Abriram a porta do hospício (II), por Izaías Almada
O texto abaixo foi por mim escrito pouco antes da vitória eleitoral do presidente Lula sobre o Mito (rsrsrs) no final de outubro de 2022, quatro anos antes da tragédia atual:
“Enquanto o país, assustado, espera pela votação do próximo dia 30 de outubro, vamos assistindo ao lado da propaganda eleitoral o crescimento não só do ódio contra a democracia e seus defensores, mas também a pregação já nada sutil de entrarmos numa ditadura se a vitória pertencer, como se espera, ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
O episódio envolvendo a senhora Damares Alves é perturbador e não pode deixar de ser investigado, pois até agora o país não sabe se a “denúncia” feita pela senadora eleita corresponde a realidade ou se é uma fantasia da sua cabeça, pois não devemos nos esquecer que ela já viu Jesus numa goiabeira.
Se o fato é real, investigação e punição exemplar a tamanha monstruosidade. Se for fruto de uma cabeça doentia, punição e cassação do mandato antes mesmo da posse, pois se o mal não for cortado pela raiz, dias mais do que sombrios estão por vir.
O congresso nacional será transformado numa filial de igrejas evangélicas, com ou sem corrupção?
O país está perdendo a noção. Boa parte de seus cidadãos está tomada pelo ódio, capazes de agredir e até matar aqueles que não concordam com as suas opiniões.
Não se deve confundir liberdade com libertinagem e nem liberdade de expressão com a divulgação de mentiras que colocam em risco a democracia (que já está moribunda) no Brasil.
É bom não esquecer que a situação econômica e a política mundial passam também por momentos delicados. Tudo somado, como estaremos em 2023, se lá chegarmos?
Acorda Brasil, enquanto é tempo!”
Pois é, já estamos quase a entrar em 2027 e, mesmo com os esforços e vitórias de Lula no seu governo dos últimos quatro anos e agora sua maravilhosa virada sobre o filho do Mito (rsrsrs), parece que o Brasil não acordou ou, se acordou, anda tateando pelo quarto com a luz apagada.
Caro presidente Lula, sei que o senhor está à procura de formar um time mais disposto em defender a instável democracia brasileira, sempre à volta de golpes de estado ou à tentativa deles.
A vergonhosa tentativa de se submeter ao governo norte americano promovida pela quadrilha bolsonarista, num jogo maquiavélico de traição ao país, bem como a desobediência às leis e à nossa Constituição, devem ser avaliadas, julgadas e punidas o mais rápido possível, antes que o caldo entorne…
Se assim não for, é bem capaz de que um novo 08 de janeiro venha por aí com mais arruaças e violências… Está na hora de fechar a porta do hospício…
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário