As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), reconfiguraram o cenário político do país ao registrar uma série de vitórias inéditas de grupos historicamente sub-representados. A apuração dos votos indicou uma renovação demográfica sem precedentes em governos estaduais e no Congresso federal, impulsionada pela eleição de líderes negros, indígenas, latinos, muçulmanos e integrantes da comunidade LGBTQIA+.
Avanços inéditos nos Executivos estaduais
O principal marco do pleito ocorreu na Geórgia, onde a democrata Keisha Lance Bottoms foi projetada como a primeira mulher negra a governar um estado na história dos Estados Unidos. Ex-prefeita de Atlanta, ela derrotou o republicano Rick Jackson com uma plataforma voltada à expansão da rede pública de saúde (Medicaid), redução de impostos imobiliários e aumento dos investimentos na educação básica.
No Novo México, a ex-secretária do Interior Deb Haaland consolidou sua trajetória de pioneirismo ao se tornar a primeira pessoa indígena eleita governadora no país. Já no Texas, a advogada e legisladora estadual Gina Hinojosa superou o republicano Greg Abbott, no cargo há quase 12 anos, tornando-se a primeira governadora hispânica do estado e a primeira democrata a comandar o Executivo texano desde 1990.
A representatividade negra nos governos estaduais também bateu recorde com a eleição do republicano Byron Donalds na Flórida, o primeiro governador negro da história do estado, e do democrata David Crowley em Wisconsin. Com a reeleição de Wes Moore em Maryland, os EUA passarão a ter três governadores negros em exercício simultâneo.
Completando a nova configuração dos Executivos estaduais, o ex-secretário de Saúde Xavier Becerra conquistou a Califórnia como o primeiro latino eleito governador do estado, enquanto a médica Amy Acton tornou-se a primeira mulher a comandar o governo de Ohio.
Reconfiguração do Congresso americano
A apuração para o Legislativo federal trouxe quebras de barreira semelhantes. Em New Hampshire, o democrata Chris Pappas garantiu vaga no Senado e se tornou o primeiro senador abertamente gay da história americana. Na Carolina do Sul, a pediatra Annie Andrews venceu a disputa contra Darline Graham, tornando-se a primeira mulher eleita senadora pelo estado. Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed elegeu-se o primeiro senador muçulmano do país.
Na Câmara dos Representantes, a renovação ganhou força com a eleição da advogada Melat Kiros, de 29 anos, a primeira mulher negra a representar o Colorado no Congresso. Em Nova Jersey, o cirurgião aposentado do Exército Adam Hamawy elegeu-se o primeiro congressista muçulmano do estado com foco na defesa da saúde universal. Por Nova York, a deputada estadual Claire Valdez tornou-se a primeira mulher indígena a representar o estado em Washington.
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