absurdamente sob o rótulo de “canetada irresponsável” ou “populismo fiscal”, tornando-a mais fácil de ser atacada diante da opinião pública.
A essa distorção, soma-se o Apelo à Autoridade, travestido de “neutralidade técnica do Banco Central”, e a falácia do Terrorismo Psicológico, que utiliza oscilações especulativas do dólar e da bolsa para emparedar o governo democraticamente eleito.
Ao acionar os fantasmas inflacionários de crises vizinhas como uma profecia autorrealizável, o oligopólio financeiro não busca a verdade macroeconômica, mas sim a vitória dialética pela força do pânico.
Trata-se de uma estratégia deliberada para interditar o contraditório, provando que o mercado opera para ganhar a discussão no grito e na especulação, justamente por saber que, no campo da justiça distributiva e do desenvolvimento nacional, ele não tem razão.
Nota Editor: A erística (do grego eristikē, derivado de Éris, a deusa grega da discórdia) é a arte de discutir e argumentar com o único propósito de vencer o oponente, e não de buscar a verdade ou alcançar um consenso.
Marco Antônio S. C. Castello Branco – Doutor em Metalurgia pela TU Clausthal, Alemanha, Ex-presidente da Vallourec & Mannesmann do Brasil, da Usiminas e da Cia. de Desenvolvimento de Minas Gerais; membro do Conselho de Administração da Eletronuclear.
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