4 de novembro de 2026

Mapa presidencial de 2028 dos republicanos virou de cabeça para baixo após onda democrata

O caminho republicano até os 270 votos no Colégio Eleitoral ficou bem mais estreito, e a divisão tradicional entre estados vermelhos e azuis perdeu a rigidez
Com dificuldades internas relacionadas às eleições, Casa Branca reage a Israel enviando armas e acobertando ações desproporcionais. Foto: Reprodução/Wikipedia

Democratas vencem no Texas e avançam no Oeste e Meio-Oeste, redesenhando o mapa eleitoral dos EUA.
No Nordeste e Sul, democratas conquistam cargos-chave e estados antes dominados por republicanos.
Sem os 40 votos do Texas, caminho republicano para 270 votos no Colégio Eleitoral fica mais difícil.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Segundo o colunista Jonathan Martin, do site norte-americano Politico, a vitória esmagadora dos democratas nas eleições de meio de mandato, na terça-feira (3), foi mais que uma reprovação ao presidente Donald Trump. Para ele, foi um terremoto político capaz de redesenhar o mapa eleitoral dos Estados Unidos. O caminho republicano até os 270 votos no Colégio Eleitoral ficou bem mais estreito, e a divisão tradicional entre estados vermelhos e azuis perdeu a rigidez.

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“Depois de uma geração, o mapa parecia engessado. Agora há mais estados indefinidos”, disse o deputado Brendan Boyle (D-PA), futuro presidente da Comissão de Orçamento da Câmara.

A mudança começa no Texas, onde, após mais de uma década de previsões otimistas que nunca se confirmaram, os democratas enfim venceram. Eles tomaram uma vaga no Senado com vitória por dois dígitos, levaram quase todos os cargos estaduais e assumiram o controle da Câmara estadual. O maior prêmio presidencial dos republicanos passou a ser um estado em disputa, e sem seus 40 votos eleitorais o partido tem poucas chances de chegar à Casa Branca.

Democratas avançam

Martin descreve um movimento de pinça, com os democratas avançando de leste e de oeste em direção ao Texas. A Costa do Pacífico segue democrata, e o partido ganhou força no interior do Oeste: manteve os governos do Arizona e do Novo México e reconquistou o de Nevada. No Arizona, a governadora reeleita, que há quatro anos era vista como uma ocupante acidental do cargo, venceu por 13 pontos. No Colorado, o governador eleito Phil Weiser ganhou por quase 30 pontos.

O Kansas também se aproximou dos vizinhos do Oeste. Adam Hamilton derrotou um senador em exercício por cerca de cinco pontos, e a disputa pelo governo ainda estava indefinida na madrugada. Com o crescimento dos subúrbios de Kansas City, o estado pode virar um campo de batalha, como já foi o Missouri.

Mais ao norte, Iowa, que Trump venceu três vezes, deu sinais de volta à condição de estado disputado: Rob Sand foi eleito governador com 10 pontos de vantagem, Josh Turek ganhou a vaga no Senado por cerca de quatro, e os democratas conquistaram três das quatro cadeiras da bancada do estado na Câmara. O partido também manteve os governos de Michigan, Pensilvânia e Wisconsin e conquistou o governo e uma vaga no Senado em Ohio, estado que muitos democratas davam como perdido. Martin lembra que o Meio-Oeste não era tão azulado desde 2006, ano que antecedeu a melhor performance democrata em uma eleição presidencial neste século, a de 2008. Isso não significa, ressalva, que 2028 será uma repetição.

Nordeste e Sul

No Nordeste, os republicanos só mantêm os governos de New Hampshire e Vermont e o senador David McCormick, da Pensilvânia, que pode se tornar candidato presidencial antes do previsto. Com a derrota da senadora Susan Collins no Maine, o partido ficou sem senadores na Nova Inglaterra pela primeira vez desde sua fundação.

Na região Sul, a Virgínia já é firmemente democrata, e a Carolina do Norte se parece cada vez mais com ela: Roy Cooper foi eleito senador por 20 pontos, e alguns deputados republicanos perderam o mandato. A Carolina do Sul elegeu Annie Andrews, primeira senadora democrata do estado desde 1998. A Geórgia confirmou ser um estado de tendência democrata, mais próximo dos estados do “muro azul” do Meio-Oeste que dos vizinhos sulistas. Keisha Lance Bottoms foi eleita a primeira mulher negra governadora da história do país, por seis pontos, e o senador Jon Ossoff venceu por 18. Os democratas levaram todos os cargos estaduais e retomaram a Câmara estadual pela primeira vez desde 2002.

O principal alívio foi a Flórida, onde o partido manteve o governo e uma vaga no Senado, mas por menos de três pontos em cada disputa, apesar de anos de mudança demográfica favorável. Em outros estados do Sul, o partido segue no comando, mas a reação do eleitorado negro quase custou uma cadeira no Senado na Louisiana e ainda pode custar no Mississippi, o estado de maior proporção de população negra do país.

A conta dos 270 votos

Seis estados tradicionalmente democratas (Nova York, Nova Jersey, Illinois e os três da Costa Oeste) somam 135 votos eleitorais, metade do necessário. Se todo o Cinturão do Sol, incluindo Texas e Flórida, estiver em jogo, não há caminho óbvio para os republicanos, mesmo em um ambiente político um pouco melhor, como um em que o governador do Texas, Greg Abbott, perdesse por quatro pontos em vez de sete.

Martin pondera que este pode ser o fundo do poço do partido: um meio de mandato historicamente ruim, num contexto de impopularidade do presidente, de uma guerra malvista e da alta dos preços dos combustíveis. Mas pergunta se os problemas com eleitores hispânicos, negros e brancos de subúrbio serão muito diferentes em dois anos, caso Trump continue controlando o partido, e se o vice-presidente JD Vance teria desempenho melhor que os candidatos republicanos derrotados na Geórgia, no Texas, em Wisconsin, em Michigan e em Nevada. Para o colunista, é difícil imaginar que sim.

Ele ressalva que o candidato de 2028 não enfrentará um democrata genérico e que eleições presidenciais são diferentes das estaduais. A terça-feira, porém, mostrou que as coalizões podem mudar rápido e que os estados que os republicanos davam como seguros podem ser tão escorregadios em 2028 quanto foram em 2026. Segundo Martin, se o partido não buscar uma reformulação pós-Trump e uma forma de atrair eleitores mais escolarizados e diversos, Geórgia e Arizona podem se tornar o que Virgínia e Colorado são hoje.

Boyle resumiu: não existem maiorias permanentes na política americana.

*Com informações do Politico.com.

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