3 de novembro de 2026

Governo deve enviar nesta terça ao Congresso MP do Imposto Seletivo, que mantém carga tributária em 2027

Ministro da Fazenda diz que texto passa por última conversa com Lula antes do envio; proposta prevê transição com IPI no início do ano e aumento da taxação a partir de 2028
Dario Durigan, Ministro da Fazenda. Foto: Washington Costa/MF

Governo enviará ao Congresso MP que regulamenta o Imposto Seletivo, após discussão com presidente Lula.
Imposto Seletivo começa em 2027, com transição mantendo IPI até fevereiro para evitar perda de arrecadação.
Setores afetados alertam que aumento pode elevar preços e estimular mercado ilegal, apesar de alta tributação atual.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta terça-feira (3) que o governo pretende enviar ainda hoje ao Congresso Nacional a medida provisória (MP) que regulamenta o Imposto Seletivo, também conhecido como “imposto do pecado”. O texto será discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de seguir ao Legislativo.

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“A MP já saiu aqui do Ministério da Fazenda. Devo despachar com o presidente hoje. A expectativa é que seja hoje [enviada ao Congresso]”, disse Durigan a jornalistas. Segundo ele, a proposta está atualmente na Casa Civil e precisa ser aprovada até o fim do ano.

A proposta prevê a manutenção da atual carga tributária sobre os produtos que causam danos à saúde no próximo ano, considerado período de transição. Durigan confirmou que fechou acordo nesse sentido com os setores afetados, e disse que haverá apenas ajustes decorrentes da mudança na base de cálculo do tributo.

Como o Imposto Seletivo tem noventena, ou seja, só entra em vigor 90 dias depois de aprovado pelo Legislativo, o acordo prevê que o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) continue sendo cobrado nesse intervalo, provavelmente até fevereiro de 2027, para evitar perda de arrecadação. Na prática, o IPI seria mantido temporariamente em janeiro, e o Imposto Seletivo passaria a ser cobrado a partir de fevereiro.

Para viabilizar a transição, o governo também pretende encaminhar ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prorrogue temporariamente a vigência do IPI para esses segmentos.

Aumento

A partir de 2028, a ideia do governo é elevar a taxação para desestimular o consumo de produtos e atividades prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. O modelo permanente do Imposto Seletivo continuará sendo discutido pelo Congresso ao longo de 2027.

Para 2027, a equipe econômica estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com o tributo, conforme a proposta de Orçamento enviada ao Congresso. Com o Imposto Seletivo e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), também criada pela reforma tributária e cobrada a partir de 2027, o governo busca manter a arrecadação estável em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Criado pela reforma tributária sobre o consumo, o imposto começará a ser cobrado em 2027. A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros. O tributo também incidirá sobre alguns veículos, conforme o nível de poluição, sobre a extração de bens minerais e sobre loterias, apostas e jogos de fantasy sports.

Álcool: levantamento da Fiocruz, citado pelo Ministério da Saúde, aponta que o consumo gerou custos de R$ 18,8 bilhões em 2019. Desse total, R$ 1,1 bilhão correspondeu a gastos federais diretos com internações e atendimentos ambulatoriais no SUS, e R$ 17,7 bilhões à perda de produtividade por mortes prematuras, afastamentos, aposentadorias precoces e licenças médicas.

Tabaco: segundo o Ministério da Saúde, as doenças relacionadas ao tabagismo geram custos indiretos de R$ 86,3 bilhões por ano. Com os custos diretos, o impacto anual chega a R$ 153,5 bilhões, ou 1,6% do PIB, contra arrecadação federal de apenas R$ 8 bilhões na venda de cigarros.

Bebidas ultraprocessadas: em estudo que embasa a cobrança, o governo estimou que o tratamento de doenças associadas a refrigerantes, isotônicos e refrescos custa quase R$ 3 bilhões por ano ao SUS.

Posição do setor

Produtores nacionais afirmam que as bebidas alcoólicas já são muito tributadas, com impostos entre 40% e mais de 80% do preço. Segundo o setor, um aumento pode reduzir margens, elevar preços, provocar demissões e estimular o mercado ilegal.

Reforma tributária

Ao defender os parâmetros da reforma, Durigan afirmou que a alíquota estimada da CBS ficou abaixo da proposta pelo ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes. “Se você pegar o projeto de lei que o ex-ministro Paulo Guedes enviou ao Congresso criando a CBS, a alíquota era de 12%”, lembrou.

Segundo o ministro, os cálculos enviados ao Tribunal de Contas da União (TCU) apontam alíquota máxima de 11,3% e média próxima de 8,5%. Para ele, esses números criam condições para que o Congresso reveja exceções e regimes favorecidos incluídos durante a tramitação da reforma, abrindo espaço para uma redução gradual das alíquotas.

“Isso vai dar condição para que o Congresso reveja as exceções que a Fazenda foi contrária durante a tramitação e a gente reduza a alíquota de maneira mais justa e mais apropriada do que estava sendo proposto anteriormente”, afirmou.

*Com informações do g1 e da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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