3 de novembro de 2026

As eleições de meio de mandato nos EUA: um ponto de inflexão, não uma virada, por Diane Sare

Não se pode falar em “dia da eleição”, pois votação foi estendida por semanas, de forma que torna o processo mais vulnerável e manipulável.
Penn State - Flickr - Reprodução

Eleições de meio de mandato nos EUA ocorrem em 3 de novembro, com votação estendida e vulnerável a manipulações.
Democratas podem manter maioria, mas apoio de AIPAC e armamento da Ucrânia mantêm riscos de guerra e crise econômica.
Conferências globais e APEC em Shenzhen buscam diálogo entre Xi, Putin e Trump para evitar escalada nuclear e promover paz.

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As eleições de meio de mandato nos EUA: um ponto de inflexão, não uma virada

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por Diane Sare, candidata independente à presidência dos EUA

2 de novembro de 2026 – Amanhã, 3 de novembro, será o último dia da temporada de eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Já não se pode mais falar em “dia da eleição”, pois a votação foi estendida por semanas, de uma forma que torna o processo mais vulnerável e passível de manipulação.

Dito isso, independentemente de o Partido Democrata conseguir ou não garantir a maioria nas duas casas — o que parece provável devido à desastrosa insanidade do atual governo Trump —, é improvável que a trajetória rumo à guerra nuclear e ao colapso econômico seja afetada de alguma forma, já que a maioria dos democratas tradicionais ainda recebe grandes somas de superpacs ligados à American-Israel Politial Action Committee (AIPAC), e defende veementemente o armamento da Ucrânia em prol de seu sonho impossível de derrotar a Rússia.

Isso não quer dizer que não esteja ocorrendo uma mudança nos Estados Unidos, que ainda não amadureceu totalmente nesta temporada de eleições de meio de mandato. Mas não podemos deixar de mencionar que a AIPAC se tornou um fardo tão grande para a reputação de qualquer candidato a um cargo público que deixou de emitir apoios públicos. Além disso, é provável que alguns candidatos independentes à Câmara e ao Senado vençam suas disputas, e que outros independentes acabem recebendo 20% dos votos ou mais. Candidatos independentes que se opõem à guerra e ao genocídio, como o candidato ao Congresso pelo Bronx, José Vega, que também apoia a perspectiva de desenvolvimento econômico de Lyndon LaRouche para a paz mundial, não podem mais ser acusados de serem candidatos “marginais” que apenas prejudicam as chances de democratas ou republicanos derrotarem uns aos outros.

Entre a juventude do mundo, há uma forte onda de mudança se espalhando pelo globo, conforme relatado em parte no diálogo da Coalizão Internacional pela Paz na última sexta-feira.

Na França, na Alemanha, na Espanha e em outros países, centenas de milhares de jovens estão indo às ruas para exigir um futuro livre de guerra e corrupção, que dê a todas as gerações chances iguais de viver em paz e com segurança econômica.

No Brasil, esse movimento se mobilizou com sucesso para impedir que Flávio Bolsonaro, um bandido do tipo Epstein, se tornasse o próximo presidente, apesar de sua vantagem no primeiro turno. O “exército” do presidente Lula, como se autodenominam nas redes sociais, continua se mobilizando, tendo experimentado o poder de seus esforços, e seu apoio será necessário para as batalhas políticas nos próximos dias.

Daqui a três semanas, ocorrerá a conferência da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) com a participação de líderes nacionais, nos dias 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, na China, oferecendo a oportunidade para um encontro tripartite entre os presidentes — Xi Jinping, da China; Vladimir Putin, da Rússia; e Donald Trump, dos Estados Unidos —, cuja chance de dialogar é fundamental para afastar o mundo do paradigma da guerra e levá-lo ao diálogo em prol do desenvolvimento e da paz. Os líderes dos 21 países membros da APEC planejam estar presentes em Shenzhen.

Nos últimos 10 dias, três conferências internacionais contribuíram significativamente para esse diálogo, reunindo especialistas internacionais comprometidos em promover uma mudança global. Na Nova Área de Xiong‘an, na China, de 23 a 25 de outubro, ocorreu o Fórum de Governança Global 2026, com o tema: “Reconstruindo a Confiança e a Cooperação: Reformando e Melhorando a Governança Global em um Mundo em Transformação”. A fundadora do Instituto Schiller, Helga Zepp-LaRouche, participou desse evento e depois apresentou um relato sobre os trabalhos na Coalizão Internacional pela Paz, em 30 de outubro, organização que ela fundou em 2023.

Em Assis, na Itália, de 25 a 27 de outubro, ocorreu a conferência intitulada “Paz Desarmada e Desarmadora”, na qual o Papa Leão XIV falou (por vídeo) sobre a urgência de construir a paz. Foi divulgada a Declaração de Assis. Centenas de figuras religiosas notáveis de diversas crenças de todo o mundo participaram.

E a Terceira Cúpula Rússia-África foi encerrada em 29 de outubro, após dois dias repletos de sessões plenárias, sessões de trabalho, exposições e reuniões paralelas entre representantes de 48 nações africanas e da Rússia, incluindo 22 chefes de Estado e de governo. O lema da Cúpula, presidida pelo presidente Putin, foi “Pela Paz, Segurança e Desenvolvimento”. Putin fez uma apresentação detalhada do leque de projetos e políticas de interesse mútuo entre a Rússia e muitos países da África, abrangendo desde energia nuclear até educação, combate a doenças infecciosas, combate ao terrorismo e muito mais.

As próximas semanas exigem vigilância e ação. Será que a possibilidade de um encontro entre Xi, Putin e Trump na próxima reunião da APEC impedirá Trump de mergulhar de cabeça em uma escalada catastrófica, inclusive com armas nucleares “táticas”, contra o Irã, ou será que Netanyahu persuadirá Trump a lançar ataques contra o Irã com renovada vingança após a eleição? O Congresso estadunidense em fim de mandato tentará aprovar a National Defense Authorization Act (NDAA), incluindo a traiçoeira fusão militar e de inteligência entre os EUA e Israel. O deputado Massie também apresentará mais uma vez os artigos de impeachment contra o secretário de guerra Pete Hegseth. Portanto, não fiquem parados esperando os resultados chegarem. Tudo está em jogo.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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