Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (8) mostra que 94% dos brasileiros torcem para que o presidente Lula (PT) faça um governo de sucesso após a reeleição. O levantamento também revela que 62% dos entrevistados consideram errada a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos, e 56% acreditam que ele deixou o país para fugir da Justiça.
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a preocupação dos brasileiros com o futuro atingiu o menor patamar de toda a série histórica. O otimismo se apoia na esperança de um país mais próspero, na vitória do processo democrático, na manutenção dos programas sociais de combate à desigualdade e nas propostas de regulamentação das redes sociais e das apostas bets.
Entre os sentimentos imediatos após o resultado, predominaram a alegria e o alívio, sobretudo entre eleitores de esquerda e do campo democrático. O bolsonarismo manifestou revolta e a direita, decepção, enquanto os independentes tiveram reações fragmentadas. Apesar da divisão da disputa, prevalece o desejo de que o Executivo tenha êxito em sua agenda.
Entre as prioridades cobradas para o novo ciclo de governo estão o fim da jornada de trabalho 6×1, a isenção de impostos sobre itens da cesta básica, a valorização contínua do salário mínimo e o pacto nacional contra o feminicídio. As principais preocupações dos entrevistados são os juros e a dívida pública, a segurança pública, o combate à corrupção e a governabilidade.
A ida de Flávio aos EUA
A viagem do senador chegou ao conhecimento de 89% dos entrevistados, o maior índice de conhecimento registrado em pesquisas recentes, superando episódios como o escândalo do Banco Master, o caso envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e a reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores em 2022.
Entre os que souberam do episódio, 62% avaliam que Flávio agiu de maneira errada, 29% consideram a decisão correta e 9% não souberam ou não quiseram responder. Para 56% dos brasileiros, ele saiu do país para fugir da Justiça; outros 35% acreditam que o objetivo era evitar uma perseguição política.
A percepção de perseguição é mais forte entre os bolsonaristas, mas a direita se divide: metade desse grupo, incluindo parte dos eleitores que votaram em Flávio no segundo turno, considera que ele errou ao deixar o país. Entre os independentes, apenas cerca de um terço vê perseguição política.
Autoproclamação
A pesquisa também avaliou a tentativa de Flávio de se autoproclamar presidente após a eleição. Do total, 70% tomaram conhecimento do episódio, e 60% consideram que ele agiu mal diante do resultado, percentual superior ao registrado pela Quaest em dezembro de 2022 sobre a postura de Jair Bolsonaro após a derrota. Além disso, 59% desaprovam o fato de o senador ter levantado dúvidas sobre o resultado das urnas.
Para Felipe Nunes, a rejeição reflete a percepção majoritária de que as eleições foram limpas e justas. Apenas um terço dos brasileiros acredita que houve fraude, proporção semelhante à de 2022.
Investigações no STF
Flávio deixou o Brasil depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega de seus passaportes. Ele descumpriu a ordem, entrou por terra na Argentina e de lá embarcou em um avião particular para os Estados Unidos, onde desembarcou em um aeroporto próximo de Miami em 28 de outubro.
O senador é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de lavagem de dinheiro em negócios ligados a casas de apostas pertencentes a Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio. Uma das apurações investiga se ele teria usado uma casa de apostas para lavar dinheiro; outra analisa repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para a produção do filme.
A Quaest realizou 2.004 entrevistas presenciais entre 30 de outubro e 2 de novembro. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
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