3 de novembro de 2026

Trump anuncia fim de ajuda militar de US$ 4 bilhões a Israel

Assistência será encerrada no fim do ano, conforme acordo com Netanyahu; proposta prevê substituição por compras de armamentos e cooperação militar
Donald Trump e Benjamin Netanyahu - Reprodução de Ministério das Relações Exteriores de Israel

Trump anuncia fim da maior parte da ajuda militar dos EUA a Israel até o fim de 2026, segundo acordo com Netanyahu.
Mudança visa substituir assistência por compra direta de armamentos e parcerias tecnológicas entre EUA e Israel.
Críticas surgem em Israel; opositor Eisenkot reprova anúncio público sem consulta à população ou setores de segurança.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (3) que o país encerrará, até o fim deste ano, a maior parte da ajuda militar concedida a Israel, atualmente estimada em US$ 4 bilhões.

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Segundo Trump, a decisão faz parte de um acordo firmado meses atrás com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e prevê uma mudança na relação de financiamento militar entre os dois países.

A declaração foi feita em entrevista ao programa de rádio de Brian Kilmeade, da Fox News, justamente no dia das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Trump afirmou que Israel não precisa mais receber a assistência financeira americana e que passará a adquirir armamentos diretamente dos Estados Unidos.

Como explica o jornal The New York Times, a mudança ocorre em um momento de crescente dificuldade política para a manutenção do apoio militar a Israel no Congresso americano. A assistência, que durante décadas foi um dos pilares da política externa dos Estados Unidos para o Oriente Médio, passou a enfrentar questionamentos mais frequentes, especialmente diante da guerra em Gaza e da deterioração do apoio popular americano ao governo israelense desde os ataques de 7 de outubro de 2023.

Trump, entretanto, não mencionou Gaza nem a mudança de percepção da opinião pública americana ao justificar o anúncio. Em vez disso, apresentou a decisão como uma forma de retirar dos democratas uma crítica política ao Partido Republicano.

O presidente afirmou que a ajuda havia se transformado em um argumento utilizado pela ala mais à esquerda do Partido Democrata para questionar a relação de Washington com Israel. Citou, nesse contexto, Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan e crítico declarado da política israelense.

Trump também ressaltou que Israel continua sendo um aliado prioritário dos Estados Unidos, mas argumentou que o país tem condições econômicas de financiar suas próprias necessidades militares.

Mudança no modelo de cooperação militar

O atual acordo de assistência militar entre Estados Unidos e Israel tem validade até 2028. Trump, portanto, sinalizou a possibilidade de antecipar seu encerramento em dois anos, com a concordância do governo israelense.

A substituição da ajuda direta por um modelo baseado na compra de armamentos americanos e em parcerias de defesa e tecnologia já vinha sendo discutida no Congresso dos Estados Unidos. A proposta prevê uma cooperação mais integrada entre as indústrias militares dos dois países, com projetos conjuntos envolvendo o Departamento de Defesa americano e empresas contratadas pelo governo.

Esse formato também pode representar vantagens econômicas para Israel, que teria acesso a novos projetos e contratos de desenvolvimento tecnológico e militar.

Netanyahu já havia manifestado, nos últimos meses, interesse em reduzir a dependência da assistência americana, embora não tivesse apresentado um cronograma para a transição.

Para o primeiro-ministro israelense, o modelo atual também se tornou uma fonte crescente de pressão política. A liberação de recursos e armamentos americanos passou a ser utilizada por parlamentares como instrumento para cobrar mudanças nas ações do governo israelense. A adoção de um sistema mais baseado em vendas militares e acordos tecnológicos poderia reduzir parte dessas disputas, embora não eliminasse a fiscalização do Congresso.

Anúncio provoca reação na política israelense

A declaração de Trump também repercutiu na política interna de Israel. O principal adversário de Netanyahu, Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, criticou o fato de que a mudança no relacionamento estratégico entre os dois países tenha sido anunciada publicamente pelo presidente americano, sem que a população e os setores de segurança israelenses tivessem sido previamente informados.

Eisenkot afirmou que a condução de Netanyahu representa um risco para Israel e defendeu sua substituição no comando do governo. A reação ocorre enquanto Netanyahu enfrenta dificuldades para formar uma nova coalizão após uma eleição inconclusiva realizada na semana anterior em Israel.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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